terça-feira, 25 de agosto de 2015

Príncipe da Paz, mas também, homem de guerra

20040816Você já parou para pensar que aquele que é chamado na Bíblia de “Príncipe da Paz” (Is 9.6) e que disse a seus discípulos “deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou” (Jo14.27) é o mesmo que afirmou: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra.” (Mt 10.34)?

Como pôde o Senhor Jesus fazer afirmações aparentemente tão contraditórias? Como harmonizar essas duas declarações?

Quando Deus criou o primeiro casal à sua imagem e semelhança (Gn 1.26-28) e colocou-os no jardim do Éden havia paz. O homem obedecia ao seu Senhor e gozava de intimidade e comunhão com ele. Mas para que isso perdurasse, era necessário que o homem continuasse em obediência. Enquanto confiaram na bondade do Senhor isso ocorreu, mas a partir do momento em que deram ouvidos à voz da Serpente, que colocava em dúvida essa bondade, afirmando que a proibição de comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal se dava pelo fato de Deus não querer que eles fossem como ele, conhecedor do bem e do mal (Gn 3.5), desobedeceram.

A mulher comeu do fruto e deu ao seu marido que também comeu. A partir de então, com o pecado, a sentença de morte que havia sido anunciada por Deus, caso eles desobedecessem, foi efetuada. O homem morreu espiritualmente, não tendo mais comunhão com Deus e estando separado dele por causa do pecado (Is 59.2). Mais à frente viria ainda a morte física, como consequência também da queda e, após essa, a morte eterna que é a justa ira de Deus sobre o homem que lhe deu as costas (Jo 3.19).

Diferente do primeiro cenário, de paz, o que impera agora é a guerra. O homem é agora inimigo de Deus e antes que você pense que não tem nada a ver com essa guerra, lembre-se de que Paulo afirma que o homem é por natureza filho da ira de Deus, morto em seus delitos e pecados, nos quais andam segundo o curso desse mundo (Ef 2.2-3).

Pura e exclusivamente por sua graça, o Senhor resolveu que iria redimir o homem. Ao amaldiçoar a serpente ele afirmou que haveria inimizade (guerra) entre a descendência da serpente e o descendente da mulher e que este descendente esmagaria a cabeça da serpente, a despeito de ser ferido no calcanhar (Gn 3.15). Esse é o primeiro anúncio acerca do Redentor, Cristo Jesus.

Foi na cruz do Calvário que o Senhor Jesus recebeu a justa ira do Pai a fim de estabelecer a paz. Ali ele tomou sobre si a dívida que era dos eleitos e, com sua morte, satisfez toda a justiça de Deus. Ainda mais, a sua justiça é atribuída a todo aquele que crê no evangelho que anuncia essa boa notícia ao revelar a justiça de Deus (Rm 1.16-17)! Àqueles que creem o apóstolo Paulo anuncia: “justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).

Foi nesse sentido, então, que o Senhor Jesus afirmou: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14.27). O sacrifício de Cristo em favor dos seus satisfez plenamente a justiça de Deus e reconcilia com o Pai aqueles que, sendo por natureza filhos da ira (Ef 2.2), passam a ser filhos de Deus, ao crerem no nome de Jesus como afirmou o apóstolo João (Jo 1.12). Em relação a Deus, não há mais guerra!

Resta ainda entender a afirmação de Jesus de que não veio trazer paz, mas guerra, e creio que agora fica mais simples de se compreender. Deus havia dito à serpente que haveria inimizade entre a sua descendência e o descendente da mulher. O homem sem Cristo, que por natureza é filho da ira, conforme Paulo, ou, nas palavras de Jesus, que tem por pai o diabo (Jo 8.44), não é inimigo apenas de Cristo, mas também daqueles que, pela fé, fazem parte do seu reino. Como afirma Carson, “o mundo rejeitará tão violentamente a ele [a Jesus] e seu reino que os homens e as mulheres se dividirão em relação a ele” (Comentário de Mateus).

