quarta-feira, 29 de julho de 2015

Amando os filhos de fato e de verdade

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Não consigo ver como um pai ou uma mãe possam dizer que amam seus filhos se ao verem o pecado se manifestar na vida deles, nada fizeram para impedir seu progresso, ou não envidarem todos os esforços necessários para vê-los superar o pecado com a graça salvadora que há na fé em Cristo Jesus.

Certamente que muitas coisas boas desejamos para nossos filhos: que tenham um bom emprego, que sejam bons administradores dos bem a si confiados, que tenham uma boa educação, que sejam corteses e respeitosos, que no futuro eles passem adiante os bons valores que lhes passamos, que aprendam o valor do trabalho duro, que aprendam a lidar com responsabilidades, que seja honestos, bondosos, gentis e carinhosos. Todas boas coisas e bons costumes. Mas e quanto ao caráter? Alguns pais já se conformaram com o presente séculos, que com frequência lhes infunde no coração a noção não bíblica que o caráter é aquele algo imutável com o qual cada criança já nasce e nada poderá alterá-lo. Dito de forma simples, cada criança é quem é, e o tempo se encarregará de trazer à tona quem ela sempre foi. Na verdade, não há nada que os pais, a família ou mesmo a igreja possa fazer para alterar a substância interior da criança. Ela será quem está destinada a ser, em termos de caráter. O problema é que, embora haja uma dose de verdade nisso, não é toda verdade. De fato, não podemos, na qualidade de pais, família e igreja, fazer nada para alterar o que há nas profundezas do coração de quem quer que seja, nem mesmo de nossas amadas crianças. Entretanto, dos muitos gestos de amor que pais, familiares e irmãos de igreja possam oferecer para esta criança, nada há de maior, mais precioso ou mais profundo do que ensinar, compartilhar e experimentar juntos o amor e a redenção no sangue do cordeiro bendito, Cristo Jesus, o Senhor! Novamente, simplificando, quando o evangelho não permeia nossas conversas, atitudes e palavras, de fato não há evangelho no coração. Não podemos compartilhar o que não temos. Mas se temos, ou dizemos ter, precisamos fazê-lo brilhar em nossa vida, de modo a iluminar os que nos cercam. E quem haverá de estar por perto quando esta luz brilhar? Bom... A nossa criança, nossos filhos amados.

Haverá luta constante e árdua, de verdade, se procurarmos viver de modo coerente com a nossa fé. Mas nada há de mais rico do que legar aos filhos a fé que primeiro habitou em nossos pais, depois em nós e por fim vê-la germinar, crescer e florescer no coração de nossos filhos.

Portanto, quando vejo pais inertes, assistindo como expectadores impotentes o pecado crescer como uma erva daninha no coração e nas atitudes de seus filhos, apáticos ou com uma preocupação passiva que não impulsiona os pais à atitude, eu me vejo forçado a duvidar que tais indulgências pecaminosas possam se enquadrar em qualquer categoria que venha a ser classificada como "amor". "Eu amor meu filho" e "Eu não posso fazer nada em relação a isso" não cabem no mesmo coração, se nele houver amor cristão.

É importante esclarecer que, de fato e de verdade, os pais não podem fazer nada mesmo, se por fazer alguma coisa se entende mudar o coração da criança. Isto, só quem pode fazer é o Redentor. Contudo, muito há de ser feito por pais piedosos que desejam ver em seus filhos a imagem semelhante de Cristo esculpida na pedra do caráter deles. E como este é um processo de escultura, duas coisas temos que ter em mente: é trabalhoso e leva tempo!

