quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Tempo para isso...

Eu não tenho as provas necessárias para justificar minha desconfiança de que a música "Bom estarmos aqui" tenha sido escrita para repetir duas vezes na sequência a frase "tempo para isso", mas o fato é que muitos de nós não tem separado tempo para isso... tempo para educar os filhos como expressão de nosso amor a Deus sobre todas as coisas.
Você finalmente separa aquele tempo que lhe falta para um bom exercício, e vai caminhar com seu cônjuge. Você não está tão preparado fisicamente para isso, mas, até que cai bem uma caminhada no fim de tarde, quando se tem tempo para isso. Após alguns bons minutos, que por vezes parecem terem sido horas, você retorna para o lar. Lá você havia deixado suas crianças, que apesar de ainda o serem, você acredita que já sejam "crescidinhas" o bastante para sobreviverem sem você por alguns minutos. Cansados, suados e famintos vocês retornam para casa e são recebidos com uma calorosa recepção. Nada surpreendente, só aquela velha algazarra que mais parece um ninho de gatos brincando pelo último pedaço de pão.

Você não espera isso ao chegar em casa, mas, por que não deveria? Você deixou sem supervisão dois pecadores sozinhos, que não estão realmente preparados para lidar com seus próprios pecados e os pecados dos outros contra si. O que você esperava? Que o jantar estivesse pronto e posto à mesa?
Bom, a primeira coisa foi acalmar os ânimos e ouvir a história de como a coisa deu errado. Depois de alguns poucos minutos ouvindo a história, entre alertas para que a versão de uma não fosse interrompida pela versão da outra, você consegue montar as peças do quebra-cabeça com algum sentido.

Com perguntas simples e diretas (que precisaram ser reformuladas várias vezes para que chegasse à esse ponto, o que tomava ainda mais tempo), conduzimos às crianças ao verdadeiro problema: enquanto uma queria ardentemente o objeto, mais que a vontade de Deus se realizando em sua vida, ela se amou acima de todas a coisa, desprezando ao próximo com amor próprio. A outra, que interrompia a versão da irmã, estava mais preocupada em proteger-se de uma potencial disciplina, expondo o próximo de uma forma que ela não gostaria de ser exposta.

Quando uma criança toma da mão da outra o objeto de seu desejo, o coração da criança em questão, oprimido pelo seu próprio pecado e desejo intenso, esqueceu-se de seu compromisso cristão de amar o próximo como a si mesmo. Acima disso e como fator que dá consequência ao amor ao próximo, está o amor a Deus, que sempre deve vir primeiro, pois devemos amá-lo sobre todas as coisas.


À primeira, a história de Caim lhe coube bem, e a história foi contada de modo a mostrar que quando queremos muito o que o outro possui, seja objeto, afeto ou reconhecimento, nós estamos dispostos no coração a fazer o que Caim fez contra o irmão. Jesus deixa claro que mesmo no íntimo do coração, somos réus do mesmo crime: matar o irmão (Mateus 5.22). À segunda, lembramos de como Adão expôs a esposa na tentativa de não se meter em maiores problemas. Em todo caso, o amor a Deus expressado no amor ao próximo estava ausente. Depois das explicações, refizemos a cena do crime, só que numa versão redimida, onde uma se importava e a outra ouvia pacientemente.

Amar a Deus ao ponto de desejar para o outro o que tanto queremos é um desafio que todos temos que lidar, e dissemos isso às crianças. É importante relembrar para si e lembrar aos filhos que o que eles enfrentam é enfrentado também por nós, pais, ainda que sob formas diferentes. Lidar com isso na vida adulta nos parece mais difícil quando não fomos treinados para tanto desde a infância.

Depois nos pusemos a pensar mais adiante, e ver como toda a questão exigiu de nós que amássemos a Deus acima de todas as coisas, separando tempo para isso, tempo para guiar os corações pecadores dos filhos aos pés da cruz, onde qualquer separação foi anulada. Chegar cansado, suado e faminto e colocar todas essas coisas em segundo plano para cumprir seu chamado paternal de educar seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor pode parecer uma atitude óbvia, mas exige que você pense, em frações de segundos, qual problema exige ação mais urgente da sua parte. Qual dos problemas receberá solução e atenção antes do outro? Como pais, temos que nos perguntar o quanto desejamos nos livrar do cansaço se comparado ao quanto queremos ver os corações de nossos filhos livres do pecado que lhes oprime naquele mesmo instante.

Quanto estamos ensinando os nossos filhos a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos, separando tempo para isso, estamos nós mesmos aprendendo a amar o próximo como a nós mesmos como expressão de que amamos a Deus sobre todas as coisas.

