quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sobre o adultério – uma perspectiva bíblica

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Adultério ainda é encarado como uma grande tragédia entre os cristãos. Não poderia ser diferente. Vemos o próprio Deus condenando de forma muito dura o adultério.

Hebreus 13.4: Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.

Quando tratamos deste assunto, normalmente nossos esforços repousam sobre quem foi traído e raramente sobre aquele que traiu. Nos esquecemos que, numa história de adultério há duas partes envolvidas e ambas sofrem. Além disso, parece crescente a ideia entre os cristãos que o adultério não é pecado.

A igreja deve encarar esta triste realidade do adultério de forma bíblica e orientar os cristãos a terem uma perspectiva bíblica sobre este tema. Não podemos aceitar com tamanha passividade a forma de pensar ímpia sobre este e outros temas que envolvem a igreja tão diretamente.

Neste breve artigo, quero compartilhar algumas considerações sobre o adultério, à luz da Palavra de Deus, no intuito de ajudar aqueles que estão enfrentando o drama pecaminoso do adultério.

A primeira consideração é: quanto ao adultério.

Como já adiantei, há muitos cristãos atualmente considerando o adultério um “mal menor”, na tentativa de minimizar o adultério e suas consequências dramáticas. O Adultério é um pecado e deve ser encarado desta forma, afinal, as consequências deste pecado (como de qualquer outro pecado) é afastar o cristão daquela preciosa intimidade com Deus.

Isaías 59. 2: Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.

Adultério é pecado. Não é um pecado imperdoável, como pensam alguns, porém, é preciso pensar com clareza bíblica e anunciar tanto para a própria igreja quanto para o mundo como o adultério é apresentado pela Palavra de Deus.

Encontramos a sentença de que adultério é pecado na Lei de Deus. O sétimo mandamento da Lei de Deus não deixa dúvida: Não adulterarás (Êx. 20.14). Vejam outros textos bíblicos:

Provérbios 6.32: O que adultera com uma mulher está fora de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa.

Hebreus 13.4: Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.

Mateus 15.19: Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.

Definitivamente não há a menor possibilidade ao olharmos para a Palavra de Deus e vermos outra realidade, senão esta, que o adultério é pecado e deve ser encarado como tal.

A segunda consideração é: quem cometeu o pecado do adultério deve reconhecer que pecou.

Esta consideração pode parecer de uma obviedade desnecessária. Entretanto, no exercício do aconselhamento bíblico tenho escutado muito, tanto de homens quanto de mulheres, uma espécie de defesa do pecado, na tentativa de justificar ou minimizar o pecado cometido. A autojustiça emerge com força nos momentos de confronto. As desculpas aparecem apressadamente. Este não é um bom procedimento, não é um bom caminho a seguir.

Senso de ter cometido um pecado deve estar santificado, deve estar afiado. Não há espaço para justiça pessoal na vida cristã. Qualquer tentativa de se esquivar do fato real, tornará o coração ainda mais embrutecido pelo pecado cometido ou sofrido.

Tiago 1. 13-16: Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. 14. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. 15. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. 16. Não vos enganeis, meus amados irmãos.

Reconhecer o pecado como tal faz parte do processo de arrependimento. E não há a menor possibilidade de haver arrependimento sem o reconhecimento do pecado cometido. E esta é uma das recomendações – reconhecer que pecou e clamar perdão pelo pecado cometido, esperando pela maravilhosa intervenção de Deus.

Salmo 51.17: Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.

A terceira consideração é: quem cometeu o pecado do adultério deve esperar duras consequências.

As duras consequências do pecado de adultério são os frutos amargos a serem colhidos. Aqueles que cometeram o pecado do adultério devem estar preparados para: desconfiança, descrédito, afastamento de amigos, isolamento... enfim, a lista poderia se tornar maior que o desejado. Lembre-se que todos estes fatos são consequências daquele ato devastador que é o adultério.

Quem cometeu o ato de adulterar não poderia esperar um tempo de bonança e de paz. Como fruto amargo do pecado, tais fatos gerarão inquietação e surgirá a tentação da vitimização ou da diminuição do pecado. E antes mesmo do que imagina, estará tentado a afastar-se definitivamente da presença de Deus. Lembre-se que há perdão no horizonte. Lembre-se que Deus pode restaurar uma família destruída pelo adultério. Mas lembre-se que Satanás não quer que o pecador se arrependa. Satanás não quer que o pecador entenda que o fruto do pecado é a morte. Satanás não deseja que o pecador seja confrontado com seu pecado. Satanás não deseja vida, mas morte.

Por tudo isso, é importantíssimo entender o que segue sobre a próxima consideração.

A quarta consideração é: quem cometeu o pecado do adultério deve estar atento quanto ao engano pessoal.

