terça-feira, 31 de maio de 2016

Vamos pensar biblicamente?

423827705-bibliaPode parecer simplista o convite apresentado no título, entretanto, considero o pensar biblicamente uma urgência. É impressionante como a igreja foi e está sendo influenciada pelo pensamento secular, pela filosofia secular, pelo estilo de vida secular. A igreja não foi criada para refletir os padrões deste mundo em seu próprio estilo de vida. Na Bíblia encontramos esta declaração maravilhosa sobre a igreja:

Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade. (1 Tm. 3.15).

A igreja de Deus é coluna e baluarte da verdade. Isso é verdade pois a igreja é de Deus e deve refletir a glória de Deus, deve refletir seus atributos comunicáveis.

Recordo-me de um episódio que servirá de ilustração. Debati com uma jovem por aproximadamente duas horas sobre a heresia G12. Durante este tempo, argumentei mostrando e aplicando os textos bíblicos, apontando as incoerências deste movimento. Por fim, disse que, no material do idealizador do movimento havia uma orientação quanto a “liberar perdão a Deus”. Esta e outras coisas constavam no material original. Propus encaminhar o material para ela com a condição de que ela abandonasse o movimento, caso verificasse que o material continha o que eu estava dizendo. Eis o seu contra-argumento: “Apesar de não ter lido, não abandonarei o movimento, pois sei que isso não está escrito lá no material”. É claro que isso me surpreendeu. Como é possível que alguém proceda e pense desse jeito? Não leu, não verificou, mas acredita de todo o coração que o que pensa está correto e nada mudará isso! É assustador verificar que esse é o padrão atual dos cristãos. Isso não é pensar biblicamente.

Podemos começar um debate, apresentar os argumentos bíblicos, históricos, teológicos e, mesmo assim, sermos surpreendidos com uma frase demolidora dos nossos dias. A pessoa pode simplesmente dizer: “eu não concordo com você.” A pessoa não precisa apresentar qualquer argumento para demolir as argumentações bíblicas, basta dizer, “eu não concordo com você.”

Como os argumentos não estão sendo pautados pela instrução bíblica, qualquer argumento serve aos propósitos.

Uma vez que muitos cristãos abdicaram de pensar biblicamente, pensarão utilizando algum outro padrão.

Ao invés de utilizarem a Bíblia, passaram a usar outros padrões de instrução. A pedagogia marxista seduziu os professores que passaram a utilizar técnicas pedagógicas na igreja. A educação de filhos deixou de ser algo da esfera bíblica e passou para a esfera da psicopedagogia secular. Os líderes das igrejas foram instruídos em seus trabalhos sobre neolinguística e entenderam que deveriam aplicar isso na igreja local. Estratégias de marketing empresarial começaram a ditar as regras para a promoção da igreja e dos trabalhos da igreja. O culto deixou a esfera exclusiva de adoração a Deus para a esfera do entretenimento dos crentes e dos visitantes não crentes. O aconselhamento bíblico-pastoral deixou a esfera bíblica e aliou-se à esfera das psicologias/psicanálises seculares.

O resultado de décadas de desenvolvimento de tudo isso não foi a santificação do povo do Senhor e da sua igreja, mas, o enfraquecimento da igreja, comprometendo o testemunho cristão e a dinâmica da vida cristã diante de um mundo cada vez mais ardiloso quanto ao pecado.

Para cada crise enfrentada pela igreja há sempre alguém a pensar em alguma atividade, alguma nova técnica, algo novo a ser implantado. Pensar biblicamente tem passado longe da perspectiva de muita gente e de muitas igrejas. Por isso, penso ser urgente e trabalhoso pensar biblicamente para todas as áreas da nossa vida.

John Macarthur escreveu um livro instigante com o título Pense Biblicamente, convocando e desafiando o povo de Deus a pensar biblicamente, afinal, a visão de mundo ímpia não pode tragar a visão cristã de mundo.

