terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Nossa eterna busca por prazer


"Nos anos de 1950, James Olds implantou eletrodos no cérebro de ratos e os conectou a estimuladores controlados por botões nas jaulas. Quando os eletrodos estavam em certas áreas do cérebro (que vieram a ser chamadas de "centro de prazer"), os ratos pressionavam os botões sem parar. Em alguns experimentos, os ratos eram capazes de cruzar cercas eletrificadas para alcançarem o botão, a fim de pressiona-lo." (Berry, R.J.E. 2012. The Lion handbook of science & Christianity. Oxford: Lion Hudson. p. 208)
De uma certa forma (ou numa certa "multiforme" 1 Pe 4.10), toda a criação manifesta o Criador (Sl 19.1), e tem semelhanças que permitem analogias, de forma que podemos apresentar o Triúno Deus numa variedade de figuras, dos quais textos como .... São só exemplos.
Em termos analógicos (de diferentes níveis), não há problemas na comparação de tais descobertas com o homem. Na verdade, já se sabe o mesmo sobre nós, mas nossa experiência comum de vida nem precisaria ir tão longe. "Quem gosta de sofrer põe o dedo aqui, que já vai fechar... " brinca a criança solitária...
Dois problemas se erguem aqui, como reflexos imprecisos de uma imagem indefinida. Fruto de séculos de uma opressão sem sentido, o Ocidente se inclinou ao hedonismo como estilo de vida. O hedonismo é a busca pelo prazer. Este é o estado de coisas moderno. No passado, inúmeros fatores, como religião e cultura, foram e tem sido um veículo de supressão do prazer, ridicularizando e reprimindo manifestações de alegria, gozo e deleite, buscando convencer contentamento em situações de grande penúria e desconforto. Então, hoje temos ou um estímulo à busca do prazer desenfreado, ou a supressão do prazer em prol do enaltecimento da razão, tida como superior.
Mas se ninguém gosta de sofrer, por um lado, mas por outro o prazer não pode ser o alvo final da vida, alguém poderia perguntar: Então, por que motivo Deus nos criou com este elemento em comum, como que com uma tendência natural, quase instintiva, para que busquemos o prazer?
Resumindo uma história que é bem longa, é porque o prazer não é pecaminoso em si mesmo. Quando Deus nos criou, colocou em nós um "centro de prazer". Deus não só queria que sentíssemos prazer, mas que Ele mesmo fosse a nossa maior e mais sublime fonte de prazer (Sl 1.2; 119.16, 47, 92; Rm 7.22). O pecado fez mudar o "centro de prazer", de Deus para as coisas criadas, algumas delas francamente pecaminosas (Is 24.11; 1 Tm 5.6; 2 Tm 3.4; Tt 3.3; Hb 11.25). Ainda usando a comparação com o experimento dos ratos, Deus colocou botões naturais, que nos levariam à Pessoa e Lei dele; mas o pecado artificial e intrusivamente colocou eletrodos em nós, desviando os benditos padrões naturais. O resultado não é que o pecado causou novos prazeres, mas apresentou novos "botões"...
Eu sei que a ciência sempre usa seus ratinhos para buscar comparações e apresentar descobertas sobre o comportamento e funcionamento dos seres humanos. Mas ao ler o trecho acima, foi inevitável pensar em como as semelhanças são gritantes nesse caso. Ainda que sejamos a mais sublime das criações de Deus por portarmos sua semelhança, fico estarrecido ao ver o quanto o pecado nos faz assemelhar com os seres do nível mais baixo da escala... Por conta do pecado, como ratos consumidos pelo desejo de sentir prazer, nós somos ávidos na busca de gratificação. E como eles, estamos dispostos ao sofrimento, para alcançar o alívio dele, e prazer final. Curioso, não? Agora pense se, como no caso do experimento, tivéssemos à nossa disposição e sob nosso conhecimento, o acesso ao botão de nosso prazer? A que você estaria disposto para apertá-lo? Os ratos provaram seus limites...
Deus não quer que paremos de buscar prazer. Ele mandou seu único filho para que nosso prazer retornasse ao centro correto, pois este é o fim principal do homem, qual seja, viver para a glória de Deus e prazer nele. Jesus restaura esse objetivo, e se torna, ele mesmo, a fonte de nosso prazer.  
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