sábado, 5 de maio de 2012

Quem ama educa... com Bíblia!

Educar sem Bíblia é bons modos, não educação. Se quisermos demonstrar amor aos nossos filhos, não será enchendo-os de presentes, mas ensinando-os a encherem-se do Espírito, no qual não há dissolução (Ef. 5.18. Aproveite para fazer a conexão entre este texto e o de Tt 1.6, pois lá são acusados de “dissolução” os filhos mal educados).

 

Um outro aviso inicial é importante: bater pura e simplesmente, por qualquer motivo, sem acompanhamento bíblico e paciente instrução, é agressão, não disciplina bíblica.

 

Disciplinar é bater? Sim e não.

 

Primeiro, vamos começar corrigindo a motivação principal para criar filhos, pois “o objetivo supremo que você deve buscar para os seus filhos é o mesmo que o apóstolo Paulo tinha para os filhos dele na fé – que fossem conformados (gradativamente transformados) à imagem de Cristo” (Lou Priolo, O caminho para seu filho andar, pág. 19). Este princípio está alicerçado no que Paulo escreveu aos gálatas: “Meus filhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gl. 4.19).

 

Segundo, que bater sem explicações e exortações bíblicas é recebido como ato de injustiça. Pense em si, por um momento: como reagiria se um policial o parasse na estrada e então o levasse para a cadeia sem falar nada? Somente dizer que você está errado não adianta, afinal, se foi para a cadeia, certo não está não é? Não? Você quer justiça? Quer saber o motivo da prisão? Pois é, a criança não vai entender “automaticamente” que está errada só porque apanhou, assim como você, que nem sempre presume que porque alguém foi preso está compulsoriamente errado.

 

Terceiro, cabe aos pais ensinar aos filhos como reagir corretamente à disciplina. Eles não reagem naturalmente à disciplina, e Deus bem o sabe. No momento ela não parece uma demonstração de amor (Hb 12.11). Ensine seu filho a não ignorar ou desprezar a disciplina. Ensine-o a atentar (Pv 1.23) e a acolher a disciplina (Pv 13.18). Mas se seu filho faz pouco caso quando disciplinado verbalmente, ou sai enquanto você ainda fala com ele, então o ensine que é preciso escutar a repreensão (Pv 15.31). Lembre-se sempre que a vara não é toda a disciplina, mas um instrumento de ajuda.

 

Quarto, entenda o raciocínio por traz da vara (correção física). Este raciocínio começa com o problema básico de seu filho. Ele não é um anjo que caiu do céu. Ele é a sua imagem e semelhança, e por isso, pecador desde o ventre (Gn. 5.1; Sl 51.5). “Existem coisas, dentro do coração do mais doce bebezinho, que, ao permitir-se brotar e crescer à plenitude, acarretam sua eventual destruição” (Tedd Tripp, Pastoreando o Coração da Criança, pág. 121). Há questões envolvendo a educação infantil em que a conversa, tão somente, não supre, e é neste contexto que a vara funciona.

 

Qual é a função da vara? Se você quiser dar sabedoria ao seu filho, usará a vara, pois “a vara e a disciplina são sabedoria...” (Pv 29.15). Não usar a vara equivale a deixar a criança entregue a si, o que, em outras palavras é desejar que sua estultícia se desenvolva e tome conta do seu caráter, tornando-se em grande vergonha para seus pais no futuro. Em resumo: com objetivo de dar sabedoria, a vara “fornece uma demonstração táctil imediata da insensatez produzida pela rebelião. Propriamente administrada, a disciplina torna humilde o coração da criança, deixando-a sujeita à instrução dos pais. Cria-se uma atmosfera em que a instrução pode ser dada. A surra torna a criança complacente e pronta a receber palavras de vida” (Tedd Tripp, Pastoreando o Coração da Criança, pág. 123). Deus ordenou o uso da vara na disciplina, mas esta não é a única medida, embora precisemos utilizar este recurso.

 

O que é a vara? Tedd Tripp faz um excelente resumo do que o uso da vara por parte dos pais representa:

1.    Um ato de Fé. Deus ordenou seu uso e a obediência dos pais aponta para uma profunda expressão de confiança na sabedoria de Deus e não na sabedoria deste mundo.

2.    Um ato de Fidelidade. A Deus e a à criança. À Deus porque, embora sem ira ou raiva, o pai administra a vara em obediência a Deus. À criança porque esta é uma expressão de amor e compromisso. O que a criança vê em seus olhos quando você bate nelas? Lágrimas ou ira? Por amor derramamos lágrimas porque almejamos bem maior para nossos queridos.

3.    Uma responsabilidade. Pai e mãe não decidem a hora de bater, Deus sim! Quando um pecado precisa ser punido, a vara tem seu lugar. Quando usam a vara, os pais atuam como representantes de Deus, assumindo o seu chamado como pais.

4.    Uma punição física. “A vara é o uso cuidadoso, oportuno e controlado da punição física”, nunca deve ser uma forma de extravasar e externar a ira ou a frustração dos pais. Por não causar prazer é um antegosto do resultado final de uma atitude que pode trazer mais sofrimentos do que algumas palmadas podem proporcionar.

5.    Uma missão de resgate. “A criança que precisa de uma surra tornou-se distante de seus pais pela desobediência”, e a correção desta insensatez aproxima. Sabemos que a opinião dos “especialistas” caminha da direção contrária. Mas não é assim que Deus nos aproxima dele, corrigindo-nos?

 

A vara não funcionará se for usada de modo inconsistente, inconstante, ou como forma de expressar os sentimentos pecaminosos dos pais, como frustração e ira. Mas é um santo remédio para que os filhos cresçam obedientes, amáveis e educados.

Jônatas Abdias

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