Todos os dilemas atuais foram selecionados para a esfera secular do mundo ímpio. Assim, depressão, angústia, dilemas morais, falta de sono, ansiedade, rebeldia dos filhos, medo de morrer, medo de viver, culpa, idolatria, ira, raiva, ciúmes, enfim, os frutos da carne (Gálatas 5. 16-21), foram retirados da competência da igreja de apresentar as devidas respostas a tudo isso. É uma forma do mundo ímpio dizer em alto e bom som que não quer que a igreja, com sua orientação bíblica-cristã, se intrometa nestas esferas da vida. E é curioso que quanto mais relevante a igreja se torna, atendendo aos anseios do mundo, menos relevante ela se torna referente a ser uma luz moral ao mundo caído.

A igreja deve zelar por continuar a ser baluarte da verdade, pois pertence a Deus e deve refletir sua glória e seu caráter.

Pensar biblicamente exigirá certa dose de coragem e ousadia. Aos que decidirem pensar biblicamente, deverão saber que estarão indo contra uma cultura ruim estabelecida fora da igreja e dentro da igreja.

Você poderá ser acusado de obscurantista ou mesmo ignorante. Será tentado a usar os mesmos pensadores que o mundo adora, simplesmente para demonstrar que você conhece os intelectuais utilizados e aclamados. Mas garanto que nenhum deles se compara ao mestre por excelência, nosso amado e bom pastor, Jesus Cristo. Nossas armas nãos são temporais, ainda que saibamos usá-las como um verdadeiro mestre esgrimista. Veja o exemplo do apóstolo Paulo em Atenas. Demonstrou junto aos atenienses que conhecia os autores e poetas gregos. Citou um deles em sua pregação. Porém, sua base de argumentação não se fundamentou na lógica grega, mas na ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.

Estudar e conhecer os pensadores seculares não é pecaminoso. Como dizia meu professor de hermenêutica do seminário, “tudo é nosso”. Podemos e devemos conhecer tais pensadores. Ver e perscrutar seus pensamentos e motivações. Assim, poderemos ver como pensam e como são influenciados os ímpios e muitos cristãos. Mas lembrem-se. Nenhum livro retrata a alma do ser humano melhor do que a Bíblia.

Podemos ler ver a alma sombria dos homens nos livros de Dostoiévski (1821-1881) ou a maldade da alma em Friedrich Nietzsche (1844-1900), entretanto, ao lado do apóstolo o Paulo corajosamente afirmamos que tudo isso não passa de rudimentos do mundo.

A igreja tem a oferecer Jesus Cristo. Tenho a impressão que hoje muitas igrejas e cristãos estão atrás da prata e do ouro que os apóstolos afirmaram não possuir. Possuiam Jesus Cristo e isso foi suficiente.

Pensar biblicamente sobre namoro, noivado e casamento é um desafio constante. Pensar no relacionamento conjugal à luz da Palavra de Deus é um grande desafio diário. Pensar biblicamente sobre a relação entre pais e filhos ou, pensar biblicamente na relação de submissão e obediência dos filhos para com os seus Pais agrada a Deus e isso é encorajador.

Sei que num primeiro momento parece difícil pensar biblicamente. Diria que é mais difícil do que a maioria das pessoas poderia imaginar, afinal, seremos tentados a abandonar as orientações bíblicas todo o tempo. Entretanto, lembre-se das palavras do apóstolo Paulo:

Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. (Filipenses 1.6).

Espero em Deus que nos próximos artigos possamos discutir e apresentar mais detalhadamente sobre este fascinante tema. Pensar biblicamente tem sido um desafio.

Pensar biblicamente tem proporcionado refrigério ao meu coração pela certeza maravilhosa de que o soberano Deus nos ajudará nas horas mais escuras da tempestade. Sua poderosa mão nos guiará em direção a ele mesmo. Todos os seus eleitos serão efetivamente santificados. Esta é uma bela promessa.

Então, caros leitores, quero desafia-los a pensar biblicamente. Aceita o desafio? O prêmio é a promoção exclusiva da glória de Deus, seu reino e seu evangelho.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Instrua o seu coração!

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Faltam três semanas para a estreia “daquele” filme e milhares de pessoas não veem a hora chegar. “Aquele” carro novo, ultramoderno e arrojado, foi anunciado para o próximo mês e os amantes de carro já estão em polvorosa. A Netflix anunciou mais uma temporada “da melhor” série que já existiu e os fãs estão ansiosos...