Muitos cristãos sérios e sinceros estão dispostos a servir a Deus aconselhando biblicamente, e este até pode ter sido o motivo que o trouxe até aqui. Mas ao mesmo tempo, se sentem frustrados por terem que gastar tanto tempo no ensino das próprias crianças na expectativa de colocar em prática tudo o que vem aprendendo daqueles bons livros que você leu. Mas se esquecem que a cada vez que os filhos se desentendem, ou que um filho em particular está lidando (para não dizer praticando abertamente) com o pecado, Deus o está "convocando" para uma sessão de aconselhamento que você não agendou.

Por isso o título: Quem agenda ou separa "tempo para isso" não é você. Deus tem uma agenda, digamos, muito própria, que não respeitará suas particularidades, pois quem sabe o melhor tempo é o sábio e amável Deus, que agendou para aquela hora que lhe parece bem "imprópria" um tempo para isso...

Paul Tripp ilustra em seu livro "Instrumentos nas mãos do Redentor" uma situação semelhante, na qual se preparava para descansar, mas ao chegar em casa, se deparou com seu filho que o aguardava para uma conversa que duraria mais do que ele estava disposto a empenhar no momento. E apesar de todas as leituras, experiências e testemunhos, você será convocado para a sua própria, mais cedo do que imagina, e terá uma oportunidade para praticar aquilo que provavelmente terá que reprovar ou ensinar. E nessa hora, você terá que responder, na prática, o quanto você está disposto a separar tempo para isso, tempo para amar a Deus sobre todas as coisas...

  

terça-feira, 22 de setembro de 2015

A graça de Deus no sofrimento

Aqueles que dizem não gostar de teologia se rendem diante de um grande livramento afirmando coisas do tipo: Deus é bom; ou, não existem coincidências e sim, providência; ou ainda, em lágrimas, afirmam que Deus é soberano.

Há uma péssima e falsa teologia chamada teologia da prosperidade que vende uma mensagem triunfalista aos cristãos. Esta falsa teologia afirma que basta exercitar a fé para que a dor, o sofrimento, o desemprego, as doenças e qualquer outra realidade difícil, seja superada pelo uso da fé. Desta forma, considera-se qualquer sofrimento algo antinatural, antibíblico ou satânico.

Vez por outra quando preciso passar pelo assunto, ou, explicar a alguém os problemas encontrados nesta falsa teologia, há a seguinte indagação: “essa não é mais a onda do momento”. Os que pensam assim, parecem ignorar o estrago que essa falsa teologia provocou e como ela conseguiu tornar-se uma cultura ruim estabelecida. Afinal, quando conversamos com as pessoas, cristãos de diversas denominações, em sua grande maioria não conseguem apresentar uma resposta bíblica, um propósito bíblico para um fato que aflige cristãos e não cristãos, que é o sofrimento e todas as suas implicações.

Será que a Bíblia se pronuncia sobre este assunto? Posso encontrar algo na Palavra de Deus para me orientar, mesmo que seja confrontador? Será que há um propósito para a dor, angustia, morte, tribulações e sofrimento? A resposta é um altissonante sim. Não estamos desamparados em meio ao sofrimento. A Palavra de Deus tem muito a nos dizer sobre o sofrimento e como devemos encará-lo.

Ao falar sobre o sofrimento, à luz da Palavra de Deus, precisamos lembrar pelo menos três marcas essenciais: autoridade, inerrância e suficiência. E por que esta lembrança? Pelo fato de muitos cristãos ignorarem ou desconfiarem da Palavra de Deus, gerando motivação para procurarem recursos ímpios e seculares para tratar do sofrimento.

A resposta e orientação da Palavra de Deus é melhor o melhor recurso. Melhor do que qualquer outro recurso criado pelos homens, cujo intento é o de afastá-los cada vez mais de Deus.

Crer de todo o coração na Palavra de Deus é uma maravilhosa e segura jornada.

Dito isto, vejamos o que a Bíblia tem a nos dizer sobre o sofrimento e como Deus o usa em benefício dos seus filhos.

Em primeiro lugar, precisamos entender que é natural, neste estado de pecado em que nos encontramos, haver dor, angústia, morte e sofrimento.

A queda de Adão e Eva inauguraram este estado. Por meio dos nossos primeiros pais, o pecado entrou no mundo, pela desobediência a Deus, e desde então, neste estado de pecado, enfrentamos a dor, a angústia, a morte e o sofrimento. Ainda que soe estranho, é natural, neste estado de pecado, as brigas, os desentendimentos, as traições, as brigas familiares, as desavenças entre irmãos, a frieza e a barbárie. Vivemos em um ambiente hostil e culturalmente infectado pelo pecado. A consequência da desobediência a Deus é o sofrimento.