Isso fica evidente já no livro de Gênesis, quando Caim mata seu irmão Abel e é corroborado no Novo Testamento pelas palavras de João. Quando ele ordenou que os irmãos amassem uns aos outros, advertiu, “não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e porque o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (1Jo 3.12). O apóstolo já havia dito no começo do mesmo capítulo que o mundo não nos conhece, da mesma forma que não conheceu ao Senhor Jesus, exatamente pelo fato de sermos filhos de Deus (1Jo 3.1).

Haverá um dia, porém, em que a serpente será derrotada de uma vez por todas. Quando a igreja de Roma sofria com os falsos mestres, instrumentos de Satanás para provocar divisão entre eles, Paulo afirmou: “E o Deus de Paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás” (Rm 16.20) numa clara alusão à guerra anunciada em Gênesis 3.15. Não é à toa, então, que a Escritura se refira ao Deus de paz também como “o Senhor é homem de guerra; Senhor é o seu nome” (Ex 15.3).

Naquele dia a paz estará plenamente estabelecida para os que creem. Para os que não creem, entretanto, a advertência do salmista continua a ecoar: “Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam” (Sl 2.12).

Que o Senhor conceda paz a você!

Milton Jr.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O fariseu e sua touca: a luta constante contra o legalismo

O texto de Lucas 18 contém duas parábolas fascinantes, dentre elas a conhecidíssima passagem do Fariseu e do Publicano que sobem ao templo para orar. Exemplos opostos de uma realidade facilmente verificável, cada um apresenta sua oração no templo. Prontamente percebemos que eles não ofertam suas orações para o mesmo destino: Jesus ao contar a parábola deixa claro que enquanto o publicano suplicava por uma imerecida propiciação, dirigindo sua oração a Deus, o fariseu o fazia "de si para si mesmo". O resultado foi que o publicano sai justificado, e quem se achava justo só fez ajuntar mais um bocado de culpa na bagagem. Nem sempre temos a "ajuda pedagógica" que esta parábola, em específico, nos dá. O evangelista introduz as palavras de Jesus explicando seu propósito: "Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezarem os outros" (Lc 18:9). 

Uma palavrinha sobre legalismo

Esta é precisamente uma descrição do legalismo: A ênfase na forma e a consequente desatenção ao conteúdo nos impede de ver a touca da confiança em nós sendo deixada na pia do nosso próprio coração, nos levando ao foco no (erro) próximo, e na comparação resultante com as boas obras que possamos apresentar diante de Deus, unido ao insensível desprezo pelas dificuldades e pecados dos "demais". O legalista se vê condescendentemente no que diz respeito aos seus "deslizes morais", mas confiante quanto à sua guarda da lei. Mas seus olhos e julgamento são rápidos em condenar os que estão ao alcance de seu radar de comparação. Mas antes de prosseguir, dois avisos. Primeiro, não se esqueça de que o legalismo assume inúmeras formas, desde as mais evidentes, até as mais discretas, como abordarei em seguida. Segundo, que esta é uma luta que todos travamos, e ninguém está isento de se ver na pele do fariseu.

Que história é essa da touca?

Ah, essa parece até ser outra história. Digo "parece" justamente por conta de nossa dificuldade de ver nos momentos comuns da vida, aquilo que Jesus via, e buscar aprender deles e neles. A história da touca começou na hora do banho. Não sendo o dia para lavar os cabelos, cada filha tinha que, em seu momento, colocar sua touca para proteger-se da água, mas colocá-la no devido lugar após seu uso. Quando a filha mais velha entrou para se banhar, não pode se conter ao ver a touca da irmã na pia, e prontamente comentou com a mãe sobre o ocorrido. Em sua voz não havia o costumeiro tom de reclamação, mas o despretensioso tom do comentário de quem subia farisaicamente para orar: Graças eu dou, ó mãe, porque não sou como as demais irmãs ...

