quinta-feira, 19 de abril de 2012

O uso da Escritura Sagrada pelo conselheiro bíblico – uma experiência fundamental.

imagesTenho a impressão de que o aconselhamento pastoral tem sofrido em dois aspectos. O primeiro aspecto ocorre em relação ao fascínio pelas ciências sociais, especialmente em relação a psicologia secular, que apresenta e imprime uma visão antibíblica na mente e no coração de muitos pastores acerca da estrutura do ser, em detrimento do que informa a revelação bíblica sobre o ser.

 

Como tenho outro interesse neste artigo, pretendo resumir os principais aspectos da psicologia secular, pelos fatos que seguem:

 

         1. Considera o homem essencialmente bom, sendo o meio o agente corruptor de suas almas;

         2. Possui uma interpretação subjetivista sobre bem e mal, certo e errado, verdade e mentira;

         3. Afirma, tacitamente, não haver outra forma de compreender o ser humano, senão pelas ferramentas que apresenta;

         4. Repudia a ideia da culpa, alegando ser a culpa uma espécie de patologia religiosa;

         5. É essencialmente evolucionista (darwinista).

 

Reconhecemos os avanços e a validade da ciência médica e da pesquisa biológica como aplicação para genuínos problemas orgânicos. Entretanto, há preocupação quando a psicologia secular retira qualquer outra possibilidade de atender aos dilemas morais de qualquer outra fonte que não seja ela mesma.

 

Todos estes aspectos ditatoriais da psicologia não deveriam surpreender ninguém que esteja lendo ou estudando sobre o assunto. O que me surpreende é o rápido avanço da psicologia secular, a moldar toda uma cosmovisão de cristãos que se deixaram seduzir pelo sistema filosófico da psicologia.

 

E é disto que se trata este artigo. Observar o avanço da cosmovisão psicológica secular em detrimento do que as Escrituras Sagradas ensinam.

 

Segundo uma ordem cronológica mais adequada, penso que, em primeiro lugar, o que aconteceu foi um empobrecimento ou esquecimento da riqueza, do poder e da sublimidade da revelação especial, que é a Palavra de Deus. E, uma vez que a Palavra de Deus foi sendo relegada, o terreno estava, não apenas preparado, mas abandonado, a espera do preenchimento de algo.

 

Quando vejo a multiplicação de cursos preparatórios para futuros conselheiros nas igrejas, usando essencialmente psicologia secular ou mesmo usando a psicanálise, prometendo e apresentando as ferramentas adequadas para ler o coração do homem e encontrar respostas para seus dilemas morais, deveríamos perguntar: então, qual a validade da Palavra de Deus? Será ela ainda suficiente ao homem pós-moderno?

 

Veja que nosso maior problema não é a ampliação da psicologia secular na igreja, mas um abandono lento e sistemático da Palavra de Deus. Entendo que o avanço da cosmovisão psicológica é um sintoma e não a causa.

 

Sendo assim, como deve ser usada a Escritura Sagrada no aconselhamento? Em primeiro lugar, o cristão conselheiro deve compreender claramente a Palavra de Deus, sua veracidade, seu poder, sua autoridade e sua aplicabilidade. Deve saber que de fato e de verdade, a revelação especial de Deus é suficiente. Ele deve amar a Palavra de Deus. O conselheiro deve, antes de qualquer outra pessoa, ser corrigido, confrontado, consolado, instruído e desafiado pela Palavra de Deus como sua experiência pessoal. Ele deve saber pessoalmente que há um caminho sobremodo excelente pela Palavra. Ele deve ser confrontado pela Palavra. Sua consciência deve ser confrontada com a Palavra. O conselheiro cristão deve saber que a Palavra de Deus é a única ferramenta capaz de “discernir os pensamentos e os propósitos do coração”(Hebreus 4.12).

 

O conselheiro deve ter a experiência cristã, produzida pelo Espírito de Deus, de ser consolado pela Palavra de Deus em tempos de aflição, quando estiver se sentindo solitário, quando estiver com dúvidas cruciais na vida, quando os dilemas morais aparecerem, quando for tentado a abandonar o amor a Deus e quando for tentado a amar a si mais do que a Deus.

 

O conselheiro cristão deve saber usar a Palavra de Deus para si antes de usá-la para outros. Deve aprender sobre a história da Palavra de Deus, como ela foi preservada ao longo de todos estes séculos “para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo... (Confissão de fé de Westminster, I. 1.)"

 

O conselheiro cristão deve ter tido a experiência de ser transformado pela Escritura Sagrada e de estar sendo moldado, segundo “a mente de Cristo” (1 Coríntios 2.16). Deve também ser treinado na arte de submeter a mente e o coração, ou seja, submeter a vontade, as faculdades à Palavra de Deus. Deve fazer uso das Escrituras Sagradas para ler corretamente o mundo e o homem em seus caminhos.

 

Deve aprender com o salmista a exclusividade do coração, referente a Palavra de Deus e poder dizer “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (Salmo 119.97.

 

Se a grande questão é usar ferramentas para ler, interpretar e compreender adequadamente os dilemas do ser humano, que o conselheiro cristão seja de fato fascinado pela perfeita Palavra de Deus e use-a para aproximar-se de Deus e, depois, saberá o caminho para dizer e ajudar outros a seguirem pelo mesmo caminho.

Jean Carlos Serra Freitas

Reações:

1 comentários:

Nilo da Sonia Sonia do Nilo disse...

Muito bom e edificante material.
Parabéns!!!

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