terça-feira, 15 de março de 2016

Contentamento... é possível?


A gente enfrenta na vida mais situações do que está disposto a passar. Cuidadosamente detalhamos nosso pequenos plano pessoal e Deus tem aquele maravilhoso plano a nosso respeito, que vai além do que a gente imagina, mas que passa por caminhos que geralmente queremos evitar. 

Como temos pouca ingerência sobre tais planos, escolhemos entre duas alternativas erradas: nos preocupamos ou nos revoltamos quanto aos planos de Deus para nós que incluam dores e dissabores. Contudo, há uma terceira opção disponível, e, como no caso do Leão das Crônicas de Nárnia, o que consola é a bondade e bom propósito para conosco do Leão da Tribo de Judá: "Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração."(Jeremias 29.11-13).

Mas o que fazer quando a gente passa por aquilo que nem queria e não estava realmente preparado? Se a principal reclamação é a falta de alegria, de contentamento, lembre-se que providencialmente Deus colocou alguém para passar por situação semelhante - daquelas que potencialmente podem nos roubar a alegria -  somente para que Ele registrasse infalível e inerrante sua vontade para os crente de todas as épocas! Me refiro ao Apóstolo Paulo. 

Ele diz: 
"Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece." (Filipenses 4.10-13).

Calma... eu sei que as pessoas colocam adesivos no carro e nas janelas com o último verso... e também sei que elas interpretam isso aí bem diferente! Mas quando olhamos mais detidamente, vemos do que Paulo estava realmente falando. Não, ele não estava falando de milagres ou sinais e maravilhas... ele não estava dizendo que ele poderia fazer absolutamente qualquer coisa que desejasse "no poder" de Deus... nada disso. O que ele escreveu serve para que pessoas como você e eu tivessem conforto e confiança.

Ele diz que passou por todo o tipo de situação na vida, o que obviamente inclui alegrias e tristezas. Um pouco do currículo do sofrimento a que Paulo se refere pode ser encontrado em 2 Coríntios 11:23-28: "São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas." 

Obviamente que o texto não foi preservado através da história para que servisse de comparação entre nós e ele, mas para nos identificássemos com ele. Mas é aqui que chamo sua atenção ao verso 13. Lá o apóstolo fala da força humana - posso -  e da força divina - fortalece - usando para isso palavras diferentes no original grego. Ele diz, em resumo, que o poder humano de superar o sofrimento é uma pilha vazia, se não for energizado por o poder que vem do Senhor Jesus, o Senhor a quem Paulo faz referência no texto. A presença sempre presente de Jesus, Senhor da vida e da história, é a garantia de que podemos enfrentar o que a vida nos reserva, porque Deus, que escreveu a História, e a nossa história, e coloca em nossa vida as coisas pelas quais vamos passar, já nos deu o poder para viver a vida "contente em toda e qualquer situação": Ele nos deu o próprio filho!

Sei que tomar consciência disso pode fazer parecer que o fardo da dor, que já é grande, somado ao desânimo que o descontentamento traz, pode nos levar à conclusão de que não só estamos em apuros, mas estamos muito longe de atingir este ideal na experiência, ainda que compreendamos a questão intelectualmente.

E é aqui que compartilho aquilo que me tem dado esperança em relação a este texto e sua validade prática para cada um de nós. Repare no detalhe: não foi de uma hora para outra que isso aconteceu... Paulo é claro ao dizer que ele teve que "aprender"!

Veja que, se ele aprendeu, você também pode! Esta é uma preciosa constatação. É encorajadora e paciente com nosso erros e impotência em momentos de grande pesar. Não será de repente, mas vou aprender. Não padecerei sem alegria para sempre, porque quando aprender, viverei contente. E mais: Paulo não aprendeu isso no céu! Há esperança para o "aqui e agora". Eis aí a esperança: com um passo de cada vez, existe uma saída deste vale de lágrima, uma vida lá fora, que não depende de circunstâncias, é cheia de alegrias apesar de não isenta de problemas. Caminhe por este caminho, encontre essa vida e seja alegre-se no Senhor.
                                         
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