Mas eis que, já tendo as crianças banhadas, e a máquina de lavar roupas cumprida sua missão, a mãe resolveu ir conferir o resultado. Talvez aqui seja um bom momento para explicar que pela pequenez do apartamento e a vida sob a influência de uma cultura britânica, a máquina de lavar roupas não só fica no banheiro, como a água que usa para lavar a roupa, após seu uso, é despejada na pia. Pode parecer estranho, mas Deus sabia o que estava fazendo, pois a touca do fariseu estava lá, na pia, curiosamente ocupando o lugar da touca anterior, só que no momento errado. Numa sequência de acontecimentos desastrosos, a touca é deixada, a máquina despeja sua água, a pia transborda, e o banheiro tem seu chão molhado. A ironia aparece e apresenta quem falava da touca alheia, agora tendo que tirar a própria touca da pia, e ainda tendo que enxugar o chão.


Legalismo sempre esconde pecado

Não interessa quantas vezes isso seja dito, esta é uma verdade que continua sendo necessária ser repetida. Quando nos comparamos uns com os outros, e os medimos com a régua da nossa lei, facilmente nos veremos maiores e melhores. Enquanto não chega a nossa vez, e nenhum teste é realmente aplicado, confortavelmente criticamos de longe a touca do próximo. De exemplos pueris a pecados escandalosos , o legalismo ainda é a técnica mais comum para esconder a feiura do coração pecador e orgulhoso. A casca do legalismo fragilmente protege um ovo podre. O Senhor Jesus aqui não quer nos dar um retrato falado do fariseu de touca, para que ele seja desmascarado no próximo, antes está fazendo uma touca que cabe em qualquer cabeça. Que reação temos quando percebemos que deixamos a touca no lugar errado e as consequências escorrem pelo chão? Enquanto usava o acontecimento do dia para ilustrar o texto, expliquei que não resolvemos o problema desligando a luz do banheiro e fechando a porta. Lidamos com a touca como lidamos com o pecado. Tiramos a touca pecaminosa da pia da vida, para que a redenção absorva as águas sujas do mal. Limpamos as consequências dentro do possível, e não negamos o ocorrido: aprendemos com ele, mas aprendemos daquele que nos ensina em sua Santa Palavra. E o arrependimento nos conduz a não mais esquecer a touca na pia outra vez.

Redenção para fariseus e publicanos

Como todas as demais histórias, a que Jesus contou também apontava para ele. Sua morte na cruz trouxe perdão e redenção para o pecador arrependido que consciente de sua deplorável situação, clama por uma misericórdia que ele sabe que precisa, mas não merece. O publicano é um retrato daquela que sabe que sem a orientação do pai, deixará a touca na pia novamente. E sua oração reflete a aflição de quem sabe as consequências: "Sem ti, ó Deus, eu nem banho sei tomar. Me ajuda a pôr e a tirar a touca, e sair limpa..." Quando falamos de toucas, pode parecer coisa pequena, mas quando a touca do pecado tampa o escape da redenção, as águas das consequências transbordam.

Pondo a "touca de molho" no aconselhamento

Conselheiros e aconselhados lida e lutam com o legalismo, na vida e na sessão de aconselhamento. Não podemos abordar o publicano diante de nós como se nós estivéssemos em posição melhor. Todos somos ou fariseus legalistas precisando de arrependimento, ou publicanos arrependidos precisando de compaixão. Tanto um como outro, precisam de redenção, precisam dar ouvidos e a vida ao Redentor. Isto é o equivalente a dizer que quer você seja o conselheiro ou o aconselhando, você precisa de Jesus Cristo. Portanto, atenção à nossa touca legalista que impede de quebrantar os endurecidos e nos compadecer dos fragilizados.

Jônatas Abdias

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Más lembranças e a redenção em Jesus Cristo

ampulheta-quebrada-grandeO nível atual de verdadeiro conhecimento bíblico é alarmante. Não é incomum ouvirmos ditados populares sendo encarados como versículos bíblicos. Um destes exemplos é: Deus perdoou, mas, e você, se perdoou?

O que me assusta, além da imprecisão ou desconhecimento do verdadeiro conhecimento bíblico é a velocidade do avanço, na mente e no coração dos cristãos, de ensinos tão longínquos da Palavra de Deus.

Um dos assuntos mais impactantes, atualmente, é sobre o passado e a forma de encará-lo. Quantas pessoas conhecemos, que tiveram experiências trágicas e marcantes, não conseguem se ver livres do pesadelo das más lembranças que o passado ainda imprime? Tais pessoas tornaram-se amargas, emburradas, melancólicas, desconfiadas, enfim, os adjetivos e as características são inúmeros, e isto, tão somente, porque seguem o falso ensino que afirma que o passado é o ditador do presente e o definidor do futuro.

