quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Queria mesmo é que fosse mais fácil...

"Ah, como eu queria tudo se resolvesse como num passe de mágica…"

No momento que escrevo estas linhas estou enfrentando um grande desafio na minha jornada acadêmica. As dificuldades que se avizinham, devo confessar, me atemorizam e lutas interiores são travadas. Uma delas é contra aquele desejo de dormir e acordar com tudo resolvido (já teve?). Como quando passamos por situações que desejamos não terem sido mais que sonhos ruins, dos quais pudéssemos acordar e respirar aliviados. Essa busca por soluções fáceis pode ser ilustrada pelas inúmeras propagandas que prometem um corpo "sadio e nédio" como resultado milagroso desse ou daquele comprimido, sem exigir exercícios. Não sei você, mas eu adoraria que fosse verdade, e do dia pra noite, pela ingestão de um simples comprimido, minha "máquina de lavar" fosse transformada em um "tanquiho" (quem ler entenda!). A busca por facilidade está em todo lugar, e não deixa incólume nenhuma área da vida, e como você já deve ter advinhado, está presente no aconselhamento cristão também.

Nem todo mundo que procura um conselheiro cristão está realmente disposto a seguir as orientações que recebe. Sei o que parece, mas nem sempre é o caso de recebermos alguém realmente disposto a fazer o necessário. E a pergunta que parece ficar no ar é: por que essa pessoa veio em busca de ajuda?

Quando nossa saúde está realmente ruim, procuramos por um médico. Quando a situação demanda medidas urgentes, nossa disposição é proporcional ao desespero. Parece que enquanto a dor não nos tirar da zona de conforto, não haverá disposição para mudar. É como se nosso disposição em mudar fosse proporcional aos efeitos que a doença em questão traz. Muitas pessoas lutam com os efeitos de seus pecados e problemas, alguns deles terríveis. Mesmo assim, para nossa supresa, eles ainda desejam uma saída fácil, segura, rápida e não sacrificial.

Antes de prosseguir, uma nota: O aconselhamento cristão centrado na Bíblia não exigirá sacrifícios de fato. O verdadeiro e necessário sacrifício já foi feito, de fato, na cruz do Calvário. Por isso que o aconselhamento cristão busca em Cristo seus princípios e práticas. Os ídolos é que estão interessados em sacrifícios de pecados, ao passo que o aconselhamento alicerçado em Jesus Cristo espera como resposta que sejam oferecidos a Deus, por meio de Jesus, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome(Hb 13.15). Acontece que quando somos confrontados com nosso pecados, alguns deles tão enraizados em nossa vida que parecem fazerem parte integral dela, encaramos o dilema de deixar as velhas paixões carnais que militam contra nossa alma para adotar um estilo de vida que seja expressão de amor a Deus. Nesse momento nos parece verdadeiros "sacrifícios" que abandonemos certos vícios, alegados direitos, atitudes e pensamentos.

Voltando... Pode ser que pelo fato de não empregarmos o uso de fármacos no tratamento, o aconselhamento bíblico para muitos parece algo mais fácil.

O problema não é atenuado pelo modelo médico, segundo o qual certos problemas são melhor compreendidos e tratados quando entendidos sob a categoria de doenças. Nessa condição, tudo o que é desejado é um diagnóstico que seja correto para que a administração do remédio correto leve à cura pretendida. Correto? Acredito que essa seja justamente a resposta fácil, porém errada. A resposta, não nos é oferecida no fundo do frasco, mas no alto do Gólgota.

Quando penso nesse estados de coisas me vêm à mente a pregação do vendedor de indulgências tão ardorosamente combatido por Lutero, João Tetzel. Segundo Tetzel, toda vez que alguém ouvisse o tilintar de uma moeda cair no fundo da caixa, uma alma saida do prugatório. "Tetzels" modernos parecem estar apregoando novas e mais caras indulgências, sob a promessa de que a cada comprimido que sai do fundo do frasco, mais perto alguém está de ser liberto de sua mazela psicológica.

Não questiono, nem creio que deveríamos questionar (sempre e em qualquer ocasião) a sinceridade dos que nos procuram. O problema reside em outro lugar: Amamos o conforto, e amamos ainda mais o conforto que permanecer um nossos velhos conceitos proporciona. Parece até que a única mudança a que estamos dispostos nada mais é do que uma versão atualizada da condição anterior, que no entando, nada tráz de novo.

Conselheiro, esteja preparado para enfrentar esse desafio, pois todos, em alguma medida, procuramos caminhos mais fáceis para atingir nossos objetivos. É como diz meu professor: "Todos queremos ganhar na loteria... sem ter que comprar o bilhete, pra não pecar!". O que fazer?

