terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Três lembretes para o Ano Novo

Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer. Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.” / “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou. Nesses novos dias as alegrias serão de todos, é só querer. Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou.”

Estamos chegando ao final do ano e em breve começaremos a contagem de mais 365 dias de um novo ano e os trechos das músicas acima revelam o que muitas pessoas em nossa pátria desejam para 2016, mas, infelizmente, sem uma consciência correta sobre Deus, a maioria dessas pessoas coloca nesses desejos a perspectiva de um ano bom.

Como cristãos, também fazemos planos, temos desejos e esperamos várias coisas boas neste ano que se inicia, contudo, não podemos deixar de observar o que ensina a Palavra de Deus. Tenha, então, em mente esses três “lembretes” contidos nos primeiros versículos de Provérbios 16:

1. Planeje, mas sem esquecer que o Senhor é quem dirige sua vida

“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (16.1).

Temos aqui uma grande verdade: Deus é quem de fato dirige o nosso viver.

Perceba que o texto fala sobre o coração do homem. A Bíblia ensina que somos controlados pelo nosso coração (Mt 6.21). É dele que procedem as fontes da vida (Pv 4.23). Todos os nossos planos e projetos, conforme o texto, partem, então, dos desejos do nosso coração.

O texto não desestimula o planejamento e ele deve mesmo acontecer. A grande questão aqui é que planejamos sabendo que do Senhor é a resposta certa dos lábios. Geralmente, quando a segunda parte desse texto é citada, é da seguinte forma: “a resposta certa vem dos lábios do Senhor”, mas o sentido do texto é outro. Com “a resposta certa dos lábios vem do Senhor” o escritor quer afirmar que é o Senhor é quem capacita o homem para realizar alguma coisa.

Isso quer dizer que só conseguiremos cumprir aquilo que está de acordo com os propósitos do Senhor em nossa vida. Alguns poderiam questionar esta afirmação e dizer: “Mas, se fosse assim, só nos ocorreriam coisas boas. O Senhor não nos capacitaria para fazer o que é errado.” Engana-se quem pensa desta maneira.

Deus nos capacita a realizar até aquilo que é contrário à sua vontade revelada a fim de que, com o coração exposto pelas circunstâncias, sejamos tratados por ele e nos tornemos semelhantes a seu Filho. O Senhor é Soberano e dirige nossa vida a cada momento.

É por isso mesmo que devemos estar atentos ao segundo lembrete:

2. Esteja atento às suas motivações

“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito” (16.2).

Nesse versículo somos advertidos de que, para o Senhor, a “motivação” é importante.

O texto é claro: para o homem, tudo o que ele planeja está correto. Todos os caminhos a que ele se propõe a seguir são puros. Porém, a segunda parte do verso começa com um eloquente “mas...”. É como se o escritor estivesse dizendo: “a despeito do que pense o homem acerca daquilo que ele propõe”, o Senhor pesa o espírito.

Temos aqui duas palavras importantes: “Pesar”, que significa considerar ou examinar, e “espírito”, que diz respeito à disposição do coração (motivação).

Isso quer dizer que o Senhor sempre considerará o que nos leva a agir de determinada forma, ou planejar qualquer coisa que seja e não simplesmente” o planejamento em si. Sabendo que o Senhor examina as intenções daquilo que fazemos, devemos estar também atentos ao que nos leva a planejar.

Já vimos que os desejos procedem do nosso coração e sabemos pela Bíblia que o nosso coração, muitas vezes, nos engana, mas por meio da Palavra de Deus temos condições de avaliar aquilo que intentamos fazer no ano que se inicia (Hb 4.12).

Pelo menos duas perguntas são importantes aqui e devemos considerá-las: 1) Por que quero fazer (motivo)? 2) Qual o meu alvo com isso (resultado)?

Se respondermos a essas perguntas tendo em mente o que Paulo ensinou aos Coríntios: “Quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31), podemos aferir as nossas motivações e, a partir daí, nos esforçar para realizar tudo aquilo a que estamos nos propondo ou abandonar o plano caso isso não glorifique ao Senhor.

3. Confie no cuidado do Senhor

“Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos” (16.3).

O verso 3 nos traz o último lembrete. Ao iniciar um novo ano, devemos reafirmar nossa convicção de que confiamos no cuidado do Senhor. Creio firmemente que a ideia de confiar ao Senhor as obras para ter os desígnios estabelecidos, ensinada aqui por Salomão, é a mesma ensinada por Jesus: “Vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15.16), e que é repetida por João: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14).

Aqueles que conhecem o Senhor e procuram viver de acordo com a sua Palavra são moldados pelo próprio Senhor e aprendem a pedir em conformidade com sua vontade. Sendo assim, quando confiamos ao Senhor nossas obras e estas estão em conformidade com as Escrituras, ele as estabelece.

Ao planejar o ano de 2016, lembre-se de confiar no cuidado daquele que tem dirigido nossas vidas. A nossa confiança deve ser a tal ponto que, mesmo que as coisas pareçam ir mal, consigamos descansar no Senhor.

Que o Senhor abençoe sua vida neste novo ano e que ele mesmo estabeleça aquilo que você tem planejado, caso sua motivação seja a correta: a glória e a honra daquele que nos salvou.

Milton Jr.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Resoluções de ano novo




Sei que todo fim de ano, especialmente quanto ao dia 31 de dezembro, ponderamos sobre o que não aconteceu no ano em curso e projetamos para o ano seguinte nossas aspirações. Normalmente tais aspirações contemplam comprar algo, fazer algum curso, perder alguns quilos, pintar a casa, começar uma prática esportiva, etc. Penso que isso deve acontecer e nossos passos devem ser muito bem planejados.

Além das aspirações secundárias que descrevi acima, deveríamos pensar também sobre o que é essencial para a vida cristã. Poderíamos pensar em apresentar resoluções para uma vida cristã mais autenticamente bíblica. Proponho algumas resoluções tanto para mim mesmo quanto para aqueles que lerão este texto.

Uma pequena consideração sobre estas resoluções. Elas não têm prazo de validade de um ano. São decisões que podem seguir a vida toda.

Resoluções para uma vida cristã mais autenticamente bíblica.

1 – Ler a Palavra de Deus todos os dias. Versículos, textos mais curtos, ou mesmo livros inteiros da Palavra de Deus. Como disse o salmista: quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia. (Salmo 119.97).

2 – Buscar a face de Deus em oração. Investir tempo em oração a Deus.

3 – Procurar glorificar a Deus e a Cristo em todas as áreas da vida.

4 – Aprender a esperar e descansar em Deus.

