terça-feira, 30 de outubro de 2012

Tu me amas?

coraçãoNão são poucas as vezes que nos enganamos acerca do nosso estado espiritual. Esquecendo-nos de que somos pecadores, ainda que redimidos, acabamos pensando de nós mesmos além do que convém e mesmo confessando que somos salvos pela graça depositamos nossa esperança naquilo que fazemos.

Prova disso é a maneira como muitos reagem quando ficam sabendo que alguém que era reputado por um “bom crente” caiu em pecado. Expressões como “não acredito que fulano foi capaz de fazer isso” na realidade dizem o seguinte: “eu nunca seria capaz de fazer algo assim”.

Antes que você afirme que nunca confiou em sua própria justiça, deixe-me demonstrar que esse não é um problema somente nosso.

Em seu ministério, bem perto de ser traído por Judas, Jesus afirmou aos discípulos que todos eles o abandonariam, ao que depressa respondeu Pedro: “Ainda que todos o abandonem, eu nunca te abandonarei!” (Mt 26.33 – NVI). O que Pedro estava afirmando era que o seu amor pelo Senhor era bem maior que o de seus companheiros e, por isso, sua reação seria diferente da dos demais. Jesus então afirmou que ainda naquela noite, antes que o galo cantasse, Pedro, de fato, o negaria e não somente uma, mas por três vezes. É claro que Pedro não acreditou e replicou: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei” e, agora, diante de tamanha intrepidez, os outros discípulos também dizem o mesmo (Mt 26.34,35 – NVI).

Após isso Jesus vai ao Getsêmani a fim de orar com seus discípulos e é ali naquele lugar que Judas entrega o Senhor aos soldados, traindo-o com um beijo. Ele é levado perante o Sinédrio e, enquanto era humilhado e condenado à morte, do lado de fora, no pátio, está Pedro assentado quando uma criada o vê e afirma que ele estava com Jesus. Ele nega. Ele ainda negou mais duas vezes e, ao fim da terceira negação, cantou o galo, fazendo com que Pedro se lembrasse das palavras do mestre (Cf. Mt 26.36-75).

Jesus estava certo! Apesar da declaração enfática de Pedro de que nunca abandonaria o Senhor, ao ter a sua vida em risco ele demonstrou que amava mais sua própria vida que aquele que veio para dar a vida eterna. Isso o leva a pecar.

É verdade que o primeiro mandamento ordena: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3), mas é igualmente verdadeiro que não cumprimos isso de forma absoluta e a todo tempo e é por isso que pecamos. Pecamos porque amamos mais a nossa alegria que o Senhor, porque amamos mais o nosso conforto que o Senhor, porque estamos mais interessados em nossos planos que nos do Senhor, porque estamos mais envolvidos como o nosso reino que com o Reino de Deus.

O cristianismo consiste justamente em deixarmos de lado a nossa própria vida para fazer a vontade do Senhor. Foi isso que Jesus ensinou ao afirmar: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24).

A boa notícia é que, em Cristo, e somente por meio dele, cumprimos de forma perfeita o mandamento de amar ao Senhor de todo o nosso coração, alma e entendimento. A obediência completa e perfeita de Jesus a seu Pai é atribuída a todo aquele que nele crê, por isso, nele, somos salvos.

Por ter Cristo amado a seu Pai sobre todas as coisas e cumprido toda a sua vontade, morrendo na cruz maldita em lugar dos seus, ele pode perdoar nossos pecados.

Ele fez isso com Pedro, ainda que tenha lembrado ao apóstolo que ele não amava tanto a Cristo como dizia. Você já reparou no detalhe da primeira pergunta feita por Jesus, no momento da restauração de Pedro?: “Simão, filho de João, você me ama mais do que estes?” (Jo 21.15 – NVI).

Fuja da tentação de achar que sua salvação e caminhada cristã dependem primariamente do seu amor por Cristo. Graças a Deus não dependem, pois estaríamos todos condenados, visto não termos condições de amá-lo a todo o tempo com inteireza de coração.

O amor a Deus é mesmo ordenado, mas ele é consequência e não causa da salvação. Como afirmou o apóstolo João: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10).

Em vez de se orgulhar por seu amor a Cristo, louve a Deus por tê-lo amado, sendo você ainda um pecador (cf. Rm 5.8) e, bem consciente disso, lute, com o auxílio do Espírito Santo, para viver de modo digno do Evangelho de Cristo Jesus (cf. Fp 1.27).

Milton Jr.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Perdão - uma questão de obediência

forgivenessUm dos maiores desafios na vida cristã é o exercício do perdão, e um fato que comprova essa tese está registrado no Evangelho segundo escreveu Lucas. No capítulo 17.3-10 o Senhor ensinou aos discípulos que se um irmão pecasse contra eles deveria ser repreendido e, havendo arrependimento, deveria ser perdoado. Ensinou ainda que, se durante sete vezes no dia o irmão pecasse e voltasse arrependido, deveria ser perdoado.

 

Diante de um ensino tão difícil de ser colocado em prática, os discípulos pedem ao Senhor: Aumenta-nos a fé!

 

É importante perceber que o Senhor Jesus não diz em momento algum que faria isso acontecer, mas lhes conta uma parábola sobre um senhor e seu servo. Jesus começa perguntando se, tendo um servo, os discípulos deixariam que ele, ao chegar cansado do trabalho na lavoura ou com o gado, se assentasse para comer antes de lhes servir. O mestre pergunta ainda se o senhor teria de agradecer ao servo porque havia feito o que lhe foi ordenado.

 

A resposta era lógica! Os discípulos tinham plena consciência de que o senhor poderia fazer quaisquer exigências ao servo, que, mesmo cansado, deveria efetuar o trabalho sem esperar qualquer recompensa por isso. Fica fácil perceber esse ponto no desfecho da parábola: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17.10).

 

Diante do exposto, entendemos que, com essa parábola, o Senhor estava ensinando aos discípulos que eles deveriam ser obedientes ao seu ensino sobre o perdão porque ele estava ordenando. Se é verdade que o servo deveria obedecer ao senhor, muito mais os discípulos a Jesus. Aprendemos então que perdoar não é questão de ter uma fé grandiosa, mas de atender à ordem do nosso Senhor. Aqueles que obedecem podem orar como ele ensinou: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (Mt 6.12), atentando às suas palavras após o ensino dessa oração: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.14,15).

 

Resta ainda uma questão: E se a pessoa não se arrepende ao ser repreendida? Devemos perdoá-la? Jesus ensina em Mateus 18.15-20 que se um irmão peca contra nós devemos ir até ele e argüi-lo e, se ele nos ouvir, está resolvido o problema. Se não ouvir, devemos chamar testemunhas e procurá-lo novamente; depois a igreja, e, se não ouvir também a igreja, aí o processo é de disciplina: ele deve ser considerado gentio e publicano.

 

Uma coisa é certa: seja o irmão nos procurando arrependido ou sejamos nós a procurá-lo para que se arrependa, o perdão é uma obrigação, para que andemos como ordena Paulo: “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18).

Milton Jr.

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