terça-feira, 27 de outubro de 2015

Fique atento às suas motivações

motivação coração2[4]Deus não está mais preocupado com o que fazemos do que com a razão pela qual fazemos e é fácil perceber isso nas Escrituras. Esse foi o motivo de Jesus afirmar categoricamente acerca dos fariseus: “Esse povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15.8). Ao mesmo tempo em que declaravam louvores ao Senhor, os fariseus negavam a Palavra e ensinavam seus próprios princípios (Mt 15.9).

Podemos verificar essa mesma verdade no julgamento de Jesus quanto às “boas ações” dos fariseus, por ocasião do sermão do monte. Ali o Senhor os chamou de hipócritas, repreendendo suas ações de dar esmolas (Mt 6.2), orar nas sinagogas e praças (Mt 6.5) e fazer jejum (Mt 6.16). Conquanto essas atitudes não fossem pecaminosas em si mesmas, acabavam se tornando pecado por causa da motivação dos fariseus para fazerem todas elas: “serem glorificados pelos homens”, “serem vistos dos homens” e “com o fim de parecer aos homens”, respectivamente.

Ao invés de buscar o reino de Deus e a glória do Redentor, os fariseus estavam preocupados com seus reinos pessoais e com a glorificação de si mesmos.

Infelizmente essa não era uma realidade exclusiva dos fariseus. Vemos todos os dias cristãos tentando evitar o pecado, também motivados por seus próprios reinos. Isso pode ser verificado em conselhos como: “Não tenha relações sexuais antes do casamento, pois se você engravidar vai estragar sua vida e terá que parar de estudar para se dedicar ao bebê”; ou, “Eduque o seu filho para que não precise passar vergonha na frente dos outros quando ele lhe desobedecer em público”; ou ainda; “Agrade o seu cônjuge para que conceda o carinho de que você precisa”.

Conselhos como esses estão totalmente comprometidos somente com o “reino do eu”, com aquilo que é bom para mim e, por isso, ainda que os jovens sejam castos, os filhos educados e os cônjuges estejam vivendo bem, Deus não está sendo honrado.

Há ainda outra questão. Quando o motivo para se evitar o pecado é algo que “eu” acho que trará uma consequência ruim para o “meu reino”, além de se ter um entendimento distorcido de em que consiste a vida cristã, bastará que “eu” mude de opinião para começar a fazer o que eu antes proibia. Tomando um dos exemplos acima, teríamos alguém evitando sexo antes do casamento para não correr o risco de uma gravidez indesejada. O ensino distorcido que fica claro é: filhos são um problema. Mas se a opinião sobre isso mudar e se entender que ter filhos é algo bom (o que é verdadeiríssimo) não haveria mais a “barreira” para o sexo pré-marital. Se o reino é meu, as regras são minhas e, por conta disso, nunca haverá honra a Deus.

Para que o Senhor seja honrado as razões para não pecar devem emanar da sua Palavra e do entendimento de que o pecado é primeiramente uma afronta à sua santidade. Assim, o relacionamento sexual antes do casamento deve ser evitado porque afronta a Deus (Hb 12.4), os filhos devem ser educados para honrar a Deus (Dt 6.1-7) e os cônjuges dever servir um ao outro porque essa é a vontade de Deus (Ef 5.21-33).

O pecado não é ruim, primariamente, por causa das consequências que traz, mas por causa de quem é primeiramente afrontado, o Santo Deus, e isso deve nortear também a nossa confissão de pecados, que pode revelar um coração arrependido ou simplesmente remorso e aqui estamos, mais uma vez, a tratar de motivações.

Para ilustrar, pense em dois exemplos conhecidos. Sabemos que Judas traiu a Jesus e às vezes nos esquecemos de que Pedro também o fez, quando o negou. A diferença entre os dois foi que Pedro entristeceu-se por ter traído o mestre (Mt 26.75) e mais à frente foi restaurado (Jo 21.15-17), enquanto Judas entristeceu-se por causa da consequência de sua traição, que foi a condenação à morte de Jesus (Mt 27.1-3), e, não conseguindo viver com o remorso, suicidou-se. Os motivos foram bem distintos.

