terça-feira, 29 de março de 2016

Quero ser feliz!

ser-feliz-1Há muitas frases que marcam nossa vida. Os momentos ou simplesmente uma frase importante será sempre lembrada e utilizada para expressar algum tipo de convicção. Lembramos do que diziam nossos pais ou avós. Lembramos das frases ditas por personagens famosos, teólogos, dramaturgos, cientistas, enfim, a lista é grande.

Um aspecto que deve ser observado é quando a frase expressa uma convicção pessoal, uma teologia para direcionar as decisões da vida.

Há várias frases ruins sendo repetidas, coisas do tipo: “você nasceu para ser feliz”, “você nasceu para vencer”, “você nasceu para dar certo”, e a que tem chamado mais minha atenção, “eu quero ser feliz”.

Um dos fatores assustadores é que, via de regra, quando ouço essa frase, ela é colocada contra algum princípio bíblico. É como se dissessem que, entre fazer o que é bíblico e a felicidade, optam pela felicidade. Os que pensam assim estão declarando que o caminho bíblico é o da infelicidade. Querem ser felizes a qualquer custo, mesmo que este custo seja entristecer o redentor Jesus.

Por que homens e mulheres cristãs estão buscando felicidade fora dos padrões bíblicos estabelecidos por Deus? Por que estão tão preocupados em adequar-se ao padrão de felicidade de uma sociedade ímpia, que despreza a cultura cristã? Por que foram seduzidos tão rapidamente por outra conduta de uma falsa fé? Eis algumas respostas possíveis:

1. Não creem na Palavra de Deus como única regra de fé e prática. Regra de fé é aquilo que cremos; regra de prática é como nós cremos.

2. Não ponderaram que a Palavra de Deus é autoritativa, inerrante e suficiente. Dizem crer na Palavra de Deus, porém, não há uma confiança plena.

3. Em algum ponto da caminhada cristã deixaram de perseverar na santidade de uma mente rendida a Cristo.

4. Em algum ponto da caminhada cristã pararam de olhar para as orientações bíblicas e passaram a contemplar a falsa sabedoria ímpia.

5. Em lugar de querer cumprir fielmente as orientações bíblicas, decidiram seguir o coração em suas paixões carnais.

6. Resolveram adorar a criatura ao invés do criador. Por isso, pararam de orar a Deus clamando por santidade e passaram a desejar simplesmente, ser feliz.

7. Transformaram a felicidade em um bezerro de ouro.

8. Pararam para olhar a felicidade passageira dos ímpios e a desejaram.

9. Perderam a perspectiva do lar celestial e da viva esperança da vinda do redentor Jesus.

10. A força do desejo de ser feliz tornou-se tão forte que dominou a mente e o coração, ao ponto de não importar-se mais com os preceitos bíblicos, a vontade de Deus, a vida familiar ou a igreja. Tudo foi reduzido à procura da felicidade, e felicidade a qualquer preço.

Cristianismo e felicidade não são realidades contraditórias, como querem alguns. Os homens só podem encontrar verdadeira felicidade servindo e adorando aquele que de fato preenche o vazio da alma pelo lavar regenerador do Santo Espirito de Deus. É Deus quem dará real sentido à vida. Como bem disse o apóstolo Paulo: “nele somos, nele nos movemos, nele existimos” ... (At. 17.28), ou seja, não há realidade real fora do padrão de Deus que valha nossa dedicação.

A pergunta que o apóstolo Paulo apresentou aos gálatas tem lugar em nossa geração: Quem fascinou vocês? (Gl. 3.1). A pergunta é urgente pois revela o que há no coração. Quem fascinou cristãos mais que o redentor Jesus Cristo? Quem pode ser comparado a ele?

Quantos estão procurando uma falsa felicidade fora da vontade de Deus? Homens e mulheres da igreja estão fascinados pela aparente felicidade vista no mundo. Isso é lamentavelmente perturbador. Homens e mulheres estão buscando prazer ímpio, ao mesmo tempo em que desprezam Deus e sua Palavra. Se você está neste caminho, saiba que sua teologia da felicidade é pagã, é uma afronta a Deus e você tornou-se um idólatra de si mesmo e este, definitivamente, não é um bom caminho.

Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte. (Pv. 16.25.)