Consideremos com nosso aconselhado que na condição de embaixadores nos cabe "preencher o que resta das aflições de Cristo" em nossa carne (Col 1.24), como quem "participa dos sofrimentos" uns dos outros, como bons soldados de Cristo Jesus (2 Tm 2.3). Assim o fazemos porque nosso Senhor Jesus nos conclama a seguí-lo na consciência de que quem quiser ir após ele deve negar a si mesmo e tomar a sua cruz, e só então seguí-lo (Mt 16.24). Nada disso, porém, realmente implica em exigir-se de nós, seguidores do Senhor Jesus, que façamos aquilo que não está ao nosso alcance, pois mesmo sob o peso das tentações, Deus não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças, antes provê o livramento de modo que o possamos suportar (1 Co 10.13). Quando triunfamos, portanto, sobre as dificuldades e fazemos aquilo que nos cumpre fazer, sabemos que o que colhemos é o fruto da boa vontade de Deus em nós, pois é ele quem efetua "tanto o querer como o realizar" (Fp 2.13). Consideremos ainda que isso nos conduz a nenhum outro fim senão à alegria, na medida que somos coparticipantes dos sofrimentos de Cristo (1 Pe4.13), pois assim se alegram aqueles que sabem que, enquanto participantes desse sofrimento, soão ainda mais coparticipantes da glória que há de ser revelada" (1 Pe 5.1).

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sobre Aflição

afliçãoHá algum tempo tenho informado a igreja que pastoreio sobre como nossa geração desaprendeu a enfrentar o contraditório. Nossa geração não sabe perder, não sabe ouvir um sonoro não. Rejeição é um atentado, beleza agora é pós-beleza. Antes ouvíamos que algo era verdade ou mentira. Em tempos recentes ouvimos verdade, inverdade, não-verdade e pó-verdade. Há alguns anos, as crianças que disputavam alguma modalidade esportiva, somente ganhavam medalhas se chegassem em primeiro lugar. Hoje em dia, todos que disputam alguma modalidade esportiva, especialmente nas escolas, obrigatoriamente ganham medalhas. Com isso, treina-se uma geração a não suportar perder. Não sabem lidar com algo ou alguém que lhes diga algo que soe contrário ao seu sentimento.

Sei que o mundo está sendo pautado pelo politicamente correto, porém, assustadoramente também encontramos a mesma realidade na cultura evangélica atual. Ao menor sinal de indisposição, homens e mulheres dizem estar profundamente magoados. Os pastores estão precisando ponderar cada palavra, cada termo usado nas mensagens, para não contrariar os ouvidos sensíveis da membresia.

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos.      Salmo 119.105

A Palavra de Deus continua sendo um farol a iluminar o caminho correto. Estamos caminhando próximo aos rochedos. As tentativas de nublar os caminhos estão se intensificando. A única forma de não colidirmos contra os perigosos rochedos é olharmos para a luz que emana da Palavra de Deus, pois ela tem brilhado para nos mostrar o caminho correto a seguir.

Pensemos por um instante na desafiadora mensagem do versículo 71 do Salmo 119.

Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.

Esse versículo não se encaixa no pensamento médio do evangélico brasileiro. Na média, o que constatamos são mensagens de autoajuda, com “pitadas” de alguns versículos bíblicos.

Evidentemente ninguém deveria orar a Deus pedindo por aflição. A questão não é esta. Depois de algum tempo, o salmista pôde constatar que a aflição serviu para tornar mais claro os decretos de Deus. E, compreender os decretos de Deus é sempre muito bom, pois traz quietude ao coração que está em agonia e inquietação.

Para que possamos nos comprometer com este ensino apresentado pelo salmista, será necessário entender pelo menos dois aspectos.

O primeiro, é importante e vital ter o coração rendido às Escrituras Sagradas. O coração e a mente devem ser tomados pela centralidade da Palavra de Deus.

O segundo aspecto consiste em confiar plenamente na condução de Deus sobre todas as coisas. Viver como se ninguém estivesse no controle é desesperador. Lembrar que há um Deus santo, soberano e justo reinando absoluto é reconfortante e dá sentido à cada experiência pela qual passamos aqui nesta terra.

Não é uma tarefa fácil aplicar o ensino apresentado no versículo 105 do Salmo 119. Requer tempo em oração, leitura da Palavra e profundo desejo de ter verdadeira comunhão com o Deus Altíssimo. O Santo Espírito do Senhor guiará todos os seus filhos nesta caminhada gloriosa.

Aprender sobre os decretos de Deus significa aprender sobre o caráter de Deus. Quando sondamos a realidade dos decretos de Deus, percebemos que, ainda que não consigamos apreender toda a percepção da realidade e propósitos de Deus, podemos confiar nele plenamente.

Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;  2 Coríntios 4. 8 e 9

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