As motivações procedem do coração (Mt 6.21), razão de lermos em Provérbios que “assim como a água reflete o rosto, o coração reflete quem somos nós” (Pv 27.19 - NVI). É o nosso coração que demonstra se vivemos para Deus ou se vivemos para nós mesmos. Diante disso, devemos fazer coro com o salmista e, perante Deus, afirmar: “Guardo no coração as tuas palavras” – com a mesma e correta motivação – “para não pecar contra ti” (Sl 119.11).

Vivendo dessa forma poderemos, como ordenou Paulo, comer, beber, ou fazer qualquer outra coisa sempre motivados por dar toda a glória a Deus (1Co 10.31).

Milton Jr.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Uma ajuda para quem aconselha casais (e outras pessoas)

 

O conselho que tenho para dar aqui é: pense além dos textos sobre casamento.

As pessoas sustentam uma visão muito superficial do que seja aconselhar biblicamente, se por aconselhar casais você entende aplicar, ainda que corretamente, os textos sobre casamentos encontrados na bíblia, ao problema que o casal está enfrentando. Ainda que isso venha a acontecer, confinar o aconselhamento de casais à isso é reduzir em muito a ajuda que podemos dar ao casal que precisa dos direcionamentos preciosos que Deus nos dá na Palavra, mas estão em outros contextos espalhados pelas suas páginas. Este reducionismo pode ser expresso das mais variadas formas, e por alguns é até justificado. Mas quem faz assim não está fazendo um uso apropriado da Bíblia.

A dificuldade principal, se podemos colocar assim, vem por conta da Bíblia não ser um compêndio temático de problemas humanos com as respectivas respostas divinas, como se pudéssemos, ainda que através de seu complicado índice, achar o problema, que estaria registrado lá, seguido da solução. Justamente por ser esta uma configuração aparentemente mais fácil, podemos imaginar que tenha sido uma das razões para o atual Manual que lista todos os alegados problemas humanos tratáveis pelos profissionais da área de ajuda. Aqui é difícil não generalizar, mas não me restam outras alternativas, peço a gentileza da generosidade do leitor.

Continuando... Creio que haja muita gente bem-intencionada querendo ajudar, com uma aproximação limitada como essa. Você deve estar consciente, desde já, que agir assim é, no mínimo, ser superficial. Por que? Porque pensar biblicamente sobre um problema matrimonial envolve muito mais do que somente levar em consideração somente os textos nos quais o casamento parece ser o foco principal. Pensar biblicamente é dar ao seu sistema de pensamento limites conceituais que nascem de um correto entendimento da Palavra de Deus, entendida em seus apropriados contextos, mas entendida principalmente como a fidedigna revelação de um Deus que nos ama e se importa conosco, ao ponto de fazer registrar não somente as soluções para nossos probleminhas vivenciais, mas na medida que o faz, estar registrando a história da nossa redenção que foi consumada em Cristo na cruz, e é aplicada em nós pelo Espírito Santo.

A beleza de enxergarmos o amor de Deus revelado nas Escrituras vai além do conteúdo. Esta visão deve alcançar a beleza da forma como Deus fez registrar sua revelação especial. Ao fazê-lo como fez, ele não somente nos deu frias soluções de problemas, mas revelou-se a si mesmo. Sim! Em primeiro lugar, o que temos é Deus descortinando seu caráter e seu plano para nós. Aos poucos e amorosamente, Deus foi se fazendo conhecer de um modo que não ficássemos sobrecarregados dele, mas pudéssemos ver claramente sua sabedoria, amor, poder e graça, dentre outras muitas qualidades, sendo não só admitidos pela mente, pelo entendimento, mas experimentadas na vida, na experiência pessoal e comunitária.