5 – Aprender a trabalhar diligentemente para a glória de Deus.

6 – Rejeitar tudo o que não possa ser claramente evidenciado em toda a Palavra de Deus.

7 – Arrepender-me do pecado da maledicência.

8 – Comprometer-me a orar e interceder por cada pessoa que for alvo da minha própria maledicência.

9 – Procurar se fiel aos votos que fiz no dia em que fui recebido na igreja.

10 – Procurar desenvolver relacionamentos santos, conversas santas e ter um procedimento santo.

11 – Escolher uma família (ou mais) para orar e interceder por ela.

12 – Rejeitar todo ensino que exalte o homem.

13 – Rejeitar toda música que centralize o homem em detrimento de Cristo.

14 – Buscar conhecer melhor as doutrinas da graça.

15 – Agir com humildade diante das provações.

16 – Não ser uma pedra de tropeço, tendo uma postura bíblica no pensar, no agir e no falar.

17 – Valorizar o culto público de adoração a Deus como a principal atividade da semana e da vida.

18 – Cultuar a Deus com a minha família.

19 – Procurar boas indicações de livros para ler. O tempo é escasso e não há tempo para ler livros ruins.

20 – Falar mais de Cristo para as pessoas.

21 – Ter coragem celestial para ser íntegro e bíblico no curso da vida.

Essa lista de resoluções não é exaustiva, ou seja, será possível incluir ou melhorar cada item descrito. Por isso mesmo é uma lista que não depende de um ano para ser cumprida, mas pode ser praticada durante toda a vida.

Não deixe seu coração à mercê da agenda ímpia e secular. Tenha o firme propósito de em tudo, glorificar a Deus, segundo sua santa Palavra.

Se o leitor entender que esta lista é um bom ponto de partida, não poderá esquecer de se esforçar diligentemente para o cumprimento das resoluções, porém, sem jamais ignorar o que diz o apóstolo Paulo:

porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. (Filipenses 2.16).

Que o nosso bom Deus nos abençoe ricamente em Cristo Jesus.
Jean Carlos Serra Freitas

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Cuidado com a “piedade” impiedosa

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Se você observar atentamente o sermão do monte verá que o Senhor Jesus criticou duramente os fariseus porque davam esmolas, oravam e faziam jejum, e ordenou a seus discípulos que fossem diferentes deles. Os discípulos deveriam dar esmolas, orar e fazer jejum!

Sim, é isso mesmo que você está lendo e isso significa que a diferença entre os discípulos de Jesus e os fariseus não está, necessariamente, nas ações, mas no motivo pelo qual alguém faz o que faz. Relembre comigo. Jesus chamou os fariseus de hipócritas, pois ao fazer todas essas coisas eles não tinham como objetivo a glória de Deus, mas a glória de si mesmos. Eles queriam ser “glorificados pelos homens”, “vistos dos homens” e “parecer aos homens” (Mt 6.2,5,16). Os discípulos deveriam ter outra motivação, sua luz deveria brilhar diante dos homens para que estes, vendo suas boas obras, glorificassem o Pai que está nos céus (Mt 5.16). Por isso mesmo Jesus afirmou que não veio revogar a Lei, mas que a justiça de seus discípulos deveria exceder em muito a dos escribas e fariseus (Mt 5.20).

Diante disso, fica fácil entender por que Agostinho, sistematizando o ensino bíblico, afirmou que o homem, após a queda e sem a redenção em Cristo, é incapaz de não pecar. Suas melhores ações constituem pecado pois, em última instância, ele não as realiza para a glória de Deus, além de não ter um Mediador para interceder por ele.

Mas há mais a se pensar diante dessa realidade. A simples adequação aos preceitos da Lei não é sinal de uma vida piedosa diante de Deus. Isso fica claro quando vemos Deus rejeitando o culto de Israel em Isaías 1. A despeito de o povo oferecer sacrifícios (Is 1.11), o que era requerido pelo próprio Deus, o coração estava enfermo, longe do Senhor (Is 1.5) e, por isso, suas ofertas eram vãs (1.13). Amós, contemporâneo de Isaías, foi usado por Deus para anunciar que o povo cumpria os ritos cúlticos porque gostava e não por causa do Senhor, o que era evidenciado por seu pecado. O que os judeus ouviram, de uma forma bastante irônica, foi:

“Vão a Betel e ponham-se a pecar; vão a Gilgal e queimem ainda mais. Ofereçam seus sacrifícios cada manhã, o seu dízimo no terceiro dia. Queimem pão fermentado como oferta de gratidão e proclamem em toda parte suas ofertas voluntárias; anunciem-nas, israelitas, pois é isso que vocês gostam de fazer (Am 4.4-5).

Deus quer o nosso culto, a nossa adoração, mas, antes de tudo, quer o nosso coração. Não adianta render louvores ao Senhor estando com o coração distante dele. Essa é a atitude que foi reprovada nos fariseus (Mt 15.8).

Guardemos o nosso coração de fazer coisas certas por razões erradas. Infelizmente, muito do que tem sido ensinado no meio evangélico brasileiro não tem a ver com a glória de Deus, mas com o bem-estar dos homens. Li, certa vez, um escritor afirmando que os crentes deveriam “liberar” perdão, pois quem guarda mágoa no coração acaba por destruir a si mesmo. O problema aqui é que, quando a motivação de alguém para perdoar é “não destruir a si mesmo”, a razão é egoísta e até esse tipo de perdão é pecaminoso. O pecado é abominável não por causa das consequências em nós, mas por causa da afronta a um Deus Santo. Devemos perdoar porque fomos perdoados pelo Senhor e ele ordena que façamos o mesmo em relação ao próximo. A glória de Deus é o alvo, não o nosso bem-estar.

De igual forma, uma pessoa pode não se vingar, o que é um mandamento bíblico (Rm 12.19), e ainda assim pecar, por ter como motivação demonstrar que está acima daquele que pecou contra ela, quebrando o mandamento de não pensar de si mesma além do que convém (Rm 12.3); um pastor pode se esmerar no estudo e pecar na entrega do sermão por ter como motivação o ser bem visto em vez de edificar, exortar e consolar a igreja (1Co 14.3); pais podem se dedicar ao ensino e orientação dos filhos e ter como motivação o pecado do orgulho de ser reconhecido e glorificado pelo seu bom trabalho; enfim, podemos fazer muitas coisas biblicamente corretas e ainda assim pecar profundamente contra o nosso Deus.

Um indício de que nossas intenções ao cumprir a Lei são pecaminosas é a constante comparação com outros irmãos e o julgamento daqueles que ainda não são tão “santos” como nós.