Antes de continuarmos, é preciso esclarecer que não estamos diminuindo as experiências ruins e impactantes. Não estamos minimizando grandes tragédias que realmente podem destruir as expectativas ou o futuro de uma pessoa. Reconhecemos que há questões mais graves do que outras, e, não queremos medir as más lembranças de uns pelas más lembranças de outros. Medir desta forma, seria incorrer no mesmo erro de centralizar o homem como medida das coisas. O que desejamos, com este breve artigo, é relembrar que a Bíblia não está em silêncio sobre esta área da nossa vida.

A Palavra de Deus tem respostas para nos ajudar a encarar o nosso passado, por mais feio e triste que ele seja, pelos olhos da realidade do céu, pela perspectiva da maravilhosa soberania de Deus, segundo sua Palavra. Portanto, eis o convite desafiador para você, ou seja, olhar para seu passado e ver o cuidado do bom pastor que é Jesus Cristo.

A primeira realidade sobre o passado e as más lembranças é que eu não preciso ignorá-lo ou tentar esquecê-lo.

Muitos optaram por esta decisão. Uma vez que o passado é ruim e as lembranças são como setas envenenadas a destruir toda e qualquer esperança, dizem que o melhor a fazer é tentar esquecer. Alguns, nesta tentativa, escolheram não falar sobre o passado de jeito nenhum; outros escolheram tentar esquecer por meio do sexo; outros escolheram esquecer usando drogas; outros escolheram o caminho da embriaguez; e há ainda os que escolheram não permitir que ninguém se aproxime para manter uma boa e íntima amizade, afinal, intimidade implicaria em ter que conhecer e se dar a conhecer.

Tais caminhos podem, temporariamente e aparentemente, funcionar. Porém, há um caminho sobremodo excelente e este caminho é apontado pela Palavra de Deus.

No maravilhoso livro de Provérbios encontramos a seguinte orientação: Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal; será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus ossos. (Provérbios 3. 6-8)

Que desafio extraordinário é este! Uma ordem dada e uma promessa apresentada. A ordem é para que se reconheça que Deus está presente em todos os nossos caminhos. A promessa é a vida plena, vida cheia da graça do bom Deus. Em todas as circunstâncias da vida, boas ou ruins, a ordem é para que se reconheça que lá estava Deus.

Uma experiência que me marcou foi quando precisei aconselhar uma jovem cristã que havia sido violentada. Durante nossas conversas, em lágrimas, ela sempre me confrontava fazendo a seguinte pergunta: “onde estava Deus”? Depois de algum tempo, numa conversa em aconselhamento, passamos novamente por alguns textos e finalmente, ela disse: “não sei o porquê de tudo o que aconteceu, mas, hoje, reconheço que Deus estava comigo”. Esta jovem se casou, teve filhos e a vida seguiu seu rumo. Finalmente estava liberta do seu trágico passado. Ela não entendeu o que havia acontecido, mas compreendeu que nunca foi desamparada pelo seu Senhor.

Não seja sábio aos seus próprios olhos, seguindo os caminhos artificiais que minimizam, temporariamente, as angústias produzidas por experiências ruins e alimentadas por más lembranças. A Palavra de Deus é o único instrumento eficaz para tratar os dilemas do coração. (Hebreus 4.12).

Outra realidade sobre o passado e as más lembranças é o desafio em reconhecer a soberania de Deus na condução de toda a sua história.

Uma das grandes e confortadoras doutrinas da Palavra de Deus é a doutrina da Soberania de Deus. É lamentável que os evangélicos brasileiros rejeitem tal doutrina. As músicas produzidas atualmente colocam o homem no centro de tudo e como sendo o responsável final sobre os eventos. Mensagens que desafiam “a ir além” “a ser forte” “a confiar em si mesmo” ou, “tire forças do fundo do seu coração” contrariam a realidade de que a força, e o poder, pertencem a Deus. (1 Crônicas 29. 11). Reconhecer que Deus continua como o Soberano Deus não é um favor que fazemos, antes, é um sinal de reverência diante do Deus Altíssimo.

