terça-feira, 21 de julho de 2015

Jó - exemplo de um homem temente a Deus

Há muitos anos, havia decidido ser guiado por intelectuais. Sim, eles mesmos. Tinha em mente que os intelectuais, especialmente aqueles mais dedicados a compreender a alma humana, poderiam solucionar alguns dilemas pessoais, ao mesmo tempo em que serviriam de bússola moral, ética e espiritual.

Homens como Jean-Jacques Rousseou ou Tolstoi, ou mesmo Nietzsche, por breve tempo ocuparam o centro de minhas faculdades, como agentes norteadores, para tentar entender e enfrentar os dilemas do meu tempo e do meu coração.

Tudo isso cedeu lugar quando o verdadeiro Rei dos reis me alcançou com a sua Palavra e então, pude sentir pela primeira vez aquela paz que excede todo o entendimento (Fp. 4.7) invadir meu coração. E, diante da luz bendita de Cristo, todos os outros luzeiros tornaram-se como nada diante de tão resplandecente luz. Os intelectuais que haviam influenciado minha conduta em algum grau, foram recolocados em seus respectivos lugares, ou seja, não mais ocupavam o primeiro lugar, afinal, qual luz poderia ser mais iluminadora e esclarecedora do que a luz bendita do Filho de Deus? Cristo é a verdadeira luz de Deus ao mundo.

No livro Os Intelectuais, de Paul Johnson, há uma acusação que faz todo o sentido. Os intelectuais se aventuraram na descrição da natureza humana e suas relações sem levar em consideração a existência de Deus. Deliberadamente excluíram Deus de qualquer observação, intento ou conclusão sobre o ser humano e suas relações. Ao retirarem Deus de qualquer análise da criação, colocaram-se no lugar dele, ditando regras de conduta e orientando a todos, agindo como profetas (falsos) para uma sociedade distante de Deus.

Tal influência apresentou distorções sobre o ser humano e sua conduta ou percepção de mundo. Afirmar que “o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe” (uma das concepções mais enraizadas atualmente) demonstra não somente como a sociedade foi influenciada, mas, demonstra como os cristãos, como parte da sociedade, foram seduzidos pelos intelectuais e seus pensamentos equivocados sobre o ser humano e suas relações.

Há um caminho melhor a seguir. Este caminho melhor é observar e aplicar os ensinamentos da Palavra de Deus.

Um dos maravilhosos exemplos da Palavra de Deus pode ser encontrado no Livro de Jó, onde é possível observar qual é a conduta/pensamentos de um homem que teme a Deus.

Em primeiro lugar, aprendemos com o testemunho descrito no livro de Jó 1. 1, que o ambiente em que nos encontramos não deve ditar as regras de conduta para o homem que teme a Deus.

A descrição da narrativa informa que Jó habitava na terra de Uz, identificada com Edom (Lamentações 4:21 diz: "Regozija-te e alegra-te, ó filha de Edom, que habitas na terra de Uz).

Edom não era um centro de adoração ao Deus verdadeiro. Jó não estava rodeado de pessoas tementes a Deus. Ainda assim, a declaração sobre seu procedimento é esclarecedor: “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.” Jó. 1.1.

Muitos homens estão apresentando desculpas para atitudes pecaminosas como destemperança, irritação e pensamentos iníquos, nas circunstâncias e não na inclinação pecaminosa do pecado encontrado no próprio coração. Tiago em sua carta esclarece que “cada um é tentado pela própria cobiça, quando esta o atrai e o seduz.” (Tiago 1.14). A Palavra de Deus nos informa, advertindo, que está no coração o desejo para fazer o que desagrada a Deus.

Jó é um homem reto e íntegro, e que se desviava do mal. Tenho visto muitos homens e mulheres se cercando de possibilidades de erro. Sim, as circunstâncias podem ser instrumentos de Satanás para tentar os homens, entretanto, Satanás não puxa ninguém pela orelha, Satanás não força a vontade dos homens, antes, seduz com promessas vazias e que afrontam os desígnios de Deus. O homem que teme a Deus, deve desviar-se do mal. E, o melhor caminho para desviar-se do mal é estar constantemente diante do Deus Altíssimo.