Sei que muitos terão dificuldades para aceitar isso. Entretanto, ao olharmos para a Palavra de Deus, vemos o rápido avanço do pecado promovendo desobediência, inveja, insatisfação, morte e sofrimento. Adão e Eva desobedeceram a Deus, dando ouvidos a Satanás (Gn. 3.6), Caim matou Abel (Gn. 4. 8), Caim não se arrependeu do crime cometido. (Gn. 4.9), Lameque rompeu com os laços conjugais, inaugurando a traição conjugal. (Gn 4. 19). A violência, o assassinato, o orgulho e a soberba foram encarados como um procedimento louvável (Gn. 4. 23). Por fim, lemos a triste declaração sobre o nível de maldade humana declarada por Deus. (Gn. 6. 5).

Não podemos proceder ingenuamente. Precisamos agir de forma prudente (Mt. 10.16) e encararmos a maldade humana como ela é, conforme a Palavra de Deus a descreve.

Em segundo lugar, precisamos entender que o sofrimento confronta nossa teologia (ou pelo menos revela) e confronta nossa fé.

É muito comum em nossos dias fugirmos deste confronto. Nossa geração rejeita veementemente qualquer desagrado, qualquer ideia de sofrimento, qualquer que seja o motivo. Muitos abraçaram o falso evangelho do bem-estar, onde absolutamente tudo deve atender aos gostos particulares do cristão que se comporta como um consumidor olhando uma prateleira de um supermercado. Ávido por consumir bem-estar, rejeita qualquer possibilidade de confronto diante do padrão apresentado pela Palavra de Deus.

Durante o processo de sofrimento somos mais exigidos a responder biblicamente. E, neste momento ficamos mais expostos. Ou externamos confiança em Deus ou externamos nossa desconfiança para com Deus.

Quando Deus nos confronta, não deseja exibir nossa fragilidade para vergonha pública, antes, seu interesse é moldar o nosso coração e a nossa mente, conforme sua santa vontade e santidade assim exigem. Vejam os textos abaixo:

Tiago 1.2 - Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança.

Romanos 5. 3 - 3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança;

Filipenses 1. 29 - 2Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele,

2 Pedro 2. 9: Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

O sofrimento é parte intrínseca da vida do servo de Deus. O Senhor tem conduzindo nossos caminhos de forma justa, santa e amorosa. Nascemos de novo tão somente para refletir sua glória, em confiança e fidelidade. Quando confrontados pelo Altíssimo por meio do sofrimento, deveríamos entender como uma oportunidade de Deus a fim de crescermos na graça e no conhecimento dele mesmo.

Encontramos esta realidade descrita em Filipenses 1:29: Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele...

Em terceiro lugar, aprendemos que o sofrimento pode tumultuar o coração e a realidade.

Muitos cristãos sinceros, ao passar por tribulações, correm o risco de ter o coração agitado pelo sofrimento a tal ponto que a própria realidade se torna angustiantemente confusa. Mesmo os apóstolos, quando precisaram atravessar o mar da Galileia, foram surpreendidos por uma tempestade e ali, exigidos pela circunstância, ficaram aflitos pela possibilidade da morte. Com seus corações agitados por uma situação de grande perigo, elaboraram uma pergunta estranha a Jesus Cristo: “não te importa que pereçamos” (Marcos 4.38). Uma pergunta elaborada pelo medo e pela incerteza, questionando se Jesus Cristo não se compadecia deles! O Filho de Deus, Jesus Cristo, que veio fazer a vontade do Pai, cumprir a Lei, proteger e santificar os filhos de Deus, veio para sofrer e morrer por causa dos nossos pecados... evidente que Jesus se importava. Seus discípulos sabiam disso, porém, quando agitados em seus corações pela tempestade e a iminência da morte, questionaram o cuidado de Jesus sobre eles. Quantas vezes usamos o mesmo argumento? Quantas vezes duvidamos do amor e do cuidado de Jesus. Mesmo sabendo de sua presença em nós e do seu cuidado pastoral (João 13.1), quantas vezes nos sentimos sozinhos, os mais solitários do mundo? Com certeza posso afirmar que o sofrimento nubla nossa percepção da realidade.

O salmo 77 registra a percepção de um servo de Deus em meio ao sofrimento. O salmista buscava desesperadamente por consolo e amparo. Temporariamente não sentiu a presença de Deus ao ponto de duvidar da renovação das misericórdias do Altíssimo (Salmo 77. 1 a 10a). Quando foi alcançado por santa iluminação, entendeu que o problema não era Deus, mas ele mesmo. Então ele escreveu: “isso é a minha aflição; mudou-se a destra do Altíssimo. ” Na realidade não foi Deus quem mudou, pois Deus não muda (Tiago 1.17). O que mudou foi que Asafe voltou seu coração para Deus, e fixou nele e em seu caráter, sua confiança – finalmente descansou e pôde exaltar a Deus.

Asafe encontrou forças em Deus pois lembrou do caráter de Deus.

Semelhantemente, o filho pródigo foi confrontado pela dura realidade da humilhação (comer junto aos porcos foi apenas um dos capítulos da história). Ao lembrar-se do caráter do pai (o pai da parábola aponta para Deus) encontrou forças para retornar.