Olhemos atentamente para o testemunho do nosso mestre por excelência, Jesus Cristo:

· João 5.30: Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. (grifo meu).

· Mateus 4.4: Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.

O Senhor Jesus Cristo encontrou tudo o que necessitava na vontade de Deus. Cumprir a vontade de Deus foi fundamental para o seu testemunho. Jesus encontrou plena satisfação em cumprir toda a vontade de Deus. Assim, os que professam a fé cristã deveriam aprender contentar-se precisamente no fato de agradar a Deus, conforme prescrito em sua Palavra.

Aqueles que desistiram de trilhar o caminho santo, aqueles que desistiram de querer agradar a Deus porque foram fascinados pela falsa ideia de felicidade deste mundo passageiro, aqueles que sentem que podem ser felizes fora dos padrões estabelecidos por Deus devem arrepender-se destes pensamentos. Quebrantamento de coração será o primeiro passo para ter a vida plena de satisfação em Deus.

Não há contradição entre cristianismo e felicidade. Não há contradição entre servir a Deus e ser feliz. O que há é a tentação de querer ser feliz sem observar o padrão que Deus estabeleceu. Pense nisso:

· Salmo 119.16: terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.

·Marcos 8.36: Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?

Antes de querer ter o prazer satisfeito em uma falsa e débil felicidade passageira e desonrosa diante de Deus, lembremos da maravilhosa instrução do Salmo 1: Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. (Sl. 1.2).

O desejo de todo cristão é ser feliz. E não há felicidade maior do que poder agradar o nosso bom Deus, quer seja na família, no trabalho, na relação conjugal, na criação de filhos, nos projetos para o futuro. A ele seja a glória hoje e para sempre.

Seremos felizes sempre que glorificarmos a Deus e um dia, gozaremos de perfeita felicidade no lar celestial, afinal, todo o pecado e toda a luta interna entre agradar a Deus ou a nós mesmo serão completamente arrancados do nosso coração.

Felizes cantaremos: Sou feliz, com Jesus, sempre sou...

terça-feira, 22 de março de 2016

O que você acredita sobre Deus?

homme-d-tenant-le-point-d-interrogation-et-le-point-d-exclamation-39456809[5]Você certamente conhece muitas pessoas. Se, como eu, você mora em um edifício, tem muitos vizinhos e muitos deles você, às vezes, nem conhece. Você sabe que moram no seu edifício, mas não tem contato com eles. Entretanto, sabe bem que essas pessoas existem e, a não ser que seja alguém que julgue pela aparência, posso afirmar que você não teria problema com alguma dessas pessoas.

Geralmente não temos problemas com as pessoas em si. Todos os dias passamos por várias pessoas que não conhecemos, elas vêm e vão, e isso não afeta em nada a nossa vida.

Mas suponha que uma dessas pessoas o parasse na rua e dissesse: “Eu acho que você ficaria melhor de cabelo pintado de verde!”. Ou, no caso do vizinho “desconhecido”, imagine que ele passe um dia pelo corredor e sua porta esteja aberta. Ele olha para dentro do seu apartamento e diz: “Esse sofá está no lugar errado. Do jeito que está disposto você perde muito espaço em sua sala”. No outro dia ele passa novamente, olha para você e diz: “Você está deixando sua casa muito jogada, porque você não arruma essa bagunça?”. O que você acharia de pessoas assim? Certamente que são inconvenientes e que não deveriam se meter em sua vida. Por que não tomam conta de sua própria vida? Afinal, você não pediu nenhuma opinião!

A verdade é que não gostamos que alguém fique nos dizendo o que fazer, ainda que esse alguém esteja certo. No exemplo acima, talvez a casa esteja mesmo bagunçada e precise, de fato, de uma boa arrumação, mas não queremos ninguém “metendo o nariz onde não é chamado”.

Creio, firmemente, que o problema do ateu é esse! Ele não tem problema com a pessoa de Deus. O problema é que Deus ordena como ele deve viver, o que ele deve ser e como tem de proceder. O problema é, então, com a Lei de Deus! Se Deus existisse e ficasse “no seu canto”, não haveria problema, mas esse Deus afirma que é Soberano e ordena o que todos devem fazer, sob pena de juízo caso isso não aconteça.