Por tudo isso, devemos vigiar nossas intenções, pedir constantemente que o Senhor sonde o nosso coração, prove nossos pensamentos e verifique se há em nós caminho mau e nos guie pelo caminho eterno (Sl 139.23-24), a fim de que ele receba a glória devida a seu nome quando, no poder do Espírito Santo, colocamos em prática os preceitos do nosso Redentor.

Milton Jr.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Nossa eterna busca por prazer


"Nos anos de 1950, James Olds implantou eletrodos no cérebro de ratos e os conectou a estimuladores controlados por botões nas jaulas. Quando os eletrodos estavam em certas áreas do cérebro (que vieram a ser chamadas de "centro de prazer"), os ratos pressionavam os botões sem parar. Em alguns experimentos, os ratos eram capazes de cruzar cercas eletrificadas para alcançarem o botão, a fim de pressiona-lo." (Berry, R.J.E. 2012. The Lion handbook of science & Christianity. Oxford: Lion Hudson. p. 208)
De uma certa forma (ou numa certa "multiforme" 1 Pe 4.10), toda a criação manifesta o Criador (Sl 19.1), e tem semelhanças que permitem analogias, de forma que podemos apresentar o Triúno Deus numa variedade de figuras, dos quais textos como .... São só exemplos.
Em termos analógicos (de diferentes níveis), não há problemas na comparação de tais descobertas com o homem. Na verdade, já se sabe o mesmo sobre nós, mas nossa experiência comum de vida nem precisaria ir tão longe. "Quem gosta de sofrer põe o dedo aqui, que já vai fechar... " brinca a criança solitária...
Dois problemas se erguem aqui, como reflexos imprecisos de uma imagem indefinida. Fruto de séculos de uma opressão sem sentido, o Ocidente se inclinou ao hedonismo como estilo de vida. O hedonismo é a busca pelo prazer. Este é o estado de coisas moderno. No passado, inúmeros fatores, como religião e cultura, foram e tem sido um veículo de supressão do prazer, ridicularizando e reprimindo manifestações de alegria, gozo e deleite, buscando convencer contentamento em situações de grande penúria e desconforto. Então, hoje temos ou um estímulo à busca do prazer desenfreado, ou a supressão do prazer em prol do enaltecimento da razão, tida como superior.
Mas se ninguém gosta de sofrer, por um lado, mas por outro o prazer não pode ser o alvo final da vida, alguém poderia perguntar: Então, por que motivo Deus nos criou com este elemento em comum, como que com uma tendência natural, quase instintiva, para que busquemos o prazer?
Resumindo uma história que é bem longa, é porque o prazer não é pecaminoso em si mesmo. Quando Deus nos criou, colocou em nós um "centro de prazer". Deus não só queria que sentíssemos prazer, mas que Ele mesmo fosse a nossa maior e mais sublime fonte de prazer (Sl 1.2; 119.16, 47, 92; Rm 7.22). O pecado fez mudar o "centro de prazer", de Deus para as coisas criadas, algumas delas francamente pecaminosas (Is 24.11; 1 Tm 5.6; 2 Tm 3.4; Tt 3.3; Hb 11.25). Ainda usando a comparação com o experimento dos ratos, Deus colocou botões naturais, que nos levariam à Pessoa e Lei dele; mas o pecado artificial e intrusivamente colocou eletrodos em nós, desviando os benditos padrões naturais. O resultado não é que o pecado causou novos prazeres, mas apresentou novos "botões"...
Eu sei que a ciência sempre usa seus ratinhos para buscar comparações e apresentar descobertas sobre o comportamento e funcionamento dos seres humanos. Mas ao ler o trecho acima, foi inevitável pensar em como as semelhanças são gritantes nesse caso. Ainda que sejamos a mais sublime das criações de Deus por portarmos sua semelhança, fico estarrecido ao ver o quanto o pecado nos faz assemelhar com os seres do nível mais baixo da escala... Por conta do pecado, como ratos consumidos pelo desejo de sentir prazer, nós somos ávidos na busca de gratificação. E como eles, estamos dispostos ao sofrimento, para alcançar o alívio dele, e prazer final. Curioso, não? Agora pense se, como no caso do experimento, tivéssemos à nossa disposição e sob nosso conhecimento, o acesso ao botão de nosso prazer? A que você estaria disposto para apertá-lo? Os ratos provaram seus limites...
Deus não quer que paremos de buscar prazer. Ele mandou seu único filho para que nosso prazer retornasse ao centro correto, pois este é o fim principal do homem, qual seja, viver para a glória de Deus e prazer nele. Jesus restaura esse objetivo, e se torna, ele mesmo, a fonte de nosso prazer.  

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Contentamento em Deus – uma busca constante

Tulips

Sei que em nossos dias muitos persistem na equivocada ideia de que doutrina atrapalha, engessa o coração. Nada é tão destrutivo a longo prazo quanto continuar seguindo esse pensamento.

Sempre que ouço tal coisa, imediatamente sou impulsionado a pensar em como aqueles que assim pensam, procedem na vida. Como encaram as dificuldades naturais do dia a dia? Como enfrentam as tempestades e os dilemas da alma, as dúvidas de fé? Os que pensam assim são presas fáceis para os falsos mestres e para Satanás.

Diante dos múltiplos problemas desta vida, muitos cristãos parecem viver como se a vida se resumisse tão somente ao nosso tempo, aqui e agora. Porém, o apóstolo Paulo instrui de forma diferente:

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. (1 Coríntios 15.19).

A grande doutrina bíblica do contentamento em Deus é a nossa resposta aos anseios inquietantes da alma.

O contentamento em Deus não é algo estático, mas constante e progressivo. Contentar-se em Deus significa ter nele todo o prazer e regozijo. É firmar o coração, ou seja, os desejos e as vontades exclusivamente em Deus. Contentamento em Deus é quando todas as faculdades se inclinam para buscar agradá-lo. Há descanso da alma em saber que Deus foi honrado e glorificado nas decisões da vida. Contentamento em Deus aquieta o coração e faz emudecer a incredulidade e rebeldia, mesmo em meio a mais dura provação. Vejam o que a Palavra de Deus fala sobre prazer ou satisfação:

Salmo 119: 16 - Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.

35 - Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo.

50 - O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica.

174 - Suspiro, SENHOR, por tua salvação; a tua lei é todo o meu prazer.

É maravilhoso ver o cuidado de Deus declarado em sua Palavra.