Davi encontra forças em Deus para clamar perdão pelo crime cometido.

Pedro encontra forças em Jesus Cristo para ir ao encontro do seu mestre e ser devidamente tratado por ele.

Assim como Deus usou momentos dificílimos na vida de muitos servos no passado, continua usando tais momentos para nos fazer entender que dependemos exclusivamente dele. Por santa prudência, ninguém deveria orar pedindo provações. Entretanto, como parte da vida, devemos encarar o sofrimento como uma maravilhosa oportunidade de Deus para moldar nosso caráter, para nos fazer mais dependentes dele, para nos humilhar a fim de moldar nosso coração conforme a imagem de seu filho.

Por fim, é bom lembrar que Deus, nosso Pai celestial, jamais desamparará seus filhos. Ele nunca nos abandonará. Ele afirmou isso e aquele que jurou não nos abandonar, cumprirá sua palavra.

Jean Carlos Serra Freitas

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Quem controla você?

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Absalão finalmente conseguira ordem do Rei Davi, seu pai, para que voltasse a Jesusalém. Ele havia fugido após assassinar seu meio-irmão e ao retornar, poderia ficar em sua casa, mas sem ver o rei. Dois anos se passaram e Absalão foi admitido à presença de Davi. A paz entre os dois parecia ter sido selada, entretanto, Absalão começou um plano a fim de tomar o reino de seu pai. Durante quatro anos ele se colocou diariamente à frente do palácio e sempre que alguém chegava com alguma demanda para que o rei julgasse, Absalão insinuava: “Você até que tem uma boa causa, mas não será ouvido... Ah se eu é que fosse o rei, eu ajudaria todos aqueles que viessem com alguma questão, estabelecendo a justiça”. Além disso, não permitia que os homens se inclinassem perante ele, antes, estendia a mão e os beijava. O texto bíblico diz que “desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juízo e, assim, ele furtava o coração dos homens de Israel (2Sm 15.1-6). Quando Absalão proclamou o golpe contra o rei, o povo já estava do seu lado.

Creio que essa história é uma boa ilustração daquilo que o Senhor Jesus afirmou a seus discípulos, “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21). O que alguém tem como seu desejo mais precioso (tesouro) governará o seu coração, logo, o desejo que controlar o seu coração, controlará também a sua vida. Não é, então, sem razão, a advertência do livro de provérbios, “acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida (Pv 4.23 – NVI).

Sendo, então, verdade que somos controlados pelos desejos que governam o nosso coração, pode-se afirmar que aqueles que sabem o que controla o nosso coração podem também nos controlar ou manipular. Absalão sabia o que o povo desejava, o que estava em seu coração. Eles queriam ser ouvidos e ter suas causas julgadas e foi assim que se apresentou, cativando-os e levando-os a tomar parte em sua conspiração [qualquer semelhança com o populismo do nosso governo não é mera coincidência].

Infelizmente, muitas vezes controlamos e somos controlados por outras pessoas mais do que gostaríamos de admitir e o controle sempre se dará por conta daquilo que se tem como “o” tesouro do coração.

Seja no caso de um pai dizer ao filho que se ele se comportar vai ganhar aquele vídeo game que tanto queria ou de um político prometer aquilo que o povo tanto anseia a fim de angariar votos ou de uma empresa investir na valorização do cliente para que seus lucros aumentem ou ainda quando um rapaz flerte com uma moça elogiando aquilo que ele entende de que ela se agradará, o que está por trás é sempre o mesmo: ser bem sucedido em sua investida ao oferecer aquilo que o outro tanto deseja. É exatamente por isso que ao oferecer aquilo que o outro não deseja, a tendência é que cada uma dessas investidas citadas seja mal sucedida. Um filho não se comportará em troca de um brinquedo que não goste, o eleitor não votará em um político que prometa aumentar ao máximo os impostos, um cliente não procurará uma empresa que o trate como “um qualquer”, tampouco uma moça aceitaria namorar um rapaz que, de cara, dissesse que ela não vale tanto a pena, mas que seria sua única opção.

Mas essa dinâmica pode ocorrer também de forma inversa. Por exemplo, uma pessoa que tem como seu tesouro o “ser aceito pelos outros” tenderá a nunca desagradar ou contrariar ninguém, na esperança de ser acolhido; aquele que “ama a sua reputação” poderá ser tentado a mentir sobre si mesmo somente para manter o seu status; uma esposa que tem como seu tesouro mais precioso o seu marido, pode sofrer várias humilhações sem confrontá-lo, com medo de perdê-lo. A realidade é triste! Se o homem não tiver o Senhor como seu tesouro mais precioso, certamente será controlado por aquilo a que ele conferir esse status.

Não é de se admirar, então, que o mandamento mais importante, conforme respondeu o Senhor à pergunta do intérprete da Lei, seja: “amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22.37). Para que isso pudesse ser uma realidade, o Senhor prometeu, por meio do profeta Ezequiel, que tiraria do povo o coração de pedra e colocaria um coração de carne para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os executem; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Ez 11.19-20).