Isso nos leva a considerar o outro benefício decorrente do formato de Deus nos ter dado a Escritura como fez. Deus nos deu histórias. Ele mostrou na vida real, de pessoas reais, com problemas reais e iguais aos nossos que sua vontade é a melhor, seu querer é soberano, seu amor é preferível... Que não podemos viver à parte dele. Deus aqueceu cada solução no calor da discussão, mas trouxe pronto refrigério, para que soubéssemos que, quando fôssemos nós a passar pela prova, saberíamos que outros tiveram êxito por que contavam com a mesma excelsa companhia (Deus-Conosco).

Quando nosso campo de visão é aumentado por essa percepção, tomamos consciência de que Pedro realmente tinha razão ao afirmar que já nos fora dado tudo o de que precisamos para viver esta vida piedosamente (2 Pe 1.3). Mas não falta quem sustente a ideia de que se a Bíblia não falou especificamente sobre o problema, então ela não tem nada a dizer sobre o problema.

Portanto, aprenda a fazer uso correto da Escritura no aconselhamento:

1. Quando o problema é tratado diretamente na Bíblia, ela funciona como um preciso mapa. Se houvesse como um GPS para nunca errar, não seria ótimo? Já inventaram um. Seu inventor é Deus, e seu nome é Bíblia. Este divino GPS, quando trata de um problema diretamente é um mapa de precisão nanométrica. Assim, Deus nos guia inequivocamente. Mas nem sempre temos um texto que trata diretamente do nosso problema. Creio que a maioria das pessoas sabe usar (ou saberia usar) a Palavra de Deus quanto há orientações diretas. Mas quando elas faltam? Aí entram os curiosos dizendo que a Escritura nada tem a dizer sobre o tema... O que fazer? Vá para o tópico seguinte.

2. Muitas vezes a Bíblia trata do tema indiretamente. Nesses casos, ela funciona mais como uma proteção, uma certa que delimita claramente os limites da ação cristã. Mesmo que indiretamente, as implicações de uma certa lei, ou de uma certa doutrina se encaixam perfeitamente ao tema. Fique atento para ouvir mais do que está sendo dito, quando estiver ouvindo uma exposição bíblica fiel. Isso resolve até certo ponto, pois a capacidade humana de criar problemas difíceis, unido ao fato de que esse vive num mundo suficientemente complicado, trazem problemas que vão além de orientações diretas e indiretas. Como lidar com a vida de modo agradável a Deus quando não houver instruções, nem diretas, nem indiretas, sobre o problema específico que passamos, ou sobre as dúvidas que nutrimos?

3. Caminhando sobre a fé de que temos na Palavra de Deus tudo de que precisamos, nossos solhos se abrem para o fato de que temos mais na Palavra. Podemos não ter orientações, mas sempre teremos direções gerais. A Bíblia foi forjada na vida, não num ideal imaginário. Vivemos versões modificadas do que todos antes de nós viveram, mas muito dificilmente experimentamos algo realmente inédito (como já dizia o sábio em Eclesiastes, afirmando que nada há de novo debaixo do sol: Ec 1.9). O que fazer com orientações gerais? Eles te servem como um "norte", como em uma bússola. Quando estamos perdidos, e não sabemos como chegar ao local de destino, qualquer ajuda serve. E como é bom quando, mesmo que a orientação não seja tão precisa, sabemos que a saída é "por ali"! Para muitas situações na vida, Deus não dá orientações diretas, pois sabe que Ele mesmo nos deu discernimento suficiente para sair da enrascada que estamos, somente com a seta no "Norte" da sua vontade. Em situações com direcionamentos gerais, a Bíblia funciona como uma infalível bússola.

4. Mas digamos que a Escritura nada fale sobre o tema. Sim, digamos que ela não nos forneça qualquer instrução. Poderia a Escritura, ainda assim, me ser útil em meu problema, dilema, dúvida ou questão? Eu acredito que sim, pois ainda em tais casos extremos, Deus continua jogando luz para o nosso caminho, a fim de não tropeçarmos. Se há horas em que nos sentimos como que barcos perdidos num imenso e revolto mar, desistir não é uma opção para o marinheiro que sabe que, cedo ou tarde, a luz insistente de um longínquo farol haverá de furar as trevas da tempestade, fornecendo uma direção segura.