Sei que há muitos cristãos enfrentando profunda tristeza por várias razões. Tentarei listar algumas dessas razões aqui: mágoas por causa de terríveis experiências do passado; insatisfação com a atual situação de vida; ira; ódio; rancor; inveja; esfriamento espiritual; cansaço em razão de lutas intensas durante toda a vida; problemas conjugais; problemas de relacionamento com filhos, parentes, amigos, irmãos em Cristo... enfim, a lista parece interminável.

Como vimos nos versículos do Salmo 119, e poderíamos ver em outros textos da Palavra de Deus, nosso prazer ou nosso contentamento, deve estar em Deus e sua Palavra. Afinal, é a Palavra de Deus que nos revela quão grande e amoroso é o nosso Deus.

No livro do profeta Ezequiel, Deus faz uma declaração inquietante contra Israel que pode ser também uma declaração contra a presente geração: Quão fraco é o teu coração, diz o SENHOR Deus, ... (Ezequiel 16. 30 a).

Esta é uma das mais tristes declarações de Deus contra Israel. Esta é uma triste constatação atual. Quão fraco tem sido o nosso coração! Temos sido fracos em buscar com todas as nossas forças o contentamento em Deus. Sim, nossa geração tem falhado muito neste aspecto em particular. Nossa geração parece ter sido envenenada por um falso evangelho que prometeu satisfação em coisas e pessoas. O falso evangelho mimou a nossa geração que não quer aprender o que é padecer por amor a Cristo e ainda assim, ter nele todo o contentamento.

Curiosamente, a igreja ainda canta um cântico sobre parte do que temos tratado aqui, porém, quando Deus resolve fazer o que canta a igreja, os cristãos, via de regra, começam a reclamar contra Deus e contra os seus métodos usados para o aperfeiçoamento do cristão. O cântico diz: ...quebra minha vida, / e faça de novo, / eu quero ser, / eu quero ser senhor, um vazo novo.

Quando Deus decide “quebrar o vazo”, ou seja, quando Deus decide moldar seus servos à imagem e semelhança de Jesus, nossa geração que não compreende a ação de Deus, começa a murmurar, surgindo daí a insatisfação e o descontentamento com o andar das coisas.

Conclusão:

Como poderíamos lidar melhor com as expectativas não correspondidas? Como poderíamos treinar nosso coração a ser mais rápido em contentar-se em Deus? Vejamos:

Primeiro: Lembre-se que Deus jamais perdeu o controle sobre qualquer fato ocorrido. Em outras palavras, lembre-se sempre que Deus continua no controle absoluto de todas as coisas, de todos os fatos da vida. Deus continua sendo o soberano Deus. Deus continua assentado em um alto e sublime trono (Isaías 6. 1). O fato de lembrarmos que Deus continua no controle exercendo sua vontade soberana aquietará o coração do cristão. Lembre-se do que disse o salmista: Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. (Salmo 131. 2)

Segundo: Reconheça que Deus tem um santo propósito para absolutamente tudo, mesmo que não consigamos entender todos os seus desdobramentos. Não há nada aleatório neste mundo. Como declara o hino antigo: “acasos para mim não haverá”.

Provérbios 3. 6: Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Terceiro: Contentamento deve ser aprendido e deve ser exercitado. Muitos acham que, por encontrarem contentamento em Deus em algum momento, não precisarão fazer nenhum esforço. Os que nasceram de novo se esforçam para agradar a Deus em tudo o que fazem. A mente deve ser treinada a pensar biblicamente. O coração deve ser treinado a sentir biblicamente.

Provérbios 2. 1-6:1: Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, 2 para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento, 3 e, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, 4 se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, 5 então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus. 6 Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.

Salmo 27. 4: Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo.

Quarto: Render o coração à autoridade de Deus e de sua Palavra como suficiente.

2 Timóteo 3. 16, 17: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

Ao longo da vida corremos o risco de acumular sujeiras no coração. Pecados não confessados, ira, ódio, amargura, autoestima, experiências dolorosas, doutrina errada... enfim, tudo isso precisa ser levado diante do trono da graça de Deus. O Senhor que conhece nossa fragilidade de caráter, fará, segundo seu propósito, todas as coisas cooperarem para o nosso bem, afim de sermos moldados segundo a imagem do seu filho.

Filipenses 1. 6: Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

Que maravilhoso conforto é saber que Deus trabalha em nós para encontrarmos nele todo contentamento celestial.

Jean Carlos Serra Freitas

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Restabelecendo a comunhão com o irmão

perdao-o-que-e

“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6.12). Essa é uma das petições da oração que o Senhor Jesus ensinou a seus discípulos e nos mostra o quão importante é atentar ao que oramos. Pedimos que o Senhor nos perdoe como temos perdoado! Se você é um leitor atento, vai lembrar que após encerrar a oração o Senhor fez um adendo: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.14-15).

Isso aponta para uma verdade incontestável: o perdão é um imperativo! A Escritura não dá a mínima margem para que exista a falta de perdão. Não poderia ser diferente, pois somos chamados para ser povo do Senhor, corpo de Cristo e, como corpo, precisamos dar suporte uns aos outros e “preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.3).

Infelizmente muitos cristãos têm uma ideia equivocada sobre o perdão e, quando “perdoam”, o fazem segundo o seu próprio entendimento. É preciso, entender o que as Escrituras falam acerca do perdão.

Não espere sentir vontade para perdoar

Muitos colocam o perdão no nível do sentimento. “Mas eu ainda não senti no coração a vontade de perdoar...”, dizem. Jesus não disse que a condição para o perdão seria “sentir no coração”, mas o reconhecimento da falta por parte daquele que pecou contra nós.

Em uma ocasião ele ensinou aos discípulos que se um irmão pecasse contra eles sete vezes num mesmo dia e viesse arrependido, deveria ser perdoado. Diante disso os apóstolos pediram para que ele aumentasse sua fé, mas em vez de ouvir que, de fato, era preciso ter uma grande fé para agir assim, ouviram a parábola do servo inútil cujo ensino é que devemos fazer o que nos foi ordenado. Em outras palavras, eles não precisavam de mais fé, precisavam ser obedientes ao Senhor que ordenou o perdão (Lc 17.3-10). Mudando o que deve ser mudado, para perdoar não é preciso “sentir vontade no coração”, mas ter um coração obediente e submisso ao Senhor. Costumo brincar dizendo que sentir no coração é caso de cardiologista, não de fé.

Não esqueça que você já foi perdoado por uma ofensa maior

A parábola do credor incompassivo ensina sobre isso (Mt 18.23-35). Um homem devia cem denários. Um denário era o salário de um dia de serviço, ou seja, ele devia o equivalente a cem dias de serviço, uma dívida que certamente poderia ser paga. Entretanto, quanto encontrou o seu credor e pediu paciência a fim de que pudesse pagar toda a dívida não encontrou misericórdia. Seu credor o lançou na prisão até que saldasse a dívida.