Qual é, então, a forma mais fácil de negar a Lei de Deus? É negando o próprio Deus. Se Deus não existe, não há Lei, se não há Lei eu procedo como bem entendo. Essa é a verdade descrita pelo Salmo 14.1: ”Diz o insensato em seu coração: Não há Deus” – e o resultado é – “Corrompem-se e praticam abominação”.

O salmista está dizendo, então, que o insensato (ou tolo na NVI) vive de acordo com sua convicção de que Deus não existe e, por causa dessa certeza, ele vive da forma que bem entende. Ou seja, aquilo que alguém acredita sobre Deus determina toda a sua maneira de viver.

Mas pense bem! Essa não é uma verdade relacionada apenas a ateus, mas também àqueles que professam (ou dizem professar) a fé no Senhor Jesus Cristo. Dia a dia somos tentados a desconfiar do caráter do nosso Deus e, assim, não dar ouvidos à sua voz. Essa sempre foi a estratégia de Satanás, minar a nossa crença a respeito de Deus.

Em Gênesis o tentador se aproxima da mulher e questiona se Deus havia proibido de comer do fruto das árvores do Jardim. Diante da resposta da mulher, de que do fruto das árvores podiam comer, exceto daquela que ficava no meio do jardim, sob pena de morrer, a serpente coloca em dúvida o caráter de Deus: “Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.4,5 - NVI). A insinuação do diabo era a de que Deus estava blefando, não era bom (pois os havia privado daquele fruto) e não queria “concorrência”, ninguém que fosse como ele. Isso levou a mulher a olhar para o fruto e ver que “a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter entendimento” – e diante disso – “tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também” (Gn 3.6 – NVI).

Veja que, no deserto, a investida do diabo contra o Senhor Jesus seguiu a mesma direção. O Senhor, depois de jejuar 40 dias, teve fome. A palavra do tentador parece plausível: “Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães” (Mt 4.3). Isso pode ser entendido assim: “Um pai trata bem os seus filhos. Você está dizendo que é Filho de Deus, mas está aí com fome, isso não é bom. Se você é mesmo Filho, basta mandar essas pedras se transformarem em pão e você saciará sua fome. Isso provará que você está certo em sua alegação”.

Mas Jesus não precisa de provas. Ele conhece o caráter de seu Pai e sabe que ele não mente. Dias atrás, ao ser batizado, ele havia ouvido sua voz, que dos céus dizia: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17) e, por isso, responde ao tentador: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus”. Por saber quem é seu Pai, Jesus confia em sua Palavra.

O homem nasce, naturalmente em pecado, como Adão, mas aqueles que creem em Cristo Jesus são recebidos na família de Deus como seus filhos e têm a promessa de serem feitos semelhante ao Salvador (Rm 8.29; 1Jo 3.2). Foi ele mesmo quem afirmou que “ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27). Essa revelação do Pai ocorre por meio de sua Palavra e isso implica no dever que temos de meditar diariamente nas Escrituras.

Fazendo assim conheceremos mais o Senhor e, na força do Espírito Santo, confiaremos cada vez mais naquilo que ele diz, estando aptos a negar nossas vontades e desejos a fim de fazer aquilo que ele ordena e determina em sua Palavra, para o bem dos seus filhos e para o louvor de sua glória.

Milton Jr.

terça-feira, 15 de março de 2016

Contentamento... é possível?


A gente enfrenta na vida mais situações do que está disposto a passar. Cuidadosamente detalhamos nosso pequenos plano pessoal e Deus tem aquele maravilhoso plano a nosso respeito, que vai além do que a gente imagina, mas que passa por caminhos que geralmente queremos evitar. 

Como temos pouca ingerência sobre tais planos, escolhemos entre duas alternativas erradas: nos preocupamos ou nos revoltamos quanto aos planos de Deus para nós que incluam dores e dissabores. Contudo, há uma terceira opção disponível, e, como no caso do Leão das Crônicas de Nárnia, o que consola é a bondade e bom propósito para conosco do Leão da Tribo de Judá: "Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração."(Jeremias 29.11-13).

Mas o que fazer quando a gente passa por aquilo que nem queria e não estava realmente preparado? Se a principal reclamação é a falta de alegria, de contentamento, lembre-se que providencialmente Deus colocou alguém para passar por situação semelhante - daquelas que potencialmente podem nos roubar a alegria -  somente para que Ele registrasse infalível e inerrante sua vontade para os crente de todas as épocas! Me refiro ao Apóstolo Paulo. 