Em certa ocasião, ouvi um sermão em que várias experiências negativas foram contadas pelo pregador. Uma curiosidade é que as experiências foram todas negativas e sequenciais. Ao final de cada experiência negativa vivida pelo pregador e sua família ele dizia o seguinte: “em meio aos aspectos negativos não víamos solução a curto prazo, mas em cada experiência negativa, podíamos ver traços marcantes da bondade de Deus”. Eis um servo de Deus, tendo experiências ruins, porém, reconhecendo a condução de soberana de Deus em bondade para cada momento da vida.

Preciso enfatizar que não estamos diminuindo o impacto das tragédias da vida e suas más lembranças. O que queremos enfatizar é o fato de que, podemos encontrar na Palavra de Deus, a realidade de que tudo está debaixo e conforme o que Deus estabeleceu. (Salmo 115.3). Cremos que Deus é poderoso para redimir nossas más lembranças.

Como é reconfortante e como produz segurança para a alma saber que servimos ao Deus soberano. Diante das grandes tragédias, podemos declarar... nosso Deus continua sendo o Deus soberano. Quando nos sentimos fracos e desanimados, podemos contar com o Deus soberano. Quando somos tentados ou intimidados por nosso inimigo, Satanás, podemos experimentar segurança e paz, afinal, servimos ao Deus soberano.

Outra realidade sobre o passado e as más lembranças é o triunfo de Jesus Cristo sobre as más lembranças pecaminosas.

Muitos convertidos receberam um ensino que é estranho à Palavra de Deus. Quando confrontados com o passado, como já vimos, ignoram, tentam esquecer, querem anular completamente, por meio do esforço pessoal, as más lembranças, ou, buscam alguma técnica de psicoterapia.

Pensando biblicamente, devemos lembrar que Jesus Cristo nos regenerou, nos lavou e nos purificou. Seu sangue derramado na cruz, finalmente, não apenas cobriu pecados, mas nos lavou de todo o pecado. (1 João 1.7).

Infelizmente é comum cristãos afirmarem ter dúvidas sobre se Deus, de fato, poderá perdoar seus pecados. O que parece ser uma atitude piedosa, demonstra, na realidade, arrogância e incredulidade. Pensam que cometeram tantos pecados que nem mesmo Deus será capaz de perdoá-los. É como se o pecado fosse maior e mais poderoso que Deus. Seria o mesmo que dizer que o pecado é soberano, não Deus.

A Palavra de Deus apresenta outra realidade. Transformados pela graça, o maior desejo daquele que foi alcançado por Cristo é honrá-lo em todos os aspectos, e isto inclui as lembranças. Por isso, afirmamos que as más lembranças podem ser redimidas. Podem ser pesadas/medidas pelo critério da graça e da cruz. Podem ser julgadas definitivamente pelo perdão que vem de Deus àqueles que sinceramente confessarem seus pecados. (1 João 1.9).

Cristo nos libertou e verdadeiramente somos livres. (Gálatas 5.1).

Quando confrontado por dúvidas quanto à eficácia do perdão de Deus por meio de Jesus Cristo, lembre-se de confessar a Deus o pecado da incredulidade e apropriar-se dos maravilhosos benefícios da cruz, a saber, paz com Deus. (Romanos 5. 1 e 2).

Conclusão:

Deus está interessado em todas as áreas da sua vida e em cada aspecto em particular. Tanto em relação ao céu, quanto em relação ao tempo que vivemos aqui. Não espero que todas estas considerações apresentadas se tornem realidade instantaneamente. Entretanto, devemos ter um norte, um alvo a seguir. Este alvo não é nosso bem-estar, não é uma vida sem crise. O alvo é a glória de Deus usando homens e mulheres santificados pelo seu Santo Espírito.

Minha oração é que você seja alvo da graça e da misericórdia de Deus, que suas más lembranças sejam redimidas e que você possa usar intensamente a Palavra de Deus para poder ler todas as suas experiências e sentimentos de forma bíblica, pois, a grande realidade foi registrada, o redentor Jesus vive e reina para sempre.