Ao ver essa história, alguns homens procuraram o patrão daquele credor que ficou enfurecido. A razão? Esse credor já estivera no papel de devedor. Ele devia a seu patrão dez mil talentos, uma dívida impagável, mas pediu paciência a seu senhor a fim de pagar a dívida e recebeu dele misericórdia, ao ser perdoado daquilo que ele devia. Só para entendermos, um talento era o equivalente a seis mil denários. Dez mil talentos, portanto, equivalia a sessenta milhões de denários. Faça as contas! Enquanto um homem devia o equivalente a 3 meses e 10 dias de serviço o outro devia o equivalente a 164.384 anos de serviço. Tá bom, vamos ajudar esse homem, consideremos que seu salário fosse de 100 denários por dia. Ainda assim sua dívida continuaria alta, equivalente a 1.644 anos.

Dá para entender claramente o ponto de Jesus. A razão de esse senhor ficar irado foi ver que aquele que havia sido perdoado de tão grande dívida não tratou com igual misericórdia aquele que lhe devia tão pouco. Diante de uma situação onde temos de perdoar, devemos lembrar da cruz, que mostra quão grande era a nossa dívida. Diante da nossa ofensa a Deus, perdoada em Cristo, qualquer ofensa que soframos, por maior que seja, é mínima.

Não esqueça de que somos falhos

Vivemos em uma comunidade de pecadores remidos. Até que o Senhor extirpe totalmente o pecado de nossas vidas, no dia final, pecaremos uns contra os outros. A falta de perdão pode revelar que esquecemos dessa verdade, de duas formas.

Primeiro quando temos expectativas muito altas acerca de nós mesmos. A forma como encaramos o pecado alheio demonstra o que pensamos sobre nós. A história do fariseu que orou no templo junto com o publicano exemplifica isso. Ele orava de si para si mesmo dizendo: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano” (Lc 18.11). Ao não perdoar, muitos estão, sem dizer, afirmando que nunca cometeriam pecado como aquele da qual foram alvo.

Segundo quando temos expectativas muito altas sobre o outro. Quando dizemos coisas do tipo: “eu esperava isso de qualquer um, menos de você”, declaramos que esperamos do nosso irmão uma perfeição que não é possível para ele. Nos frustramos com uma falsa expectativa e acabamos não perdoando aquele que “nos decepcionou”.

Não coloque condições para o perdão

É claro que estou tratando de condições além daquela estabelecida pelo Senhor, que é o arrependimento. Isso é também algo que acontece, não poucas vezes, e eu chamo de “perdão desde que...”. “Eu perdoo, desde que não precise mais me relacionar com você, cada um no seu canto”, ou então, “eu perdoo, mas você tem que prometer que nunca mais fará isso...”.

Imagine se Deus nos tratasse de igual forma? Agora lembre-se de que você muitas vezes ora pedindo isso, “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6.12). Já imaginou se Deus dissesse, “eu perdoo, mas você nem precisa orar mais, pois não falo mais com você”, ou, “eu perdoo, mas que seja esta a última vez que você peca contra mim”.

O perdão deve restaurar o relacionamento, unir aqueles a quem o pecado separou. Devemos perdoar da mesma forma que somos perdoados pelo Senhor, como foi demonstrado por Jesus na parábola do credor incompassivo. É isso que ele espera de nós.

Ao sofrer com o pecado de terceiros, tome atitudes bíblicas, para a glória do Senhor, restauração do faltoso e restabelecimento da comunhão.

Milton Jr.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Confissão e as coisas que crescem melhor nas trevas

Deus criou magnificamente tudo o que existe. A manifestação de sua glória como Criador, exibida onipotentemente na beleza que enche nossos olhos quando contemplamos paisagens naturais é sempre de tirar o fôlego. Os prados, os campos, a composição de uma bela paisagem com o céu ao fundo, regado pela luz quente do sol, dando brilho e vida às cores minuciosamente distribuídas são sempre uma visão que causa grande deleite aos olhos e prazer à alma. Tudo isso é sempre melhor e claramente visto debaixo da luz. 136518_Papel-de-Parede-Paisagem-Campestre_1440x900

A Bíblia diz que em Deus não há treva alguma (1 Jo 1.5), e como a criação reflete o Criador (Sl 19.1), a figura que contrasta a luz com a escuridão é amplamente usada na Bíblia para exemplificar a nova situação do crente em relação à Deus e sua nova vida (1 Jo 1.6; 2.9,11; 1 Pe 2.9; 1 Ts 5.4; Cl 1.13; Ef 5.3; At 26.18).

É sabido também, que as plantas e flores, para se mostrarem exuberantes, precisam dentre outras coisas, fundamentalmente da luz solar. E não somente à elas, mas a nós, seres humanos, a luz solar é igualmente benéfica. A luz, e não as trevas, fornecem as condições necessárias para que as flores cresçam e apreçam belas e vistosas, e nós com saúde. É igualmente sabido que nossos olhos captam não as cores, mas o reflexo dos raios de luz nos objetos, que são interpretados pelos olhos e reconhecidos como as cores, de modo que mesmo que as coisas possuam cores vibrantes e vivas, no escuro nada se vê (Jó 12.25; Is 59.10; 1 Jo 2.11), e sua beleza continua encoberta até que um raio de luz ilumine e resplandeça nas trevas (Sl 88.12; Jo1.5). Muito poderia ser dito desta relação luz-trevas, pois a Escritura é farta em exemplos e aplicações. Mas...

Bom, mas uma frase de alguém me fez despertar para a meditação desta relação: "quando confessamos nossos pecados, trazemos para a luz esses pecados, para que sejam vistos e reconhecidos. Só o pecado cresce nas trevas..."

Tudo o que é belo, bom, agradável e desejável cresce sob luz radiante. João, que em seus escritos no novo testamento é um dos que mais explora o contraste luz-trevas, nos diz que temos a tendência de fugir da luz justamente por conta deste motivo: porque nossas obras são más (Jo 3.19), e causa vergonha que sejamos vistos sujos por nossas obras pecaminosas (Jo 3.20). Se estivéssemos orgulhosos de nossas boas obras, teríamos prazer em vê-las sendo expostas pela luz (Jo 3.20).