Olhe além, e você sempre enxergará utilidade na Palavra de Deus. Aconselhe usando "todo o conselho" de Deus, e os casais que estão sob seus cuidados obterão melhor proveito do aconselhamento, ao passo que também aprenderão a ver além dos textos básico, para o todo de uma Revelação que revela mais do que podemos ver.

Jônatas Abdias

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sobre o adultério – uma perspectiva bíblica

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Adultério ainda é encarado como uma grande tragédia entre os cristãos. Não poderia ser diferente. Vemos o próprio Deus condenando de forma muito dura o adultério.

Hebreus 13.4: Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.

Quando tratamos deste assunto, normalmente nossos esforços repousam sobre quem foi traído e raramente sobre aquele que traiu. Nos esquecemos que, numa história de adultério há duas partes envolvidas e ambas sofrem. Além disso, parece crescente a ideia entre os cristãos que o adultério não é pecado.

A igreja deve encarar esta triste realidade do adultério de forma bíblica e orientar os cristãos a terem uma perspectiva bíblica sobre este tema. Não podemos aceitar com tamanha passividade a forma de pensar ímpia sobre este e outros temas que envolvem a igreja tão diretamente.

Neste breve artigo, quero compartilhar algumas considerações sobre o adultério, à luz da Palavra de Deus, no intuito de ajudar aqueles que estão enfrentando o drama pecaminoso do adultério.

A primeira consideração é: quanto ao adultério.

Como já adiantei, há muitos cristãos atualmente considerando o adultério um “mal menor”, na tentativa de minimizar o adultério e suas consequências dramáticas. O Adultério é um pecado e deve ser encarado desta forma, afinal, as consequências deste pecado (como de qualquer outro pecado) é afastar o cristão daquela preciosa intimidade com Deus.

Isaías 59. 2: Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.

Adultério é pecado. Não é um pecado imperdoável, como pensam alguns, porém, é preciso pensar com clareza bíblica e anunciar tanto para a própria igreja quanto para o mundo como o adultério é apresentado pela Palavra de Deus.

Encontramos a sentença de que adultério é pecado na Lei de Deus. O sétimo mandamento da Lei de Deus não deixa dúvida: Não adulterarás (Êx. 20.14). Vejam outros textos bíblicos:

Provérbios 6.32: O que adultera com uma mulher está fora de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa.

Hebreus 13.4: Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.

Mateus 15.19: Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.

Definitivamente não há a menor possibilidade ao olharmos para a Palavra de Deus e vermos outra realidade, senão esta, que o adultério é pecado e deve ser encarado como tal.

A segunda consideração é: quem cometeu o pecado do adultério deve reconhecer que pecou.

Esta consideração pode parecer de uma obviedade desnecessária. Entretanto, no exercício do aconselhamento bíblico tenho escutado muito, tanto de homens quanto de mulheres, uma espécie de defesa do pecado, na tentativa de justificar ou minimizar o pecado cometido. A autojustiça emerge com força nos momentos de confronto. As desculpas aparecem apressadamente. Este não é um bom procedimento, não é um bom caminho a seguir.

Senso de ter cometido um pecado deve estar santificado, deve estar afiado. Não há espaço para justiça pessoal na vida cristã. Qualquer tentativa de se esquivar do fato real, tornará o coração ainda mais embrutecido pelo pecado cometido ou sofrido.

Tiago 1. 13-16: Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. 14. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. 15. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. 16. Não vos enganeis, meus amados irmãos.

Reconhecer o pecado como tal faz parte do processo de arrependimento. E não há a menor possibilidade de haver arrependimento sem o reconhecimento do pecado cometido. E esta é uma das recomendações – reconhecer que pecou e clamar perdão pelo pecado cometido, esperando pela maravilhosa intervenção de Deus.

Salmo 51.17: Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.

A terceira consideração é: quem cometeu o pecado do adultério deve esperar duras consequências.