Ele diz: 
"Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece." (Filipenses 4.10-13).

Calma... eu sei que as pessoas colocam adesivos no carro e nas janelas com o último verso... e também sei que elas interpretam isso aí bem diferente! Mas quando olhamos mais detidamente, vemos do que Paulo estava realmente falando. Não, ele não estava falando de milagres ou sinais e maravilhas... ele não estava dizendo que ele poderia fazer absolutamente qualquer coisa que desejasse "no poder" de Deus... nada disso. O que ele escreveu serve para que pessoas como você e eu tivessem conforto e confiança.

Ele diz que passou por todo o tipo de situação na vida, o que obviamente inclui alegrias e tristezas. Um pouco do currículo do sofrimento a que Paulo se refere pode ser encontrado em 2 Coríntios 11:23-28: "São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas." 

Obviamente que o texto não foi preservado através da história para que servisse de comparação entre nós e ele, mas para nos identificássemos com ele. Mas é aqui que chamo sua atenção ao verso 13. Lá o apóstolo fala da força humana - posso -  e da força divina - fortalece - usando para isso palavras diferentes no original grego. Ele diz, em resumo, que o poder humano de superar o sofrimento é uma pilha vazia, se não for energizado por o poder que vem do Senhor Jesus, o Senhor a quem Paulo faz referência no texto. A presença sempre presente de Jesus, Senhor da vida e da história, é a garantia de que podemos enfrentar o que a vida nos reserva, porque Deus, que escreveu a História, e a nossa história, e coloca em nossa vida as coisas pelas quais vamos passar, já nos deu o poder para viver a vida "contente em toda e qualquer situação": Ele nos deu o próprio filho!

Sei que tomar consciência disso pode fazer parecer que o fardo da dor, que já é grande, somado ao desânimo que o descontentamento traz, pode nos levar à conclusão de que não só estamos em apuros, mas estamos muito longe de atingir este ideal na experiência, ainda que compreendamos a questão intelectualmente.

E é aqui que compartilho aquilo que me tem dado esperança em relação a este texto e sua validade prática para cada um de nós. Repare no detalhe: não foi de uma hora para outra que isso aconteceu... Paulo é claro ao dizer que ele teve que "aprender"!

Veja que, se ele aprendeu, você também pode! Esta é uma preciosa constatação. É encorajadora e paciente com nosso erros e impotência em momentos de grande pesar. Não será de repente, mas vou aprender. Não padecerei sem alegria para sempre, porque quando aprender, viverei contente. E mais: Paulo não aprendeu isso no céu! Há esperança para o "aqui e agora". Eis aí a esperança: com um passo de cada vez, existe uma saída deste vale de lágrima, uma vida lá fora, que não depende de circunstâncias, é cheia de alegrias apesar de não isenta de problemas. Caminhe por este caminho, encontre essa vida e seja alegre-se no Senhor.
                                         

quarta-feira, 9 de março de 2016

Aconselhamento bíblico e algumas exortações.

biblia-abertaAtualmente é possível observar o quanto a igreja foi influenciada pelo secularismo. Isso aconteceu de tal forma que é difícil encontrar uma área da igreja em que não houve influência externa. Na educação de filhos, no casamento, na pregação, nos aconselhamentos, na própria administração da igreja, enfim, a lista parece estender-se sobre praticamente todas as áreas da igreja, contaminada por uma perspectiva mundana, natural e antibíblica.

Qualquer que seja o problema, dificuldade, ou provação, há uma leitura pragmática sendo aplicada na tentativa de resolução dos problemas. Os óculos usados por muitos para identificar problemas e apontar soluções para a vida cristã, não leva em consideração somente as Escrituras, pois foram seduzidos e tentados a usar outros recursos para tratar dos males que afligem o coração.

Muitos estão fascinados pela última grande descoberta apresentada por homens e mulheres que ignoram completamente os aspectos da obra da redenção. Há uma importante denúncia sobre isso no excelente livro de John Macarthur, Sociedade sem pecado. Nesta obra o autor denuncia, com fartas evidências, como a nossa sociedade foi gradativamente excluindo a ideia cristã do pecado em absolutamente todas as esferas da vida.