Nossa dificuldade, porém, em lidarmos com a confissão de pecados, vem de nossa dificuldade de enxergar a beleza que a luz traz ao caso. Explico: Confessar pecados é sempre um ato de coragem, sim, mas de grande humilhação para quem o faz. O constrangimento e o pesar são sempre motivadores que tentam nos empurrar para o buraco de onde saímos e não queremos voltar... Mas trazer à lume tanta sujeira, na confissão de pecados, é um motivo de celebração!

downloadEste é o primeiro passo para se fazer parar de crescer o pecado que vem crescendo nas trevas. Já reparou que tem coisas que só crescem no escuro (Sl 91.6)? Na sua opinião, tais coisas são mais ou menos belas do que as que crescem sob a luz? Comparados entre si, o musgo (ou o líquem) e a flor possuem a mesma beleza estética?

Jesus veio para trazer luz ao mundo (Jo 1.4), e isso significa que sem ele, sem a Luz de Deus, não seríamos capazes de ver nada com clareza. Se vemos os pecados, nossos e do nosso próximo, é porque Deus graciosamente derrama luz sobre nós. O manto das trevas encobre a beleza da criação de Deus, providenciando as condições para que coisas ruins cresçam e dominem. O mundo foi criando lindo, mas as trevas em que está mergulhado - por conta do pecado, faz dele um lugar horrível. Deus não aniquila o mundo e faz outro, mas lança luz sobre ele, para que retirada a sujeira, a beleza seja novamente vista com suas cores e formas. Assim é conosco: a vinda de Jesus foi a invasão da luz num mundo de trevas (Jo 1.5) para que a sujeira fosse arrancada, e a beleza da glória de Deus fosse novamente vista. Não aniquilamos o pecador que confessa, mas ajudamos a retirar dele a sujeira (o nome disso é santificação, uma obra do Espírito Santo operada aplicativamente no pecador confesso), para que a beleza que a luz lança, seja manifesta (Lc 1.79; Jo 1.14; 8.12).

Quando a Escritura, portanto, nos estimula a confessar nossos pecados uns aos outros (Tg 5.16), o objetivo não é simplesmente nos fazer ver melhor os erros uns dos outros e nos tornar mais concientes deles ao ponto de nos enojarmos de nossas sujeiras, mas celebrarmos a redenção que a luz traz, e sob esta luz, aguardarmos a manifestação da beleza que só esta mesma luz pode fazer brilhar (Pv 4.18; Jo 12.46; Fp1.6; Ap 22.5)

Meu convite hoje, para que você leitor, é este: pare por alguns instantes, leia com calma esses textos, e depois de respirar fundo, ore (ainda que rapidamente) para que na próxima vez que, tiver que, ou confessar ou ouvir a confissão de alguém, Deus te ajude a lidar com isso de uma forma tal que você consiga enxergar a beleza que há nisso!

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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A paciência de Deus no relacionamento cristão

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Quando pensamos na dinâmica da vida cristã, normalmente pensamos em termos de ação pessoal para os relacionamentos pessoais. Quando pensamos em uma igreja dinâmica, normalmente estamos falando de programações que atendam as diversas faixas etárias dos membros da igreja.

Penso que tais procedimentos devem acontecer e devemos pensar em como melhorar essa dinâmica sempre. Entretanto, isso jamais deveria ser encarado como um fundamento. Deveria ser encarado tão somente como uma excelente consequência de algo maior e que antecede qualquer planejamento, ou seja, o que motiva um cristão verdadeiro em qualquer área da vida é a glória de Deus.

Vejamos isso de forma mais detalhada. Pense nas mensagens motivadoras para um bom relacionamento conjugal. Pense nas oficinas para melhorar relacionamentos. Pense nos congressos de jovens, nos treinamentos de lideranças e quão agradáveis são essas programações. Nós sabemos que depois de um tempo, tudo isso se esvai e precisamos de novas programações...

Ao final de um tempo, o que se percebe é que apesar do esforço do planejamento e das metas terem funcionado relativamente bem durante um tempo, ainda assim, isso parece não ser suficiente. Ainda que planos e metas possam contribuir, não podem ser encarados como fundamento de uma relação verdadeiramente bíblica. Lembremos o que o apóstolo Paulo disse:

1 Coríntios 10.31: Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.

Absolutamente tudo que planejamos, todo nosso esforço, todas as nossas práticas, todas as nossas relações devem contemplar em primeiro lugar a glória de Deus.

Dito isso, gostaria de pensar em como o caráter de Deus pode ajudar as nossas relações com o próximo, e especificamente, pensar em como o atributo Paciência de Deus pode, efetivamente, ajudar a santificar relacionamentos.

Quando pensamos em relacionamentos conflituosos estamos olhando para um dos graves problemas da igreja. Quantos males e quanto tempo a igreja desperdiça tratando de relacionamentos conflituosos. Tanto tempo e tamanho esforço porque em algum momento cristãos deixaram de refletir a glória de Deus e seu caráter.

Em seu livro Os Atributos de Deus, A. W. Pink faz a seguinte citação:

Stephen Charnock, o puritano, define em parte a paciência de Deus assim: "É uma parte da bondade e da misericórdia divinas e, contudo, difere de ambas. Sendo Deus a maior bondade tem a maior brandura; a brandura é sempre companheira da bondade e, quanto maior a bondade, maior a brandura. Quem houve tão santo como Cristo, e tão gentil? A lentidão de Deus para a ira é um aspecto da Sua misericórdia: "... o Senhor (é) sofredor e de grande misericórdia" (Salmo 145:8; Atualizada, semelhante à versão da citação: "... o Senhor (é) tardio em irar-se e de grande clemência").[1]

Devemos proceder de tal forma que nossos relacionamentos e a forma como os conduzimos reflitam a glória de Deus. Quão bem faríamos se fossemos mais pacientes e menos afoitos. Mais pacientes e menos apressados em criticar ou julgar o outro. Mais pacientes até mesmo para orientar os desavisados e desviados. É bom lembrar que a paciência não é aval para a continuidade do pecado. Definitivamente não podemos confundir tolerância com o pecado com o atributo paciência. Paciência contempla, pedagogicamente, arrependimento e santidade, enquanto a tolerância ignora o pecado e despreza a santidade e o arrependimento.

Naum 1:3: “O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em força..."

É na força do Senhor que podemos exercitar a paciência.

Em nossos relacionamentos somos muito seletivos. Aqueles que são mais próximos e fazem parte do círculo de amizade, são presenteados com paciência muito mais do que aqueles mais distantes. Entretanto, não é este o procedimento de Deus. Assim como ele usa sua paciência com todos os seus, assim deveríamos proceder também. (Ef. 5.1).

Sei que é difícil exercitarmos paciência com certas pessoas. Veja isso como uma oportunidade de Deus trabalhar e lapidar o caráter.