As duras consequências do pecado de adultério são os frutos amargos a serem colhidos. Aqueles que cometeram o pecado do adultério devem estar preparados para: desconfiança, descrédito, afastamento de amigos, isolamento... enfim, a lista poderia se tornar maior que o desejado. Lembre-se que todos estes fatos são consequências daquele ato devastador que é o adultério.

Quem cometeu o ato de adulterar não poderia esperar um tempo de bonança e de paz. Como fruto amargo do pecado, tais fatos gerarão inquietação e surgirá a tentação da vitimização ou da diminuição do pecado. E antes mesmo do que imagina, estará tentado a afastar-se definitivamente da presença de Deus. Lembre-se que há perdão no horizonte. Lembre-se que Deus pode restaurar uma família destruída pelo adultério. Mas lembre-se que Satanás não quer que o pecador se arrependa. Satanás não quer que o pecador entenda que o fruto do pecado é a morte. Satanás não deseja que o pecador seja confrontado com seu pecado. Satanás não deseja vida, mas morte.

Por tudo isso, é importantíssimo entender o que segue sobre a próxima consideração.

A quarta consideração é: quem cometeu o pecado do adultério deve estar atento quanto ao engano pessoal.

Diante do quadro descrito acima, o pecador será tentado a pensar que:

· Não merece ser tratado assim;

· O julgamento está sendo duro demais;

· Afirmará que também está sofrendo;

· Afirmará que: ninguém sabe pelo que tem passado.

Cuidado com tais pensamentos, pois eles tentarão acomodar o pecado para o descanso da consciência. Não se deixe enganar. A separação que o pecado gera implica em distanciamento de Deus. A Palavra de Deus aponta para outro caminho. Aponta para o reconhecimento do pecado, reconhecimento da maldade do coração, reconhecimento da necessidade de ser limpo e purificado de todo o pecado.

Jeremias 17. 9 e 10: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? 10. Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações.

Salmo 51. 7-10: Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve. 8. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste. 9. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. 10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.

Todo o cuidado com o engano pessoal deve contemplar a realidade dura e feia do pecado. Mas somente isso não basta se os olhos não contemplarem Deus na beleza da sua santidade. (1 Crônicas 16.11).

A quinta consideração é: continue olhando para a cruz, continue olhando para Jesus Cristo.

Há muitos benefícios advindos da cruz de Cristo. Reconciliação com Deus, perdão de pecados, restauração, vida, força e vigor espirituais, esperança, confronto com o pecado, paz e comunhão.

O pecado do adultério tentará destruir aquilo que foi unido diante de Deus. Sei que muitos outros detalhes aconteceram antes do fato consumado do adultério. Sei que num primeiro momento o cônjuge traído sofre muito. Depois, sofrerá o cônjuge que traiu. Mas lembrem-se que antes da vergonha gerada pelo pecado do adultério, antes de pensar em como os outros reagirão ou pensarão, é necessário olhar para aquele que foi primeiramente atingido pela infidelidade, a saber Jesus Cristo. Ele foi o alvo primeiro de todas as circunstâncias ruins que antecederam o adultério. Ele continua sendo o alvo primeiro de todo o pecado. Pois todos nós que proclamamos amar o Senhor Jesus Cristo deveríamos refletir sua glória e seu caráter sendo sal da terra e luz do mundo. (Mateus 5.13).

Lembro-me de ter aconselhado um casal que estava disposto ao divórcio. Em certa ocasião em um dos encontros de aconselhamento, fiz a seguinte pergunta a eles: “vocês se lembram que Jesus Cristo morreu e ressuscitou? ” Eles responderam que sim, e questionaram: “mas o que isso tem a ver conosco? ”

Jesus Cristo continua interessado em todos os aspectos da nossa vida. Não podemos esquecer dele, do seu sacrifício na cruz em nenhum momento. Enquanto o mundo desconsidera completamente a Jesus Cristo e sua cruz, os que estão em Cristo, creem que é o poder de Deus. (1 Coríntios 1.18).

Olhando para Jesus Cristo na cruz do calvário somos lembrados do arrependimento, da confissão de pecados e da viva esperança.