Aqueles que nasceram da água e do espírito e que têm esse novo coração são capacitados a viver para Deus. Entretanto, como o Senhor já nos resgatou, mas ainda não fomos plenamente transformados (1Jo 3.2), até o dia final enfrentaremos a luta que acontece diariamente da carne contra o Espírito. Graças a Deus não estamos sozinhos nessa luta e, pela graça de Deus, podemos mortificar os desejos da carne (Rm 8.13), desfrutar da liberdade que temos em Cristo ao não nos submetermos novamente a jugo de escravidão (Gl 5.1), tendo sempre em mente que, apesar de todas as coisas serem lícitas, não podemos nos deixar dominar por nenhuma delas (1Co 6.12).

Vivendo assim, os desejos do seu coração estarão no lugar correto e você não pecará para realizá-los, antes, colocará cada um deles aos pés da cruz do Redentor, esperando nele a concretização, se assim for do seu sábio querer. Você também não será manipulado por ninguém, pois sempre terá a Palavra de Deus como crivo para o que for realizar, tampouco desejará manipular a outros. Pela graça de Deus, procure viver sempre em submissão, mas somente a Cristo Jesus, nosso Redentor!

Milton Jr.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Intimidade com Deus: um estudo de caso

Dias atrás lemos o Evangelho de João, na igreja. Eu tenho uma fraqueza pelo evangelho de João. Escrito pelo "discípulo amado", estruturado de uma maneira única e magnífica, o texto é uma obra de arte, tanto na fidelidade dos acontecimentos registrados quanto na habilidade de tratar de maneiras emocionantes certos episódios.

Para mim, que sou cristão e acredito que Jesus seja quem diz ser, não consigo evitar o caráter extremamente emocionante de se ter privado da amizade do Redentor da forma como tanto Lázaro e suas irmãs privaram, quanto João, o escritor do evangelho, também privou. Você consegue imaginar o que é ter sido um amigo próximo de ninguém menos que Jesus? Muitos foram discípulos, mas um só foi "o discípulo amado"! Já pensou no que isso significava para João? 
Então, quando a leitura no capítulo 11 do evangelho de João começou a ser feita, eu fui transportado pelos poderes da imaginação até à cena ali descrita. Se por um lado este evangelho me chama a atenção de modo especial, por outro eu sou ainda mais intrigado pela proximidade que a família de Lázaro tinha com Jesus Cristo.

Me pus, depois, a pensar sobre alguns detalhes deste texto... Somos informados do relacionamento especial que eles tinham com Jesus, pois, primeiro, Maria é identificada como aquela que, no capítulo seguinte, seria a mulher que devotaria a Jesus um perfume caríssimo, enxugando seus pés com os próprios cabelos, e também pela maneira com que Marta e Maria se referem a Lázaro, com vistas a trazer o quanto antes a Jesus para ver o adoentado: "aquele a quem amas" (vs3). Não obstante isso, é dito que Jesus amava a Marta, Maria e Lázaro (vs4), e posteriormente a multidão testemunhou: "Vede quanto o amava" (vs36). Não restam dúvidas que eles três eram amigos chegados do Redentor.

No mundo de hoje é difícil de imaginar uma amizade tão pura e singela quanto a deles quatro. É comovente e até tem o poder de nos arrancar lágrimas dos olhos, o meditar nesta pura amizade e no amor mútuo que eles devotavam uns aos outros. Adianto que, o ambiente em que este amor desabrochava era o ambiente da fé em Jesus Cristo como Messias, ou seja, a fé naquele que dizia que "quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente..."

Muitas pessoas pensam que uma maior intimidade com Deus é justamente o fator de proteção necessário para se evitar passar por desventuras e infortúnios. Os menos afetados por esta deturpação teológica ainda nutrem a expectativa de que uma maior proximidade com Deus o faça atendê-los com mais rapidez. Contudo, todo amor e proximidade que tinham com Jesus não o demoveu de seu intento de fazer brilhar na história daquela família a glória do Pai, sua primeira e mais importante missão, ao passo que revelaria a si mesmo como quem ele realmente era, o Filho de Deus. Esta foi a resposta que deu quando soube da doença que acabaria por ceifar a vida do amigo Lázaro: "Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado". A manifestação da glória de Deus é a missão da existência de tudo, e a razão da nossa vida (cf. BCW, perg.1).

Aprendemos colateralmente (digo isso porque este não é foco deste texto) que não precisamos encontrar um equilíbrio entre nosso amor aos amigos e nosso amor a Deus. A vida é complicada, sem dúvidas, mas podemos descomplicá-la aos poucos, quando nosso amor aos amigos é uma expressão do nosso amor a Deus.