Quantos brigas e desentendimentos surgiram porque as pessoas não quiseram refletir o atributo da paciência de Deus? Quantos desentendimentos foram provocados por falta de paciência? Quantas vezes pessoas ficaram iradas, ressentidas, amarguradas tão somente porque não exercitaram a paciência de Deus e deixaram de refletir sua glória?

Em cada aspecto da vida, em cada detalhe ou circunstância da existência, Deus nos concede a oportunidade de refletirmos sua glória, e experimentarmos na prática os efeitos do exercício da paciência.

Por último, é sempre bom lembrar que o exercício da paciência reflete o caráter e a glória de Deus. Os homens e mulheres são coadjutores no palco da vida. A paciência de Deus é sua força e não sua fraqueza. A paciência como atributo refletido através das nossas ações, é a nossa força também.

Jean Carlos Serra Freitas


[1] Pink. A. W. Os Atributos de Deus. São Paulo: PES, 1990, p. 64

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Fique atento às suas motivações

motivação coração2[4]Deus não está mais preocupado com o que fazemos do que com a razão pela qual fazemos e é fácil perceber isso nas Escrituras. Esse foi o motivo de Jesus afirmar categoricamente acerca dos fariseus: “Esse povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15.8). Ao mesmo tempo em que declaravam louvores ao Senhor, os fariseus negavam a Palavra e ensinavam seus próprios princípios (Mt 15.9).

Podemos verificar essa mesma verdade no julgamento de Jesus quanto às “boas ações” dos fariseus, por ocasião do sermão do monte. Ali o Senhor os chamou de hipócritas, repreendendo suas ações de dar esmolas (Mt 6.2), orar nas sinagogas e praças (Mt 6.5) e fazer jejum (Mt 6.16). Conquanto essas atitudes não fossem pecaminosas em si mesmas, acabavam se tornando pecado por causa da motivação dos fariseus para fazerem todas elas: “serem glorificados pelos homens”, “serem vistos dos homens” e “com o fim de parecer aos homens”, respectivamente.

Ao invés de buscar o reino de Deus e a glória do Redentor, os fariseus estavam preocupados com seus reinos pessoais e com a glorificação de si mesmos.

Infelizmente essa não era uma realidade exclusiva dos fariseus. Vemos todos os dias cristãos tentando evitar o pecado, também motivados por seus próprios reinos. Isso pode ser verificado em conselhos como: “Não tenha relações sexuais antes do casamento, pois se você engravidar vai estragar sua vida e terá que parar de estudar para se dedicar ao bebê”; ou, “Eduque o seu filho para que não precise passar vergonha na frente dos outros quando ele lhe desobedecer em público”; ou ainda; “Agrade o seu cônjuge para que conceda o carinho de que você precisa”.

Conselhos como esses estão totalmente comprometidos somente com o “reino do eu”, com aquilo que é bom para mim e, por isso, ainda que os jovens sejam castos, os filhos educados e os cônjuges estejam vivendo bem, Deus não está sendo honrado.

Há ainda outra questão. Quando o motivo para se evitar o pecado é algo que “eu” acho que trará uma consequência ruim para o “meu reino”, além de se ter um entendimento distorcido de em que consiste a vida cristã, bastará que “eu” mude de opinião para começar a fazer o que eu antes proibia. Tomando um dos exemplos acima, teríamos alguém evitando sexo antes do casamento para não correr o risco de uma gravidez indesejada. O ensino distorcido que fica claro é: filhos são um problema. Mas se a opinião sobre isso mudar e se entender que ter filhos é algo bom (o que é verdadeiríssimo) não haveria mais a “barreira” para o sexo pré-marital. Se o reino é meu, as regras são minhas e, por conta disso, nunca haverá honra a Deus.

Para que o Senhor seja honrado as razões para não pecar devem emanar da sua Palavra e do entendimento de que o pecado é primeiramente uma afronta à sua santidade. Assim, o relacionamento sexual antes do casamento deve ser evitado porque afronta a Deus (Hb 12.4), os filhos devem ser educados para honrar a Deus (Dt 6.1-7) e os cônjuges dever servir um ao outro porque essa é a vontade de Deus (Ef 5.21-33).

O pecado não é ruim, primariamente, por causa das consequências que traz, mas por causa de quem é primeiramente afrontado, o Santo Deus, e isso deve nortear também a nossa confissão de pecados, que pode revelar um coração arrependido ou simplesmente remorso e aqui estamos, mais uma vez, a tratar de motivações.

Para ilustrar, pense em dois exemplos conhecidos. Sabemos que Judas traiu a Jesus e às vezes nos esquecemos de que Pedro também o fez, quando o negou. A diferença entre os dois foi que Pedro entristeceu-se por ter traído o mestre (Mt 26.75) e mais à frente foi restaurado (Jo 21.15-17), enquanto Judas entristeceu-se por causa da consequência de sua traição, que foi a condenação à morte de Jesus (Mt 27.1-3), e, não conseguindo viver com o remorso, suicidou-se. Os motivos foram bem distintos.

As motivações procedem do coração (Mt 6.21), razão de lermos em Provérbios que “assim como a água reflete o rosto, o coração reflete quem somos nós” (Pv 27.19 - NVI). É o nosso coração que demonstra se vivemos para Deus ou se vivemos para nós mesmos. Diante disso, devemos fazer coro com o salmista e, perante Deus, afirmar: “Guardo no coração as tuas palavras” – com a mesma e correta motivação – “para não pecar contra ti” (Sl 119.11).

Vivendo dessa forma poderemos, como ordenou Paulo, comer, beber, ou fazer qualquer outra coisa sempre motivados por dar toda a glória a Deus (1Co 10.31).

Milton Jr.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Uma ajuda para quem aconselha casais (e outras pessoas)

 

O conselho que tenho para dar aqui é: pense além dos textos sobre casamento.

As pessoas sustentam uma visão muito superficial do que seja aconselhar biblicamente, se por aconselhar casais você entende aplicar, ainda que corretamente, os textos sobre casamentos encontrados na bíblia, ao problema que o casal está enfrentando. Ainda que isso venha a acontecer, confinar o aconselhamento de casais à isso é reduzir em muito a ajuda que podemos dar ao casal que precisa dos direcionamentos preciosos que Deus nos dá na Palavra, mas estão em outros contextos espalhados pelas suas páginas. Este reducionismo pode ser expresso das mais variadas formas, e por alguns é até justificado. Mas quem faz assim não está fazendo um uso apropriado da Bíblia.