Diante do quadro descrito acima, o pecador será tentado a pensar que:

· Não merece ser tratado assim;

· O julgamento está sendo duro demais;

· Afirmará que também está sofrendo;

· Afirmará que: ninguém sabe pelo que tem passado.

Cuidado com tais pensamentos, pois eles tentarão acomodar o pecado para o descanso da consciência. Não se deixe enganar. A separação que o pecado gera implica em distanciamento de Deus. A Palavra de Deus aponta para outro caminho. Aponta para o reconhecimento do pecado, reconhecimento da maldade do coração, reconhecimento da necessidade de ser limpo e purificado de todo o pecado.

Jeremias 17. 9 e 10: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? 10. Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações.

Salmo 51. 7-10: Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve. 8. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste. 9. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. 10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.

Todo o cuidado com o engano pessoal deve contemplar a realidade dura e feia do pecado. Mas somente isso não basta se os olhos não contemplarem Deus na beleza da sua santidade. (1 Crônicas 16.11).

A quinta consideração é: continue olhando para a cruz, continue olhando para Jesus Cristo.

Há muitos benefícios advindos da cruz de Cristo. Reconciliação com Deus, perdão de pecados, restauração, vida, força e vigor espirituais, esperança, confronto com o pecado, paz e comunhão.

O pecado do adultério tentará destruir aquilo que foi unido diante de Deus. Sei que muitos outros detalhes aconteceram antes do fato consumado do adultério. Sei que num primeiro momento o cônjuge traído sofre muito. Depois, sofrerá o cônjuge que traiu. Mas lembrem-se que antes da vergonha gerada pelo pecado do adultério, antes de pensar em como os outros reagirão ou pensarão, é necessário olhar para aquele que foi primeiramente atingido pela infidelidade, a saber Jesus Cristo. Ele foi o alvo primeiro de todas as circunstâncias ruins que antecederam o adultério. Ele continua sendo o alvo primeiro de todo o pecado. Pois todos nós que proclamamos amar o Senhor Jesus Cristo deveríamos refletir sua glória e seu caráter sendo sal da terra e luz do mundo. (Mateus 5.13).

Lembro-me de ter aconselhado um casal que estava disposto ao divórcio. Em certa ocasião em um dos encontros de aconselhamento, fiz a seguinte pergunta a eles: “vocês se lembram que Jesus Cristo morreu e ressuscitou? ” Eles responderam que sim, e questionaram: “mas o que isso tem a ver conosco? ”

Jesus Cristo continua interessado em todos os aspectos da nossa vida. Não podemos esquecer dele, do seu sacrifício na cruz em nenhum momento. Enquanto o mundo desconsidera completamente a Jesus Cristo e sua cruz, os que estão em Cristo, creem que é o poder de Deus. (1 Coríntios 1.18).

Olhando para Jesus Cristo na cruz do calvário somos lembrados do arrependimento, da confissão de pecados e da viva esperança.

Conclusão

O adultério é realmente devastador, porém, Deus é o Todo Poderoso que poderá restaurar o casamento devastado pelo adultério.

O cônjuge traído poderá olhar fixamente para o autor e consumador da fé. Poderá buscar renovo espiritual e refrigério para a alma cansada e abatida. Deverá buscar orientação bíblica para os dilemas da alma. Deverá estar disposto a glorificar a Deus e lutar pelo casamento. Deverá cuidar para não ser seduzido pelas vozes ímpias da autossatisfação.

O cônjuge que traiu deverá proceder com humildade e aceitar a ajuda de irmãos preciosos e corajosos que apontarão para tristeza do pecado, mas apontarão para o perdão que Jesus Cristo concede aos seus. Jamais deverá desprezar ou diminuir a gravidade do pecado cometido, antes, deverá olhar fixamente para o autor e consumador da fé e deverá lutar pelo casamento.

Salmo 119. 32-37: Percorrerei o caminho dos teus mandamentos, quando me alegrares o coração. 33. Ensina-me, SENHOR, o caminho dos teus decretos, e os seguirei até ao fim. 34. Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei; de todo o coração a cumprirei. 35. Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo. 36. Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça. 37. Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.

Salmo 119. 71: Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.

Como disse no início, este artigo seria um breve artigo. Sei que muitas questões e muitos detalhes não foram abordados aqui, entretanto, conforme alguns aconselhamentos envolvendo exatamente esta tragédia do adultério, tais questões apareceram mais rapidamente. Minha oração é que o leitor ou leitora que porventura esteja enfrentando este pecado, receba graça preciosa da parte de Deus.

Jean Carlos Serra Freitas

Reações:

1 comentários:

Sandralu disse...

Muito abençoador e prático. Vou usar com tua permissão para enviar como reflexão. Obrigado por compartilhar

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