terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Aprendendo a lidar com a dor

110O primeiro passo, e provavelmente o mais difícil, seja procurar ajuda "de peito aberto", uma vez que isso significa compartilhar as profundezas de seu coração com outra pessoa, o que exige muita confiança.
 
O conselheiro bíblico, que deve ser antes de tudo um cristão piedoso e maduro, deve ser e fazer perceber como alguém digno de tanta confiança.
A oração que ambos tem que fazer, conselheiro e aconselhado, é para que Deus seja misericordioso com ambos e faça ao conselheiro útil na sua vida na medida que Ele desejar usá-lo, ao passo que abra o coração, tanto para desnudar-se quando para receber com prontidão a Palavra de Deus ministrada, e assim receber ajuda.
 
Pessoas e fatos: doem!                            
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A dor dói, já dizia meu mestre e professor. Mas como sempre há como tornar algo ruim em coisa pior, lembremo-nos que as pessoas não entendem a dor alheia, quer por estarem focadas demais em sua própria, quer por não estarem padecendo de nenhuma. Há quem entenda, e não é difícil encontrar quem diga: eu entendo o que vc está sentindo. Sendo tudo isso verdadeiro, ou não exatamente, fato é que mesmo quando falhamos nos nosso melhores esforços na busca de entender a dor do outro, Deus entende, melhor e mais profundamente, do que nós mesmos.
 
A dor e a tristeza de alma, para nosso infortúnio, raramente chegam desacompanhadas. Lidamos com nossas dores e com mais um monte de outras coisas, como um trânsito mais pesado, ou com as travessuras de uma filha em crescimento, ou de um relacionamento conturbado, com as lembranças... Nos parece acontecer o mesmo que com o Jó, no passado, de modo que fazemos nossas, aquelas suas palavras quando diz: Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece (Jó 3:25)
 
Jó falava de uma experiência particular, mas tão comum aos mortais e parecer justamente isso que nos leva a se identificar. Quando sofremos, nos sentimos assim: como se tudo o que a gente quer evitar viesse ao nosso encontro, e nossos temores se encarnassem... Não será assim para todos, mas às vezes nem parece...
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Existem duas pessoas que podem tocar em nossas mais doloridas feridas, as que a gente ama, e os médicos. Como quando ralamos os joelhos após uma traquinagem, e corremos para o colo da mãe. O ardor é grande, mas nossa confiança de que ninguém mais nos amaria tanto ao ponto de tocar na ferida, nos impõe a luta entre deixar-se tocar e a retração ante o toque.
 
Quando vamos em busca de ajuda, esta luta começa. Nosso impulso primário parece ser de se proteger, retrair e se fechar. Mas sabemos que se o toque não acontecer, a dor não cessa, o ferimento piora e as lágrimas continuam. O procedimento do curativo pode até doer, mas ele também seca as lágrimas e acelera a cura. Somos, como conselheiros, enfermeiros de dores não tangíveis. A cura não está em nossas mãos.
 
Como conselheiros, não podemos de modo impassível toca a ferida alheia, visto que todos sabemos que nos olhos do outros, pimenta vira refresco. Quando formos tocar em feridas que ainda doem, devemos fazê-lo como quem cuida, com carinho... Só saiba que a luta ainda existe, no interminável drama entre tocar e não deixar ser tocado.
 
nao-e-nada-e-so-tristezaPara encerrar, ambos devem se lembrar que a cura está sempre no toque do Senhor. Ele é cirurgião habilidoso, que com seu bisturi mais afiado que "faca de dois gumes", extrai o mal que causa a dor, e alivia as dores no processo de cura.
Se instrumentos dele, ou pacientes dele, sempre encontramos Nele alguém digno de nossa confiança, e a certeza que um dia Ele "lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. (Apocalipse 21:4).
Jônatas Abdias de Macedo
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