A dificuldade principal, se podemos colocar assim, vem por conta da Bíblia não ser um compêndio temático de problemas humanos com as respectivas respostas divinas, como se pudéssemos, ainda que através de seu complicado índice, achar o problema, que estaria registrado lá, seguido da solução. Justamente por ser esta uma configuração aparentemente mais fácil, podemos imaginar que tenha sido uma das razões para o atual Manual que lista todos os alegados problemas humanos tratáveis pelos profissionais da área de ajuda. Aqui é difícil não generalizar, mas não me restam outras alternativas, peço a gentileza da generosidade do leitor.

Continuando... Creio que haja muita gente bem-intencionada querendo ajudar, com uma aproximação limitada como essa. Você deve estar consciente, desde já, que agir assim é, no mínimo, ser superficial. Por que? Porque pensar biblicamente sobre um problema matrimonial envolve muito mais do que somente levar em consideração somente os textos nos quais o casamento parece ser o foco principal. Pensar biblicamente é dar ao seu sistema de pensamento limites conceituais que nascem de um correto entendimento da Palavra de Deus, entendida em seus apropriados contextos, mas entendida principalmente como a fidedigna revelação de um Deus que nos ama e se importa conosco, ao ponto de fazer registrar não somente as soluções para nossos probleminhas vivenciais, mas na medida que o faz, estar registrando a história da nossa redenção que foi consumada em Cristo na cruz, e é aplicada em nós pelo Espírito Santo.

A beleza de enxergarmos o amor de Deus revelado nas Escrituras vai além do conteúdo. Esta visão deve alcançar a beleza da forma como Deus fez registrar sua revelação especial. Ao fazê-lo como fez, ele não somente nos deu frias soluções de problemas, mas revelou-se a si mesmo. Sim! Em primeiro lugar, o que temos é Deus descortinando seu caráter e seu plano para nós. Aos poucos e amorosamente, Deus foi se fazendo conhecer de um modo que não ficássemos sobrecarregados dele, mas pudéssemos ver claramente sua sabedoria, amor, poder e graça, dentre outras muitas qualidades, sendo não só admitidos pela mente, pelo entendimento, mas experimentadas na vida, na experiência pessoal e comunitária.

Isso nos leva a considerar o outro benefício decorrente do formato de Deus nos ter dado a Escritura como fez. Deus nos deu histórias. Ele mostrou na vida real, de pessoas reais, com problemas reais e iguais aos nossos que sua vontade é a melhor, seu querer é soberano, seu amor é preferível... Que não podemos viver à parte dele. Deus aqueceu cada solução no calor da discussão, mas trouxe pronto refrigério, para que soubéssemos que, quando fôssemos nós a passar pela prova, saberíamos que outros tiveram êxito por que contavam com a mesma excelsa companhia (Deus-Conosco).

Quando nosso campo de visão é aumentado por essa percepção, tomamos consciência de que Pedro realmente tinha razão ao afirmar que já nos fora dado tudo o de que precisamos para viver esta vida piedosamente (2 Pe 1.3). Mas não falta quem sustente a ideia de que se a Bíblia não falou especificamente sobre o problema, então ela não tem nada a dizer sobre o problema.

Portanto, aprenda a fazer uso correto da Escritura no aconselhamento:

1. Quando o problema é tratado diretamente na Bíblia, ela funciona como um preciso mapa. Se houvesse como um GPS para nunca errar, não seria ótimo? Já inventaram um. Seu inventor é Deus, e seu nome é Bíblia. Este divino GPS, quando trata de um problema diretamente é um mapa de precisão nanométrica. Assim, Deus nos guia inequivocamente. Mas nem sempre temos um texto que trata diretamente do nosso problema. Creio que a maioria das pessoas sabe usar (ou saberia usar) a Palavra de Deus quanto há orientações diretas. Mas quando elas faltam? Aí entram os curiosos dizendo que a Escritura nada tem a dizer sobre o tema... O que fazer? Vá para o tópico seguinte.

2. Muitas vezes a Bíblia trata do tema indiretamente. Nesses casos, ela funciona mais como uma proteção, uma certa que delimita claramente os limites da ação cristã. Mesmo que indiretamente, as implicações de uma certa lei, ou de uma certa doutrina se encaixam perfeitamente ao tema. Fique atento para ouvir mais do que está sendo dito, quando estiver ouvindo uma exposição bíblica fiel. Isso resolve até certo ponto, pois a capacidade humana de criar problemas difíceis, unido ao fato de que esse vive num mundo suficientemente complicado, trazem problemas que vão além de orientações diretas e indiretas. Como lidar com a vida de modo agradável a Deus quando não houver instruções, nem diretas, nem indiretas, sobre o problema específico que passamos, ou sobre as dúvidas que nutrimos?

3. Caminhando sobre a fé de que temos na Palavra de Deus tudo de que precisamos, nossos solhos se abrem para o fato de que temos mais na Palavra. Podemos não ter orientações, mas sempre teremos direções gerais. A Bíblia foi forjada na vida, não num ideal imaginário. Vivemos versões modificadas do que todos antes de nós viveram, mas muito dificilmente experimentamos algo realmente inédito (como já dizia o sábio em Eclesiastes, afirmando que nada há de novo debaixo do sol: Ec 1.9). O que fazer com orientações gerais? Eles te servem como um "norte", como em uma bússola. Quando estamos perdidos, e não sabemos como chegar ao local de destino, qualquer ajuda serve. E como é bom quando, mesmo que a orientação não seja tão precisa, sabemos que a saída é "por ali"! Para muitas situações na vida, Deus não dá orientações diretas, pois sabe que Ele mesmo nos deu discernimento suficiente para sair da enrascada que estamos, somente com a seta no "Norte" da sua vontade. Em situações com direcionamentos gerais, a Bíblia funciona como uma infalível bússola.

4. Mas digamos que a Escritura nada fale sobre o tema. Sim, digamos que ela não nos forneça qualquer instrução. Poderia a Escritura, ainda assim, me ser útil em meu problema, dilema, dúvida ou questão? Eu acredito que sim, pois ainda em tais casos extremos, Deus continua jogando luz para o nosso caminho, a fim de não tropeçarmos. Se há horas em que nos sentimos como que barcos perdidos num imenso e revolto mar, desistir não é uma opção para o marinheiro que sabe que, cedo ou tarde, a luz insistente de um longínquo farol haverá de furar as trevas da tempestade, fornecendo uma direção segura.

Olhe além, e você sempre enxergará utilidade na Palavra de Deus. Aconselhe usando "todo o conselho" de Deus, e os casais que estão sob seus cuidados obterão melhor proveito do aconselhamento, ao passo que também aprenderão a ver além dos textos básico, para o todo de uma Revelação que revela mais do que podemos ver.

Jônatas Abdias

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