O que se pode fazer, que demonstra amor:

1. Vamos começar com o básico: oração. De certo muitos pais param por aqui, contudo, há aqueles que nem aqui chegam. Orar pelos filhos não é aquela reza diária, desprovida de afetos do coração. Antes é o ofertar do seu próprio coração paterno a Deus, rogando por aquela criaturinha que lhe fora dada por herança, e a quem você diz amar diante de Deus, o verdadeiro dono delas. É uma grande responsabilidade velar por elas em oração, e ao fazê-lo, seremos despertados em nossos afetos. Ore não somente pela saúde de sua criança, ou pelo seu futuro financeiro ou emocional. Ore por suas dificuldades de caráter, por aquilo que tem sido alvo de disciplina. Peça a Deus que lhe dê a sabedoria necessária para ministrar a Escritura de modo amável, pessoal e profundo à sua criança. Peça que seu exemplo nesta e naquela área específica seja, de alguma forma, usada por Ele para ajudar a demonstrar à sua criança como se faz para superar o pecado, na prática. Agindo assim, você rapidamente perceberá que precisará separar mais tempo parar orar do que de costume.

2. Ensine formalmente. Sim, mas ensine mais que histórias. É fato que Deus, em bondade e graça nos deu histórias. Mas elas são excelentes ilustrações práticas de como se vivem os princípios. São os meios para se interiorizar a lição. Então, certifique-se de que não está fazendo das histórias um fim em si mesmo. Uma criança de cultura admirável certamente conhecerá as principais histórias do Velho e do Novo Testamento. Mas uma criança de fé admirável, saberá usá-las para ilustrar sua fé, suas razões e os princípios sobre os quais ela mesmo vive.

3. Ensine informalmente. Como disse a pouco, viver coerentemente com o evangelho que trazemos nos lábios é um grande desafio, mas é também a forma mais simples e eficaz de evitar que seus filhos desenvolvam no coração a ira, advertida em Efésios 6. Para ilustrar, uma história: Tenho o costume de sempre que podemos sentar juntos, eu e minha esposa, e, podendo, de dar as mãos. Acho que minhas filhas já notaram. Mas por mais que isso me cause imenso prazer, nem sempre estamos com o humor propício para isso, e um "bom dia" mais azedo, ou dificuldade qualquer ou um mero atraso para sair para a igreja já se faz perceber nos gestos mais sutis. Me lembro de uma ocasião em que alguns desses fatores apareceu e minha filha mais nova estava sentada entre nós. De alguma forma ela percebeu que ambos estávamos com as mãos sobre suas pernas, mas não estávamos com as mãos dadas. Ela pegou nossas mãos e colocou uma sobre a outra e simulou gestos carinhosos... Pegamos o embalo e continuamos dali. Espero que minhas filhas almejem serem amadas, acarinhadas e cuidadas, e a maneira como elas perceberão se assim estão sendo tratadas será quando virem que são tratadas como sua mãe o é. Aprendi vendo meu pai e minha mãe, e nosso exemplo, peço a Deus, lhes sirvam também. Você perceberá as dificuldades envolvidas nisso quando for ter com as crianças e lhes disser que a discussão que testemunharam não agradou ao Senhor, e agora os pais estão diante delas para lhes pedir perdão pelo mau testemunho. Contudo, isso fortalecerá nelas a consciência de que embora não tenham um casal de pais perfeitos, eles têm uma tri-unidade em Deus absolutamente perfeita, e redenção disponível para o pecador arrependido.

Se você pai ou mãe, vem sendo alertado quanto ao pecado na vida de seu filho, ou está consciente dele, mas nada vem fazendo para mudar o quadro, reaja! Faça alguma coisa! E se você já vem lutado e começa a sentir desesperança, então levante-se e busque ajude pastoral sábia. Busque a Deus enquanto se pode achar, Ele não fugirá de vós! Só não assista inerte à derrocada espiritual de seu filho, vendo-o por fim se perder. Ame, não de palavra, "nem de língua, mas de fato e de verdade" 1 Jo 3:18.

Jônatas Abdias

Reações:

1 comentários:

Samuel Gomes da Silva Filho disse...

Parabéns, básico, simples e objetivo.

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