Ainda que certos do amor de Jesus para com eles, foi de se estranhar que tenha se demorado mais dois longos dias antes de partir em jornada rumo à casa de Lázaro e suas irmãs. Quando finalmente decidiu ir, os discípulos tentaram dissuadir Jesus do plano, visto o perigo iminente. Contudo, como quem não tem o que temer (vs7-10), Jesus os repreende alertando-os quanto ao fato de Lázaro ter adormecido. Eles não entendem no princípio de que Jesus já sabia da morte do amigo, mas quando lhes é explicado, fica claro que tudo sempre esteve debaixo de seu governo e o plano era que as coisas acontecessem como estavam acontecendo.

Se os olhos comandarem a vida, há que se fazer força para acreditar que haja amor em alguém que, diante da urgência, ainda demore dois dias para partir. Mas quando o amor sincero é conhecido no coração, e a fé é a certeza daquelas coisas que não se veem, então, mesmo que demore, ficamos certos da amizade, amor e carinho declarados. Isto deve ser verdade quando tratamos do próximo, tanto quanto do Senhor Deus: pense nos clamores fervorosos que elevamos a Deus em oração, na expectativa de que ele nos atenda em nosso limite de tempo, e não acontece como planejamos. Sabemos que Deus poderia ter alterado o resultado final, mas, confiamos de que o resultado que temos diante de nós é o melhor e a manifestação da sabedoria de um Deus que nos ama e opera todas as coisas para o nosso bem? Que desafio é crer que o pior, tanto quanto o melhor segundo nossos padrões, são sempre expressões da boa vontade de um Deus que nos ama!?
Quando oramos pedindo que Deus faça o que pensamos ser a melhor solução, que atue antes do pior acontecer, não nos ocorre que Deus queira que justamente o pior aconteça e que tal coisa seja, portanto, parte de seu plano soberano e uma expressão de sua "boa, perfeita e agradável" vontade.

O tempo da chegada e a distância que percorreram dão ao leitor o contexto geográfico da história. E João agora passa a narrar o encontro das irmãs do falecido com Jesus, recém-chegado em Betânia.
Marta, ativa como lhe era peculiar, sai ao encontro de Jesus e derrama sobre ele sua constatação pessoal que seria depois repetida por sua irmã: "Se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão...". Elas sabiam que Jesus tinha como curar seu irmão daquela doença. Sabiam e o buscaram à tempo. Bastaria que uma palavra fosse dita, um pensamento naquela direção, e Lázaro estaria bem. Mas agora, 4 dias após, pouco, senão nada, poderia ser feito. Morreu o doente. Dizem que para tudo na vida tem conserto, menos para morte. Acredito que assim dizem porque, tal como as irmãs pensavam, o que tem que ser feito e dito tem de o ser enquanto a pessoa está viva. O objetivo principal da atuação de Deus em nossa vida não é nos fazer felizes conforme os nossos parâmetros de felicidade, mas fazer bilhar sua glória e graça nos eventos de nossa vida, e assim, na medida que nos conforma à semelhança com Cristo, nos preparar para a felicidade eterna e verdadeira, reservada para nós no céu.

A esta altura é digna de nota a fé de Marta, evidenciada quando disse "também sei que, mesmo agora, tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá". Mesmo assim, nem ela poderia imaginar o que estava prestes a testemunhar. Antes de mandar chamar a Maria, Jesus e Marta falam da ressurreição de Lázaro. Marta entende se tratar daquela que acontecerá no último dia. Jesus lhe responde: "Eu sou a ressurreição e a vida". Pense por um minuto no que esta resposta significa. Não esqueça de incluir a cara de "interrogação" de Marta enquanto ouvia a resposta, ainda que ela não tivesse nenhuma predisposição de duvidar daquelas fortes e enigmáticas palavras. Vivemos num mundo cheio de explicações. Uma rápida pesquisa na internet e podemos encontrar os porquês de quase tudo que se imaginar. Um mundo assim oferece pouco incentivo para que confiemos naquilo que nem sempre entendemos. Para confiar e crer, queremos antes entender e compreender bem. Mas algo que esteja dentro dos limites da nossa razão não pode chamar a si mesmo de infinito, não é? Não sei como você reagiria, mas por vezes me pego menos propenso que Marta a descansar em palavras que entendo, mas não compreendo seu inteiro significado... Bom para Marta... Creu e viu.