Conclusão

O adultério é realmente devastador, porém, Deus é o Todo Poderoso que poderá restaurar o casamento devastado pelo adultério.

O cônjuge traído poderá olhar fixamente para o autor e consumador da fé. Poderá buscar renovo espiritual e refrigério para a alma cansada e abatida. Deverá buscar orientação bíblica para os dilemas da alma. Deverá estar disposto a glorificar a Deus e lutar pelo casamento. Deverá cuidar para não ser seduzido pelas vozes ímpias da autossatisfação.

O cônjuge que traiu deverá proceder com humildade e aceitar a ajuda de irmãos preciosos e corajosos que apontarão para tristeza do pecado, mas apontarão para o perdão que Jesus Cristo concede aos seus. Jamais deverá desprezar ou diminuir a gravidade do pecado cometido, antes, deverá olhar fixamente para o autor e consumador da fé e deverá lutar pelo casamento.

Salmo 119. 32-37: Percorrerei o caminho dos teus mandamentos, quando me alegrares o coração. 33. Ensina-me, SENHOR, o caminho dos teus decretos, e os seguirei até ao fim. 34. Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei; de todo o coração a cumprirei. 35. Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo. 36. Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça. 37. Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.

Salmo 119. 71: Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.

Como disse no início, este artigo seria um breve artigo. Sei que muitas questões e muitos detalhes não foram abordados aqui, entretanto, conforme alguns aconselhamentos envolvendo exatamente esta tragédia do adultério, tais questões apareceram mais rapidamente. Minha oração é que o leitor ou leitora que porventura esteja enfrentando este pecado, receba graça preciosa da parte de Deus.

Jean Carlos Serra Freitas

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Mentiras bastardas? – Não caia nessa...

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Foi o próprio Senhor Jesus que afirmou que a mentira tem por pai o diabo! Ao confrontar os fariseus que não criam na sua Palavra, o Senhor foi enfático:

“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira (Jo 8.44 – grifos meus).

Os cristãos, por sua vez, são chamados para seguir aquele que é “o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6). Quando o Senhor orou por seus discípulos, rogou ao pai que os santificasse na verdade, que é a própria Palavra (Jo 17.7), e o apóstolo João escreveu que não tinha maior alegria do que a de ouvir que seus filhos andavam na verdade (3Jo 4). Há muitas outras orientações bíblicas para que os crentes vivam e falem a verdade, mas quero citar apenas mais uma, por ora: Quando deu os dez mandamentos ao povo, o Senhor ordenou que se falasse a verdade ao ordenar: “não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Ex 20.16).

A despeito disso tenho a impressão de que para muitos cristãos existem “mentiras bastardas”, isto é, não procedem de Deus, pois ele é a expressão da verdade, mas também não procedem do diabo, pois as intenções por trás delas são boas. Desta forma, para estes, algumas mentiras são justificáveis, por conta de suas intenções “nobres”.

Como exemplo, pense em algumas situações: uma mãe diz ao filho para não ir a determinado cômodo da casa porque lá tem “bicho papão” e justifica que isso é para proteger o filho, pois naquele cômodo há objetos que poderiam ser perigosos para a criança. Um filho mente a seu pai sobre a gravidade do seu estado de saúde e justifica dizendo que é para que o pai não sofra, pois ele não suportaria a notícia. Ou ainda, uma amiga pergunta a outra como determinada roupa ficou nela e ouve que ficou “maravilhosa”, mesmo que essa não seja verdadeiramente a opinião da amiga, que se justifica pensando que seria falta de educação dizer o contrário. Assim, a mentira ganha outros nomes (proteção, cuidado e educação) e acaba sendo até algo esperado, pois é para o bem do próximo.

Há aqui, pelo menos, duas questões a se ponderar. A primeira relacionada ao fato de que a Palavra de Deus condena, categoricamente a mentira. Eu sei que muitos tentam justificar certas mentiras citando a história das parteiras que mentiram a Faraó quando ele ordenou que elas matassem todos os meninos nascidos dos hebreus (Ex 1.15-22). Porém, uma leitura mais atenta do texto demonstra que o Senhor as abençoou por terem desobedecido a ordem de matar as crianças e não porque mentiram. Volto a esse episódio daqui a pouco.