Lembro-me claramente de uma conversa que tive com um pastor da área de “cura e libertação” do moderno movimento de batalha espiritual. Em um dado momento da nossa conversa fiz a seguinte pergunta: “é possível tratar e curar as feridas da alma usando somente a Bíblia, a Palavra de Deus?” Eis sua resposta: “sim, mas é mais difícil”. Esta foi uma das respostas mais sinceras e tristes que já ouvi. A impressão que fica é que muitos membros de diversas denominações não estão crendo mais na Palavra de Deus como Palavra de Deus viva e eficaz (Hb. 4.12).

Outra triste constatação ocorreu quando conversava com alguns amigos sobre as dificuldades encontradas no casamento e alguém citou um “pastor piadista” como uma bênção. Afirmei que não considerava uma bênção tão somente porque ele não ensinava os casais a procurar na Palavra de Deus os recursos para uma vida santa. Como se isso não fosse suficiente, o “pastor piadista” fazia todos rirem de situações corriqueiras da vida comum do casal. Ao final de cada encontro, todos saiam felizes e leves, afinal, a palestra motivacional havia sido uma “bênção”. Propus então o seguinte: para cada tribulação envolvendo os cônjuges, bastaria contar uma piada ou falar algo engraçado que os problemas seriam resolvidos. Evidente que esta não é a melhor abordagem. Nos momentos críticos da vida conjugal, as piadas e gracinhas não confortam o coração, não conduzem à vida e a piedade, não serve para absolutamente nada.

Aos amigos conselheiros que lidam com os dramas do cotidiano, sabem que isso não funciona. As provações que atingem a todos não podem receber outra abordagem senão, o doce consolo da Palavra de Deus.

As Escrituras efetivamente conduzem o homem a sabedoria (Tm. 3.15). Não há nada mais precioso neste mundo do que o uso adequado da Palavra de Deus para orientar, consolar, exortar e trazer esperança ao coração do cristão.

No intuito de animar os irmãos conselheiros, gostaria de deixar algumas exortações, aplicadas em primeiro lugar em minha própria vida.

1 – Não fique intimidado com a popularidade daqueles que fazem mal uso da Palavra de Deus. Não queira imitá-los. Não trabalhamos pelos aplausos dos homens, mas trabalhamos para a glória de Deus e do seu filho Jesus Cristo.

2 – Continue crendo que a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. (Hb.4.12).

3 – Não se acomode. Continue estudando a Palavra de Deus, procurando bons livros sobre aconselhamento bíblico.

4 – Procure ajuda. Há muitos conselheiros bíblicos que estão atuando há mais tempo que nós e podem nos ajudar profundamente.

5 – Cuidado com a agenda. Sei que seremos tentados a doar nossas forças e tempo para ajudar outros em momentos difíceis. Porém, cuidado com o pouco tempo investido na própria família. Com equilíbrio e bom senso, poderemos ajudar outras famílias sem prejudicar nossa própria família.

6 – Como conselheiros bíblicos, nossa tarefa é ajudar outros a olhar para o redentor Jesus, não para nós mesmos.

7 – Não somos conselheiros perfeitos. Podemos errar durante o processo de aconselhamento.

8 – O conselheiro bíblico deve ser íntegro e agir sempre com integridade, biblicamente orientado.

9 – Tenha coragem santa para confrontar o pecado.

10 – Haja sempre com prudência.

11 – Cuidado com o orgulho e com a soberba.

12 – Lembre-se sempre que é o Espírito Santo quem atinge o coração do aconselhado.

13 – A principal motivação para o aconselhamento bíblico e fazer refletir a glória de Deus na vida do aconselhado.

14 – Aprofunde-se no conhecimento bíblico, afinal, a Bíblia tem todas as respostas.

Sei que há muitos outros conselhos. O intuito não foi elaborar uma lista exaustiva. Meu desejo é simplesmente compartilhar algumas exortações ou orientações para desenvolvermos continuamente nosso trabalho na área de aconselhamento bíblico. Deus nos abençoe, nos incentive e nos proteja sempre.

terça-feira, 1 de março de 2016

Luz ou escuridão?