Falando de Maria, gosto de pensar nela como a irmã mais nova do grupo de irmãos. Ela agora aparece na cena, seguida daqueles que a consolavam, e acabaram testemunhando seu encontro com o Redentor. Suas lágrimas, intensas, verdadeiras e doloridas, somada às dos demais que a acompanhavam, comoveram a Jesus. Neste ponto muita discussão se levanta sobre a dupla natureza do Redentor. Há quem queira um redentor sisudo, desprovido de emoções humanas, absolutamente indiferente ao turbilhão de emoções que acomete nosso coração, alguém que está tão somente comprometido com seus objetivos. Outros, igualmente exagerados, querem um redentor em extremo emocionado, com sentimentos à flor da pele e mais comprometido com nosso bem-estar do que com a Glória de Deus, a quem veio revelar e glorificar.
Por mais que veja alguma pertinência na discussão, não a vejo no evangelho de João, senão o emblemático registro de que "Jesus chorou". Oras, a Bíblia diz que "vendo-a chorar, e bem assim aos judeus que a acompanhavam", em seu espírito ele ficou bravo, e aquilo o comoveu, ou seja, ele ficou inquieto, perturbou-se lhe a paz interior. Uma boa forma de dizer que suas afeições internas começaram a se movimentar intensamente... Ele se emocionou. Indignado com o resultado do pecado, e comovido pela tristeza que a morte traz, seus olhos, humanos como os nossos, reagiram como tais enquanto caminhava em direção ao túmulo com Maria e os demais que lamentavam o ocorrido e quando finalmente chegam, Jesus chora!Os que criam se emocionaram juntos, enxergando o amor que tinha pelo amigo. Os incrédulos, cegos, nada podiam ver senão a própria incredulidade (vs 36 e 37).

Tomado novamente por sentimentos que lhe nasciam do coração, Jesus ordena que tirem a pedra e... bom, antes que ele pudesse fazer alguma coisa, Marta se adianta lembrando que a esta altura a decomposição do corpo já resultaria em mau cheiro. Fico comovido com este relato todo, e ainda mais agora, quando Jesus carinhosa e pacientemente pede que Marta não interfira, mas que apenas creia, e veja. Sempre me maravilho com a capacidade do Senhor Jesus em pegar situações, pessoas e contextos estragados, destruídos, malcheirosos e fazer brotar vida, como flores em galhos secos...

Jesus ora e ordena que Lázaro saia ressurreto do túmulo. Para surpresa de todos, Lázaro sai pulando, não porque está alegre, mas porque seus pés estão amarramos e seu rosto coberto por um lenço... E é aqui que as palavras de Jesus ficaram inquestionavelmente claras para Marta, Maria e os demais: Ele realmente era, como de fato é, a ressurreição e a vida. No final, toda a multidão presente à época e as multidões incontáveis dos que se unem na leitura deste relato, ficaram sabendo que Deus havia enviado Jesus Cristo para este mundo. Descobrem também que a ressurreição e a vida não são um evento tão somente, mas uma pessoa, cuja ordem é capaz de fazer levantar a quem já havia morrido há 4 dias, 4 anos, séculos ou milênios. Bastará uma só palavra, e à voz de sua ordem, os mortos ressuscitarão, uns para vida, outros para o terro eterno.

Fico imaginando os olhos das irmãs, cheios de lágrimas... antes, eram de tristeza, agora de indizível alegria, confundidas nos olhos de quem parece não crer no que vê (curioso, pois só viram porque creram...). Olham para Lázaro saindo, olham para Jesus, olham de novo para Lázaro, e novamente para Jesus. Depois, aquela chuva de abraços, beijos e risos. Nesse contexto de grande emoção, carinho e amor, ainda ressoavam nos ouvidos as palavras "eu sou a ressurreição e a vida"...  Mesmo para nós, agora, se crermos, veremos. Não já, mas algum dia, nem que seja naquele dia final, e partilharemos desta alegria, maravilhados, o fato que aqui é descrito em palavras: ressurreição e vida. Para quem crê, desde já, Jesus é a ressurreição e a vida. É sempre muito difícil para um aconselhando que acaba de entrar na sala, imaginar o final extraordinário que Deus lhe reserva. Pode não ser imediato, pode parecer até impossível, mas é aqui que a fé no que Jesus pode fazer perfaz fundamental diferença, dá esperança de glória e paciência para aguardar, perseverando por todo o caminho que o aconselhamento a fará trilhar, certos somente de que Deus, de uma forma ou outra, manifestará sua glória em e através de nós.

Jônatas Abdias

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O coração do aconselhamento bíblico é a própria Bíblia

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Há alguns anos participei de uma conferência de aconselhamento bíblico, organizado pela ABCB (Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos) cujo tema era: “A Bíblia tem todas as respostas”. Fiquei admirado em ver a declaração sem melindres, sem subterfúgios, sem maquiagem alguma, sem nenhuma distração. E, por que estou tratando disso? Por uma razão preocupante. Vivemos numa época em que muitos cristãos não estão acreditando mais que a Bíblia tem, de fato, todas as respostas.

Antes de continuar, é necessário esclarecer que, ao afirmar que a Bíblia tem todas as respostas, me refiro exclusivamente ao propósito central da Bíblia, que é revelar o caráter de Deus na salvação do pecador. O apostolo Paulo tratou deste assunto.

...e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. (2 Tm. 3. 15-17).