Jean Carlos Serra Freitas

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Sobre guerra e paz

Peace-War-600Reinos são estabelecidos por meio da guerra. Referindo-se à sua morte, o Senhor Jesus afirmou: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso (Jo 12.31). O Senhor Jesus colocou fim à guerra ao esmagar a cabeça da Serpente, vencer o pecado, matar a morte e estabelecer a paz entre Deus e todo aquele que crê e é recebido como súdito em seu reino.

O problema é que, mesmo após sermos recebidos no reino de Deus, muitas vezes paramos de trabalhar para este reino e tentamos edificar o nosso próprio reino. A consequência é que, inevitavelmente, estaremos em guerra com todos aqueles que se opuserem a nós, pois, como já foi dito, reinos são estabelecidos por meio da guerra.

Assim, não é difícil entender porque diversas vezes estamos em guerra com o cônjuge, com os filhos, com os pais, com o vizinho, com o companheiro de trabalho, etc. Sempre que estamos em conflito é porque entendemos que nosso reino está em perigo. Ou “nossos direitos” estão sendo negados ou “nossas leis” estão sendo descumpridas, então, partimos para o ataque.

Nunca vi ninguém brigar em benefício do outro que está envolvido na discussão. Há poucos anos recebemos em casa a visita de um pastor amigo juntamente com sua esposa e duas filhas. Minha filha Fernanda ficou muito feliz com duas amiguinhas em casa. A mais velha se chama Alana e a mais nova, da idade de minha filha, Riane. É claro que, vez por outra, elas brigavam por alguma coisa e uma das brigas da mais nova com a minha filha envolvia o ciúme pela irmã mais velha. Riane olhou para Fernanda e disse brava: “A Alana é minha irmã!”. Minha filha, para não ficar para trás, respondeu no mesmo tom: “Não! Ela é SUA irmã!”, e ficaram as duas reafirmando, cada vez mais bravas, a mesma coisa.

Aparentemente essa história demonstraria o oposto do que estou afirmando, e que minha filha brigava “em benefício” da Riane, visto que ela estava afirmando exatamente o que foi alegado primeiramente pela amiguinha, mas é bom pensar no que estava acontecendo, de fato, ali. Enquanto eu via a cena, que mais parecia conversa de doido, e achava graça da briga sem sentido, fiquei a pensar em quão orgulhosos somos e o quanto estamos dispostos a lutar pelo nosso reino. Em seu orgulho, cada uma delas defendia com afinco o seu “ponto de vista” e, por mais que estivessem dizendo a mesma coisa, brigavam para ter a palavra final na discussão. Em meu reino, a palavra final é sempre minha!

Tiago, em dos textos mais bélicos que temos na Escritura, definiu bem essa questão. Ele começa perguntando: “De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês?” – e logo responde – “Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus (Tg 4.1-4 – NVI).

Perceba que é muita guerra num texto só! Em suma, o que Tiago está ensinando é que quando amamos o mundo nos fazemos inimigos de Deus. Daí o que determina nossas ações não é mais Deus e seu reino, mas os nossos próprios desejos. Logo, em nome de nossos desejos (paixões) estabelecemos a guerra, cobiçamos, matamos, invejamos, vivemos a lutar. Estamos tão preocupados em edificar nosso reino, segundo nossa vontade, que sequer pedimos a Deus e, quando pedimos, não recebemos exatamente por estarmos com o foco no reino errado.

Se vivermos como súditos do reino de Deus faremos o possível, no que depender de nós, para estabelecer a paz (Rm 12.18). Se vivermos como soberanos do nosso reino, facilmente declararemos guerra. Assim, se alguém vive como súdito do reino de Deus e é ofendido pelo vizinho, dará a outra face (Mt 5.39); se vive para si mesmo, revidará a ofensa. Se um marido que está com o foco no reino de Deus se vê privado pela esposa de algo que ele entende ser seu direito, deixará também a capa (Mt 5.40); se o foco for seu reino, lutará por seus direitos. Se uma mãe comprometida com o reino de Deus tiver que instruir pela milésima vez a um filho desobediente, andará a segunda milha (Mt 5.41); se estiver comprometida apenas com seu reino, ou o deixará de lado ou o castigará com ira pecaminosa.