Sem-título

Instruindo a seus discípulos em Mateus 6.22 e 23, o Senhor Jesus falou dos olhos. Eles são a lâmpada do corpo. Jesus usou essa figura para ensinar sobre aquilo a que damos atenção ou que “enxergamos”. A ideia do texto não é a de que o olho seja a fonte de luz para o corpo, mas como afirma Hendriksen, “que ele é, por assim dizer, o receptor de luz, o guia do qual todo o corpo depende para a iluminação e direção”[1]. Essa interpretação pode ser corroborada por aquilo que Davi afirma no Salmo 19.8b, acerca da Palavra de Deus: “o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos”.

Diante disso, podemos entender que os olhos serão bons à medida em que enxergam, ou dão atenção, à Palavra de Deus, razão de o salmista rogar: “desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18). Sendo os olhos bons, todo o corpo será luminoso, ou seja, quando o homem dá atenção à Palavra ele vai bem em seu caminho e estará iluminado.

Há, evidentemente, um paralelo aqui com o que o Senhor havia dito anteriormente, sobre ajuntar tesouros do céu (Mt 6.19-21). Aquilo que procuramos ajuntar está ligado àquilo que temos como o nosso foco. Se queremos ajuntar tesouros celestiais, necessariamente temos que voltar os olhos para a Palavra. Não há como dissociar essas duas coisas.

Os tesouros celestiais são, então, ajuntados quando o homem olha para a Palavra e pratica a sua justiça. Como exemplo temos as próprias bem-aventuranças (Mt 5.2-12) que tratam de como o crente deve viver, vindo cada uma delas com uma promessa para a eternidade. Perceba que o texto termina com Jesus dizendo: “Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus”. Não há aqui nenhuma questão meritória, mas de consequência. Aqueles que foram iluminados e praticam a luz da Palavra de Deus, necessariamente farão boas obras e receberão o galardão por elas.

Há ainda uma advertência enfatizada na expressão de contraste “se porém”, ou, em outras palavras, caso vocês não tenham olhos bons e “os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas” (Mt 6.23a).

A expressão “olhos maus” aparece duas vezes no Antigo Testamento. A primeira em Deuteronômio, quando o Senhor estabelece leis em relação aos pobres e adverte para que o povo não tenha “olhos malignos” para com o irmão pobre, não lhe dando nada daquilo que ele necessitava (Dt 15.9). A segunda aparece em Provérbios 28.22 e está traduzida como “olhos invejosos”, ainda que a palavra hebraica seja a mesma usada em Deuteronômio. Em ambos os casos ela está ligada à avareza sendo que em Deuteronômio diz respeito a quem não quer dar, e em Provérbios àquele que corre atrás de ajuntar riquezas.

Isso está em pleno acordo com o que Jesus está ensinando aqui, pois da mesma forma que aqueles que buscam tesouros celestiais têm olhos bons, iluminados pela Palavra, aqueles que buscam tesouros terrenos têm olhos maus, pois acabam pecando por manter os olhos nas riquezas. Eles demonstram que estão comprometidos apenas com esse mundo em trevas e agem de acordo com suas leis. A figura aqui é que se os olhos são trevas, todo o corpo está mergulhado na treva moral. Não é sem razão que João, ao falar a respeito do julgamento final, afirmou que o veredito é este: “Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (Jo 3.19).

Diferente dos servos de Deus que tem a promessa do galardão nos céus, os que buscam tesouros terrenos e mantem os olhos neles já receberam sua recompensa, como foi o caso dos fariseus ao receber o louvor dos homens (Mt 5.2,5,16).

Por fim o Senhor faz uma dura afirmação: “Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grande trevas serão!” (Mt 6.23b). A declaração ganha um tom irônico, pois aqueles que estão nas trevas não conseguem sequer reconhecer isso e acham que têm luz. Sendo assim, se essa luz é na verdade trevas, isso se torna ainda mais terrível, tal como a afirmação de Jesus aos fariseus: “Sê fosseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado” (Jo 9.41).

Seus olhos são maus ou bons? Eles estão voltados para os tesouros da terra ou para os tesouros do céu? A resposta a essa pergunta demonstrará se você está “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” ou se tem se deixado seduzir pelas coisas desse mundo.

Milton Jr.


[1] William Hendriksen, Comentário de Mateus, vol. 1, p. 488 – Ed. Cultura Cristã

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