A Bíblia não é um livro de filosofia, não é um livro de ciências. A Bíblia é o grande e precioso livro sobre Deus, Cristo, e a salvação do pecador. Portanto, a Bíblia tem todas as respostas referente ao seu propósito declarado em suas próprias páginas.

Que o mundo desdenhe ou ignore deste maravilhoso e inigualável livro, sinceramente, não me espanta. O que me espanta, e muito, é ver e perceber um duplo acontecimento. Em primeiro lugar, ver os ministros da Palavra de Deus, os pastores, fraquejarem diante da bendita verdade do glorioso propósito da Bíblia. Por outro lado, muitos parecem não acreditar que, de fato, a Bíblia tenha todas as respostas para a alma humana. Tal procedimento abre a porta para que outros recursos sejam utilizados, afinal, se o primeiro não é suficiente, se faz necessário buscar outros recursos.

Minha segunda inquietação é ver a aceitação desta mensagem ruim ser abraçada por muitos e muito rapidamente. As barreiras de contenção têm se mostrado frágeis e, por causa de uma cultura bíblica empobrecida, cada vez mais se abraça o secularismo e a dúvida quanto a suficiência da Bíblia.

É claro que nem tudo está perdido. Ao mesmo tempo que percebo o avanço do sincretismo bíblico com os recursos ímpios, vejo muitos cristãos, com alegria, conhecendo o aconselhamento bíblico, como uma ferramenta maravilhosa e insubstituível, afinal, passaram a crer, ou, creram de forma mais cristalina, que a Bíblia tem sim, todas as respostas.

O autor da carta aos Hebreus faz uma declaração impactante. Vejam:

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. ” (Hebreus 4.12).

Precisamos de uma fonte segura de conhecimento objetivo, a fim de podermos avaliar, segundo o padrão de Deus, o que se passa em nosso íntimo. Em meio a dor e sofrimento, perdas e incertezas tanto quanto bons períodos de calmaria, bonança e prosperidade, necessitamos sempre de uma leitura precisa das nossas reais motivações. Eis, portanto, a Bíblia, a Palavra de Deus, viva e eficaz para ajudar o pecador a entender quais sãos os pensamentos e propósitos do seu coração.

Em certa ocasião, ouvi um expositor afirmar que a Bíblia não tem todas as respostas. Disse ele: “a Bíblia não diz qual a cor ou qual o carro devo comprar”. É verdade, porém, ela examina o coração e traz à tona qual a minha motivação para comprar determinado produto.

Seria prudente lembrarmos do testemunho que a Bíblia dá de si mesma:

Salmos 19.7 - A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices.

Salmo 119. 22: Tira de sobre mim o opróbrio e o desprezo, pois guardei os teus testemunhos.

Salmo 119. 23: Príncipes também se assentaram, e falaram contra mim, mas o teu servo meditou nos teus estatutos.

Salmo 119. 24: Também os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros.

Salmo 119. 25: A minha alma está pegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra.

O que faríamos sem os belos exemplos dos Salmos. Os escritores não esconderam suas crises de fé, suas angústias ou mesmo o estrago que o pecado produziu, porém, em todas estas experiências registradas, vemos a intervenção de Deus e o resultado final é adoração a Deus, contentamento e alegria por servir ao Deus altíssimo.

O que faríamos e como procederíamos sem os solenes alertas dos profetas? Homens usados por Deus para denunciar os males da sociedade, os procedimentos egoístas e a corrupção moral e espiritual. Porém, em cada sentença contra a impiedade, lá estava o recurso e a resposta para resolver os problemas daquelas práticas ruins. O caminho era o arrependimento, ou seja, para cada desvio denunciado, o antídoto para a reconciliação era apresentado. Arrependimento do vil pecado e adoração e contentamento em Deus somente.

O que faríamos sem as instruções da nova aliança, anunciadas pelo profeta Jeremias (Jr. 31. 31...) e cumprida em Jesus Cristo? O anúncio das boas novas encheu o coração de pecadores de esperança redentora.

Como vemos, a Bíblia tem todas as respostas referente ao seu propósito. Negar, nublar de alguma forma tal verdade, ou mesmo misturar a verdade de Deus com a falsa verdade dos homens, é oferecer água contaminada aos sedentos.

A Bíblia tem todas as respostas para pais que perderam seus filhos, para os filhos que perderam seus pais; a Bíblia tem todas as respostas para as angustias dos tempos modernos; a Bíblia tem todas as respostas para enfrentar a frieza espiritual; a Bíblia tem todas as respostas para nos ajudar a enfrentar nosso pecado e Satanás, nosso inimigo; a Bíblia tem todas as respostas para ajudar no enfrentamento dos dilemas do coração, das incertezas quanto ao futuro, sobre a morte e sobre a vida.

Para cada crise que este mundo apresenta, temos uma resposta viva e eficaz, que é a Palavra de Deus.

Jean Carlos Serra Freitas

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