terça-feira, 24 de novembro de 2015

Contentamento em Deus – uma busca constante

Tulips

Sei que em nossos dias muitos persistem na equivocada ideia de que doutrina atrapalha, engessa o coração. Nada é tão destrutivo a longo prazo quanto continuar seguindo esse pensamento.

Sempre que ouço tal coisa, imediatamente sou impulsionado a pensar em como aqueles que assim pensam, procedem na vida. Como encaram as dificuldades naturais do dia a dia? Como enfrentam as tempestades e os dilemas da alma, as dúvidas de fé? Os que pensam assim são presas fáceis para os falsos mestres e para Satanás.

Diante dos múltiplos problemas desta vida, muitos cristãos parecem viver como se a vida se resumisse tão somente ao nosso tempo, aqui e agora. Porém, o apóstolo Paulo instrui de forma diferente:

Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. (1 Coríntios 15.19).

A grande doutrina bíblica do contentamento em Deus é a nossa resposta aos anseios inquietantes da alma.

O contentamento em Deus não é algo estático, mas constante e progressivo. Contentar-se em Deus significa ter nele todo o prazer e regozijo. É firmar o coração, ou seja, os desejos e as vontades exclusivamente em Deus. Contentamento em Deus é quando todas as faculdades se inclinam para buscar agradá-lo. Há descanso da alma em saber que Deus foi honrado e glorificado nas decisões da vida. Contentamento em Deus aquieta o coração e faz emudecer a incredulidade e rebeldia, mesmo em meio a mais dura provação. Vejam o que a Palavra de Deus fala sobre prazer ou satisfação:

Salmo 119: 16 - Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.

35 - Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo.

50 - O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica.

174 - Suspiro, SENHOR, por tua salvação; a tua lei é todo o meu prazer.

É maravilhoso ver o cuidado de Deus declarado em sua Palavra.

Sei que há muitos cristãos enfrentando profunda tristeza por várias razões. Tentarei listar algumas dessas razões aqui: mágoas por causa de terríveis experiências do passado; insatisfação com a atual situação de vida; ira; ódio; rancor; inveja; esfriamento espiritual; cansaço em razão de lutas intensas durante toda a vida; problemas conjugais; problemas de relacionamento com filhos, parentes, amigos, irmãos em Cristo... enfim, a lista parece interminável.

Como vimos nos versículos do Salmo 119, e poderíamos ver em outros textos da Palavra de Deus, nosso prazer ou nosso contentamento, deve estar em Deus e sua Palavra. Afinal, é a Palavra de Deus que nos revela quão grande e amoroso é o nosso Deus.

No livro do profeta Ezequiel, Deus faz uma declaração inquietante contra Israel que pode ser também uma declaração contra a presente geração: Quão fraco é o teu coração, diz o SENHOR Deus, ... (Ezequiel 16. 30 a).

Esta é uma das mais tristes declarações de Deus contra Israel. Esta é uma triste constatação atual. Quão fraco tem sido o nosso coração! Temos sido fracos em buscar com todas as nossas forças o contentamento em Deus. Sim, nossa geração tem falhado muito neste aspecto em particular. Nossa geração parece ter sido envenenada por um falso evangelho que prometeu satisfação em coisas e pessoas. O falso evangelho mimou a nossa geração que não quer aprender o que é padecer por amor a Cristo e ainda assim, ter nele todo o contentamento.

Curiosamente, a igreja ainda canta um cântico sobre parte do que temos tratado aqui, porém, quando Deus resolve fazer o que canta a igreja, os cristãos, via de regra, começam a reclamar contra Deus e contra os seus métodos usados para o aperfeiçoamento do cristão. O cântico diz: ...quebra minha vida, / e faça de novo, / eu quero ser, / eu quero ser senhor, um vazo novo.

Quando Deus decide “quebrar o vazo”, ou seja, quando Deus decide moldar seus servos à imagem e semelhança de Jesus, nossa geração que não compreende a ação de Deus, começa a murmurar, surgindo daí a insatisfação e o descontentamento com o andar das coisas.

Conclusão:

Como poderíamos lidar melhor com as expectativas não correspondidas? Como poderíamos treinar nosso coração a ser mais rápido em contentar-se em Deus? Vejamos:

Primeiro: Lembre-se que Deus jamais perdeu o controle sobre qualquer fato ocorrido. Em outras palavras, lembre-se sempre que Deus continua no controle absoluto de todas as coisas, de todos os fatos da vida. Deus continua sendo o soberano Deus. Deus continua assentado em um alto e sublime trono (Isaías 6. 1). O fato de lembrarmos que Deus continua no controle exercendo sua vontade soberana aquietará o coração do cristão. Lembre-se do que disse o salmista: Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. (Salmo 131. 2)

Segundo: Reconheça que Deus tem um santo propósito para absolutamente tudo, mesmo que não consigamos entender todos os seus desdobramentos. Não há nada aleatório neste mundo. Como declara o hino antigo: “acasos para mim não haverá”.

Provérbios 3. 6: Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Terceiro: Contentamento deve ser aprendido e deve ser exercitado. Muitos acham que, por encontrarem contentamento em Deus em algum momento, não precisarão fazer nenhum esforço. Os que nasceram de novo se esforçam para agradar a Deus em tudo o que fazem. A mente deve ser treinada a pensar biblicamente. O coração deve ser treinado a sentir biblicamente.

Provérbios 2. 1-6:1: Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, 2 para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento, 3 e, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, 4 se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, 5 então, entenderás o temor do SENHOR e acharás o conhecimento de Deus. 6 Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento.

Salmo 27. 4: Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo.

Quarto: Render o coração à autoridade de Deus e de sua Palavra como suficiente.

2 Timóteo 3. 16, 17: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

Ao longo da vida corremos o risco de acumular sujeiras no coração. Pecados não confessados, ira, ódio, amargura, autoestima, experiências dolorosas, doutrina errada... enfim, tudo isso precisa ser levado diante do trono da graça de Deus. O Senhor que conhece nossa fragilidade de caráter, fará, segundo seu propósito, todas as coisas cooperarem para o nosso bem, afim de sermos moldados segundo a imagem do seu filho.

Filipenses 1. 6: Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

Que maravilhoso conforto é saber que Deus trabalha em nós para encontrarmos nele todo contentamento celestial.

Jean Carlos Serra Freitas

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