terça-feira, 10 de novembro de 2015

Confissão e as coisas que crescem melhor nas trevas

Deus criou magnificamente tudo o que existe. A manifestação de sua glória como Criador, exibida onipotentemente na beleza que enche nossos olhos quando contemplamos paisagens naturais é sempre de tirar o fôlego. Os prados, os campos, a composição de uma bela paisagem com o céu ao fundo, regado pela luz quente do sol, dando brilho e vida às cores minuciosamente distribuídas são sempre uma visão que causa grande deleite aos olhos e prazer à alma. Tudo isso é sempre melhor e claramente visto debaixo da luz. 136518_Papel-de-Parede-Paisagem-Campestre_1440x900

A Bíblia diz que em Deus não há treva alguma (1 Jo 1.5), e como a criação reflete o Criador (Sl 19.1), a figura que contrasta a luz com a escuridão é amplamente usada na Bíblia para exemplificar a nova situação do crente em relação à Deus e sua nova vida (1 Jo 1.6; 2.9,11; 1 Pe 2.9; 1 Ts 5.4; Cl 1.13; Ef 5.3; At 26.18).

É sabido também, que as plantas e flores, para se mostrarem exuberantes, precisam dentre outras coisas, fundamentalmente da luz solar. E não somente à elas, mas a nós, seres humanos, a luz solar é igualmente benéfica. A luz, e não as trevas, fornecem as condições necessárias para que as flores cresçam e apreçam belas e vistosas, e nós com saúde. É igualmente sabido que nossos olhos captam não as cores, mas o reflexo dos raios de luz nos objetos, que são interpretados pelos olhos e reconhecidos como as cores, de modo que mesmo que as coisas possuam cores vibrantes e vivas, no escuro nada se vê (Jó 12.25; Is 59.10; 1 Jo 2.11), e sua beleza continua encoberta até que um raio de luz ilumine e resplandeça nas trevas (Sl 88.12; Jo1.5). Muito poderia ser dito desta relação luz-trevas, pois a Escritura é farta em exemplos e aplicações. Mas...

Bom, mas uma frase de alguém me fez despertar para a meditação desta relação: "quando confessamos nossos pecados, trazemos para a luz esses pecados, para que sejam vistos e reconhecidos. Só o pecado cresce nas trevas..."

Tudo o que é belo, bom, agradável e desejável cresce sob luz radiante. João, que em seus escritos no novo testamento é um dos que mais explora o contraste luz-trevas, nos diz que temos a tendência de fugir da luz justamente por conta deste motivo: porque nossas obras são más (Jo 3.19), e causa vergonha que sejamos vistos sujos por nossas obras pecaminosas (Jo 3.20). Se estivéssemos orgulhosos de nossas boas obras, teríamos prazer em vê-las sendo expostas pela luz (Jo 3.20).

Nossa dificuldade, porém, em lidarmos com a confissão de pecados, vem de nossa dificuldade de enxergar a beleza que a luz traz ao caso. Explico: Confessar pecados é sempre um ato de coragem, sim, mas de grande humilhação para quem o faz. O constrangimento e o pesar são sempre motivadores que tentam nos empurrar para o buraco de onde saímos e não queremos voltar... Mas trazer à lume tanta sujeira, na confissão de pecados, é um motivo de celebração!

downloadEste é o primeiro passo para se fazer parar de crescer o pecado que vem crescendo nas trevas. Já reparou que tem coisas que só crescem no escuro (Sl 91.6)? Na sua opinião, tais coisas são mais ou menos belas do que as que crescem sob a luz? Comparados entre si, o musgo (ou o líquem) e a flor possuem a mesma beleza estética?

Jesus veio para trazer luz ao mundo (Jo 1.4), e isso significa que sem ele, sem a Luz de Deus, não seríamos capazes de ver nada com clareza. Se vemos os pecados, nossos e do nosso próximo, é porque Deus graciosamente derrama luz sobre nós. O manto das trevas encobre a beleza da criação de Deus, providenciando as condições para que coisas ruins cresçam e dominem. O mundo foi criando lindo, mas as trevas em que está mergulhado - por conta do pecado, faz dele um lugar horrível. Deus não aniquila o mundo e faz outro, mas lança luz sobre ele, para que retirada a sujeira, a beleza seja novamente vista com suas cores e formas. Assim é conosco: a vinda de Jesus foi a invasão da luz num mundo de trevas (Jo 1.5) para que a sujeira fosse arrancada, e a beleza da glória de Deus fosse novamente vista. Não aniquilamos o pecador que confessa, mas ajudamos a retirar dele a sujeira (o nome disso é santificação, uma obra do Espírito Santo operada aplicativamente no pecador confesso), para que a beleza que a luz lança, seja manifesta (Lc 1.79; Jo 1.14; 8.12).

Quando a Escritura, portanto, nos estimula a confessar nossos pecados uns aos outros (Tg 5.16), o objetivo não é simplesmente nos fazer ver melhor os erros uns dos outros e nos tornar mais concientes deles ao ponto de nos enojarmos de nossas sujeiras, mas celebrarmos a redenção que a luz traz, e sob esta luz, aguardarmos a manifestação da beleza que só esta mesma luz pode fazer brilhar (Pv 4.18; Jo 12.46; Fp1.6; Ap 22.5)

Meu convite hoje, para que você leitor, é este: pare por alguns instantes, leia com calma esses textos, e depois de respirar fundo, ore (ainda que rapidamente) para que na próxima vez que, tiver que, ou confessar ou ouvir a confissão de alguém, Deus te ajude a lidar com isso de uma forma tal que você consiga enxergar a beleza que há nisso!

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