Nesse ponto você pode dizer, “mas é muito difícil viver assim!”, e a única coisa que posso honestamente responder é que você está com toda a razão. É de fato difícil, ou mesmo impossível, se você tentar lutar com suas forças. Contudo, a graça de Deus que é sempre abundante sobre todos aqueles que estão incluídos no corpo de Cristo, nos capacita a viver da forma como o Senhor ordenou. Em Cristo temos tudo o que necessitamos para a vida e para a piedade (2Pe 1.3).

O chamado cristão, em certo sentido, é sim para a guerra, entretanto, a guerra é contra a nossa própria vontade, nossa carne. O Senhor Jesus afirmou que os que o seguem devem negar a si mesmos (Lc 9.23) e Paulo ordenou aos colossenses que fizessem morrer (isso é guerra!) a sua natureza terrena (Cl 3.5). Devemos e podemos fazer isso, pois não lutamos sozinhos. Paulo afirmou aos romanos que, “se, pelo Espírito” eles mortificassem os feitos do corpo, viveriam (Rm 8.13).

“Ele morreu por todos, para os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 5.15), escreveu o apóstolo aos coríntios, e à medida em que vivemos cada vez mais para ele e não para nós mesmos conseguiremos seguir “a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Milton Jr.

Pesquisar este blog

Pesquisar por assunto

Aconselhamento Bíblico (21) Adultério (1) Aflição (2) Agradar a Deus (3) Alegria (5) Amor (2) Amor ao próximo (1) Anarquia (1) Ano Novo (2) Ansiedade (1) Argumentação (5) Arrependimento (5) Auto-estima (2) Auto-justiça (4) Autoridade (1) Casais (2) Casamento misto (1) Compaixão (3) Comportamento (13) Comunhão (2) Comunicação (5) Confiança (6) Conflitos (2) Confrontação (2) Conhecimento de Deus (3) Consolo (4) Contentamento (3) Convencimento (5) Coração (5) Coração de pedra (1) Cosmovisão (5) Criação de filhos (6) Cuidado da alma (4) Cuidados do conselheiro (2) Culpa (3) Dependência de Deus (1) Depravação total (1) Depressão (1) Desejos do coração (7) Deus conosco (1) Direitos (1) Dor (2) Edificação do irmão (1) Egoísmo (3) Emoções (6) Encorajamento (9) Engano (4) Escolhas (2) Esperança (3) Estudo (1) família (2) Farisaísmo (2) Fariseu (2) (1) Filosofia (1) Fundamentos (10) Glória de Deus (4) Guerra (3) Idolatria (10) Ídolos do coração (3) Imagem de Deus (1) Instrução (3) Intentos do coração (1) intimidade com Deus (1) Inversão de valores (1) Ira (2) Jean Carlos (12) Jean Carlos Serra Freitas (9) Jônatas Abdias (24) Justiça de Deus (1) Justiça própria (2) Justificação (1) Legalismo (2) Liberdade cristã (2) luta por poder (1) Más lembranças (3) meios de graça (1) Mentira (2) mil (1) milt (1) Milton Jr. (54) Monismo (1) Motivação (11) Motivações (4) Obediência (1) Oração (1) Orgulho (2) Paciência (2) Palavra de Deus (9) Passado (3) Paz (5) pecado (3) Perdão (5) Piedade (4) Plano de Deus (3) Planos (1) Prática da Palavra (17) Prática do aconselhamento (4) Presença de Deus (2) Pressupostos Teológicos (16) Psicologia (4) Psiquiatria (1) Racionalização (1) Redenção (7) Relacionamentos (6) remédios psiquiátricos (1) Remorso (2) sabedoria (5) Salvação (1) Santificação (2) Soberania de Deus (6) Sofrimento (6) Suficiência das Escrituras (21) Tarefas (1) Temor de homens (2) Tesouros (1) tristeza (5) Unidade (1) Verdade (4) Vida cristã (22) Vontade de Deus (3)