A segunda questão diz respeito às intenções do coração. Os que mentem, como exemplificado acima, dizem fazer por “amor ao próximo”. O problema é que, biblicamente, ninguém peca por amor ao outro, mas por amor a si mesmo. Tiago não deixa dúvidas: “cada um é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido” (Tg 1.14 - NVI). Perceba! Pecamos para conseguir o que desejamos e essa é uma atitude de amor próprio. Amamos tanto a nós mesmos que, impulsionados e iludidos por nossos desejos, estamos dispostos a fazer o contrário do que o Senhor ordena, tentando obter alguma satisfação ou benefício.

Uma breve história para ilustrar isso: Certa vez eu aconselhava uma senhora que foi ao gabinete pastoral, indicada por um conhecido. Em meio à nossa conversa, surgiu o assunto da mentira e ela disse que nunca mentia. Perguntei, então, se ela conhecia minha esposa e, obviamente, ela respondeu que não. Prossegui: “– Vamos supor que eu ligue agora para minha esposa e diga que estou levando a senhora para tomar um café conosco, em nossa casa. Chegando lá tem um bolo bonito na mesa e um café fresquinho. A senhora pega um pedaço do bolo e, ao morder, percebe que está muito salgado, pois, na pressa, minha esposa acabou trocando o açúcar pelo sal. A senhora então pensa em tomar um pouco de café, para aliviar o gosto ruim que está na boca, mas o café também está salgado. Logo em seguida minha esposa pergunta: E aí, a senhora gostou? Qual seria a resposta?”. Ela então respondeu que diria que sim, pois não ia querer magoar minha esposa que foi tão educada preparando algo para ela comer. Continuei: “– Vamos esquecer, por enquanto, minha esposa... Se a senhor fosse à casa de sua irmã e acontecesse o mesmo, o que responderia quando ela perguntasse se a senhora havia gostado?”, e rapidamente ela disse: “Mas que bolo ruim!”.

Diante disso, perguntei se ela não tinha medo de magoar a irmã e ela disse que a irmã já a conhecia bem. Levei-a então a entender que, no caso de minha esposa a preocupação não era em magoar uma pessoa que a tratou de forma educada, mas em não querer ser vista como mal educada, tanto que, diante de alguém bem conhecido, ela não titubeou em falar o que achou de verdade.

O que levou essa senhora a dizer que mentiria para minha esposa foi o mesmo que levou as parteiras a mentirem a Faraó: amor próprio, mais do que amor a Deus e ao próximo. As parteiras foram tementes a Deus e não mataram as crianças, mas diante do questionamento de Faraó, temeram perder a vida e, por amor a si mesmas, mentiram. De igual forma, a mãe que mente ao filho inventando um bicho papão no quarto não o faz pela segurança do filho, mas pelo seu conforto, pois não precisará mais ficar correndo atrás da criança. O filho que mente ao pai sobre seu estado de saúde não o faz por cuidado, mas, talvez, por não querer sofrer ao ver o pai sofrendo. A amiga que mente para a outra não o faz por educação, mas para não ser tida como grosseira.

Devemos ser realistas. Biblicamente não há pecado em favor do outro nem, tampouco, mentiras justificáveis. Não existem mentiras bastardas, todas, sem exceção, tem por pai o diabo. Sendo assim, para obedecer as ordens de não dar lugar ao diabo (Ef 4.27) e de resistir ao diabo (Tg 4.7) é imperativo que não negociemos a verdade.

É claro que isso não implica em ser mal educado, pois a verdade deve ser dita em amor (Ef 4.15). Entretanto, não há garantia de que os homens não nos rotularão como tal. Ainda assim, não ceda ao desejo de ser bem visto diante dos homens ao custo de pecar contra Deus, pois, “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

Milton Jr.

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