quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A paciência de Deus no relacionamento cristão

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Quando pensamos na dinâmica da vida cristã, normalmente pensamos em termos de ação pessoal para os relacionamentos pessoais. Quando pensamos em uma igreja dinâmica, normalmente estamos falando de programações que atendam as diversas faixas etárias dos membros da igreja.

Penso que tais procedimentos devem acontecer e devemos pensar em como melhorar essa dinâmica sempre. Entretanto, isso jamais deveria ser encarado como um fundamento. Deveria ser encarado tão somente como uma excelente consequência de algo maior e que antecede qualquer planejamento, ou seja, o que motiva um cristão verdadeiro em qualquer área da vida é a glória de Deus.

Vejamos isso de forma mais detalhada. Pense nas mensagens motivadoras para um bom relacionamento conjugal. Pense nas oficinas para melhorar relacionamentos. Pense nos congressos de jovens, nos treinamentos de lideranças e quão agradáveis são essas programações. Nós sabemos que depois de um tempo, tudo isso se esvai e precisamos de novas programações...

Ao final de um tempo, o que se percebe é que apesar do esforço do planejamento e das metas terem funcionado relativamente bem durante um tempo, ainda assim, isso parece não ser suficiente. Ainda que planos e metas possam contribuir, não podem ser encarados como fundamento de uma relação verdadeiramente bíblica. Lembremos o que o apóstolo Paulo disse:

1 Coríntios 10.31: Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.

Absolutamente tudo que planejamos, todo nosso esforço, todas as nossas práticas, todas as nossas relações devem contemplar em primeiro lugar a glória de Deus.

Dito isso, gostaria de pensar em como o caráter de Deus pode ajudar as nossas relações com o próximo, e especificamente, pensar em como o atributo Paciência de Deus pode, efetivamente, ajudar a santificar relacionamentos.

Quando pensamos em relacionamentos conflituosos estamos olhando para um dos graves problemas da igreja. Quantos males e quanto tempo a igreja desperdiça tratando de relacionamentos conflituosos. Tanto tempo e tamanho esforço porque em algum momento cristãos deixaram de refletir a glória de Deus e seu caráter.

Em seu livro Os Atributos de Deus, A. W. Pink faz a seguinte citação:

Stephen Charnock, o puritano, define em parte a paciência de Deus assim: "É uma parte da bondade e da misericórdia divinas e, contudo, difere de ambas. Sendo Deus a maior bondade tem a maior brandura; a brandura é sempre companheira da bondade e, quanto maior a bondade, maior a brandura. Quem houve tão santo como Cristo, e tão gentil? A lentidão de Deus para a ira é um aspecto da Sua misericórdia: "... o Senhor (é) sofredor e de grande misericórdia" (Salmo 145:8; Atualizada, semelhante à versão da citação: "... o Senhor (é) tardio em irar-se e de grande clemência").[1]

Devemos proceder de tal forma que nossos relacionamentos e a forma como os conduzimos reflitam a glória de Deus. Quão bem faríamos se fossemos mais pacientes e menos afoitos. Mais pacientes e menos apressados em criticar ou julgar o outro. Mais pacientes até mesmo para orientar os desavisados e desviados. É bom lembrar que a paciência não é aval para a continuidade do pecado. Definitivamente não podemos confundir tolerância com o pecado com o atributo paciência. Paciência contempla, pedagogicamente, arrependimento e santidade, enquanto a tolerância ignora o pecado e despreza a santidade e o arrependimento.

Naum 1:3: “O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em força..."

É na força do Senhor que podemos exercitar a paciência.

Em nossos relacionamentos somos muito seletivos. Aqueles que são mais próximos e fazem parte do círculo de amizade, são presenteados com paciência muito mais do que aqueles mais distantes. Entretanto, não é este o procedimento de Deus. Assim como ele usa sua paciência com todos os seus, assim deveríamos proceder também. (Ef. 5.1).

Sei que é difícil exercitarmos paciência com certas pessoas. Veja isso como uma oportunidade de Deus trabalhar e lapidar o caráter.

Quantos brigas e desentendimentos surgiram porque as pessoas não quiseram refletir o atributo da paciência de Deus? Quantos desentendimentos foram provocados por falta de paciência? Quantas vezes pessoas ficaram iradas, ressentidas, amarguradas tão somente porque não exercitaram a paciência de Deus e deixaram de refletir sua glória?

Em cada aspecto da vida, em cada detalhe ou circunstância da existência, Deus nos concede a oportunidade de refletirmos sua glória, e experimentarmos na prática os efeitos do exercício da paciência.

Por último, é sempre bom lembrar que o exercício da paciência reflete o caráter e a glória de Deus. Os homens e mulheres são coadjutores no palco da vida. A paciência de Deus é sua força e não sua fraqueza. A paciência como atributo refletido através das nossas ações, é a nossa força também.

Jean Carlos Serra Freitas


[1] Pink. A. W. Os Atributos de Deus. São Paulo: PES, 1990, p. 64

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