Desviar-se do mal é a consequência do desejo sincero em querer agradar e adorar a Deus em todas as áreas e em todas as circunstâncias da vida.

Em segundo lugar, aprendemos com o testemunho descrito no livro de Jó 1. 2 e 3, que os filhos e a riqueza não atrapalham a vida do homem que teme a Deus.

Muitos homens entenderam que criar filhos é responsabilidade da mulher. Por isso, vemos mais mulheres com seus filhos nas igrejas do que pais com seus filhos nas igrejas. Muitos homens abdicaram de instruir formalmente seus filhos. Chegam em casa depois de um longo e árduo dia de trabalho e o que desejam é um tempo para descansar. Para isso, a esposa deve promover um ambiente agradável para o descanso. É claro que, em casos específicos, onde o marido trabalha por escala e chega em casa depois de um longo tempo de trabalho sem sono, há a necessidade de algumas horas de descanso. Não me refiro a estes casos, mas sim, do trabalho habitual. Os homens da nossa geração devem ser orientados biblicamente a abraçar a causa da instrução espiritual dos filhos.

Outra impressão errada é que a riqueza atrapalha a vida espiritual. Se lermos atentamente o relato de Jó, veremos que a riqueza jamais tornou seu coração frio para com Deus.

O problema nunca foi a riqueza, mas dedicar o coração a ela. O problema não é a falta de riqueza, mas, o contentar-se com o que Deus já nos permitiu ter.

Em Mateus 6. 20 e 21 lemos: Mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde a traça nem a ferrugem podem destruir, e onde os ladrões não arrombam e roubam. Porque, onde estiver o teu tesouro, aí também estará o teu coração.

Somente uma ressalva. Devemos sim, expressar contentamento com o que Deus já nos deu. Porém, não é pecaminoso querer progredir na vida, ter uma colocação melhor de trabalho, galgar degraus e promoções. A grande questão sempre recairá sobre as reais motivações do coração.

Nosso coração deve inclinar-se para Deus e Jesus Cristo!

Em terceiro lugar, aprendemos pelo testemunho descrito no livro de Jó 1. 4 e 5, que o homem que teme a Deus, se preocupa, em particular, com a vida espiritual dos seus filhos.

Atualmente, boa parte da renda das famílias está dedicada para a educação dos filhos, pensando sempre num futuro melhor e mais seguro. Então, dedica-se boa parte do esforço familiar para dar aos filhos, uma boa educação e isso implica em: curso de línguas, atividades culturais, atividades esportivas, viagens para enriquecer a cultura, enfim, as famílias preocupam-se com o futuro acadêmico e profissional dos filhos. Tal preocupação é legítima. Porém, não tenho percebido tamanho empenho ou zelo, quando o assunto é o crescimento ou o preparo espiritual dos filhos.

Parece que a igreja está recebendo a carga de ter a obrigação de proporcionar aos filhos aquilo que os pais deveriam dar a eles, ou seja, uma verdadeira e continuada educação cristã.

Jó, novamente, é um exemplo neste aspecto. Ele se preocupava com a vida de comunhão entre seus filhos (vers. 4) tanto quanto se preocupa com a vida espiritual de cada um deles (vers. 5).

Investe-se tempo em preparar os filhos para o mercado de trabalho, mas, muito pouco esforço é encontrado no treinamento dos filhos para a piedade e para a adoração a Deus, servindo-o na igreja local.

Como pai, devo ter a dupla preocupação. Porém, preciso entender que, acima de tudo nesta vida, meus filhos precisam ter em mente que Deus ocupa sempre o primeiro lugar.

Jó foi um pai exemplar, pois, como um bom patriarca, dedicava tempo em oração e intercessão pelos filhos.

Os homens da nossa geração oram pouco, intercedem pouco, se preocupam pouco com a realidade atual da vida espiritual dos seus filhos. Verbalizam tal preocupação, mas não encontramos, efetivamente, tal preocupação traduzida em ações como encontramos na experiência de Jó.

Minha oração é que Deus desperte homens, biblicamente orientados, piedosos, santos, dedicados à família e ao reino de Deus, sendo exemplos para seus filhos, mostrando sempre qual caminho a seguir, andando sempre juntos, em direção a Jesus Cristo.

Soli deo gloria

Jean Carlos Serra Freitas

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