Eu podia descrever inúmeros exemplos (e você saberia de outros tantos) de como as pessoas ficam ansiosas e aguardam com grande expectativa algumas coisas. A pergunta a ser feita aqui é: porque isso acontece?

A Palavra de Deus é enfática ao afirmar que o homem é controlado por seu coração. Conforme o Senhor Jesus, aquilo que governa o coração governará a vida do homem, pois, “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21).

O que acontece nos exemplos dados no início é que as pessoas ensinam seus corações a gostar de determinadas coisas. Cinéfilos vivem lendo a respeito de filmes, gostam de saber dos últimos lançamentos e de quais são os indicados ao Oscar; aqueles que curtem carros conhecem como ninguém como eles funcionam, qual o melhor modelo e buscam revistas especializadas a fim de saber mais a respeito de sua paixão e, assim, seus corações são “treinados” a fim de gostarem e ansiarem por novidades nessas áreas.

É exatamente por causa do controle do coração sobre a vida do homem que o salmista afirmou: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119.11). Veja a relação estabelecida! A Palavra estando no coração possibilitaria que ele não pecasse contra Deus. O Senhor Jesus afirmou isso de outra forma no Novo Testamento ao declarar que “a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.45).

Você já se perguntou, por exemplo, o porquê de muitos crentes não ansiarem pelo Dia do Senhor da mesma forma que anseiam pela estreia daquele filme, do final do campeonato ou das tão aguardadas férias? É exatamente pelo fato de não instruírem seu coração, enchendo-o com a Palavra a fim de que ele anseie pelo dia em que se reunirá com a Igreja do Senhor a fim de prestar culto àquele que se deu por eles. É não compreender a beleza e a importância da obra do Redentor em seu lugar, pois ao compreender adequadamente tudo isso, será impossível não ansiar pelo dia em que a Igreja se reúne para louvar seu Salvador.

Quando o coração não é devidamente instruído pela Palavra, mediante a iluminação do Santo Espírito, ele não anseia pelo Senhor e por louvar a sua Glória! Nesse sentido, algo interessante a se notar é a forma como se expressam os filhos de Corá: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42.1). O versículo demonstra que a alma do salmista entendeu a importância do Senhor para ela, a ponto de comparar com o anseio da corça pelas águas. O coração foi instruído que da mesma forma que corça precisa da água para sobreviver, ele precisa do Senhor. É preciso instruir o coração.

Há mais ainda, quando o coração não é instruído, o que espera o crente é o desassossego da alma, a angústia, a ansiedade, os temores diante das tribulações. Por essa razão, é preciso relembrar constantemente ao coração quem é o Senhor a quem servimos. Isso fará com que nos portemos de forma correta diante das tribulações, respondendo às intempéries da vida de forma piedosa.

É importante relembrar, pois nos esquecemos facilmente quem é o Senhor a quem servimos e como ele agiu no decorrer da história. O povo de Israel ficou escravizado por 400 anos, foi liberto do seu jugo e testemunhou uma grande quantidade de milagres e prodígios que Deus fez por meio de Moisés diante de Faraó, mas ao encarar o Mar Vermelho diante de si, esqueceu-se de tudo e passou a murmurar: “Vamos morrer”, “era melhor ter ficado no Egito”, etc. (Cf. Ex 14.11-12).

É isso que temos no já citado Salmo 42, o salmista relembrando à sua alma quem é o Senhor: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Sl 42.5,11). A relevante conversa do salmista consigo mesmo era para que essa lembrança instruísse seu coração a respeito de quem é Deus e se aquietasse! Foi isso também que deu esperança a Jeremias, em meio à dura realidade dos sofrimentos do cativeiro: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.21-23).

Somente um coração constantemente instruído por meio da Palavra do Senhor ansiará por ele e descansará em seu governo, por ter absoluta convicção a respeito de seu caráter.

“Tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”, escreveu Paulo aos Romanos (15.4). Essa Escritura, que o apóstolo afirma ser inspirada por Deus é “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17).

Portanto, diferente do espírito da nossa época que estimula os homens a “seguirem o seu coração”, use as Escrituras para instruí-lo acerca do que ele deve desejar. Com isso você ansiará mais pelo Senhor e saberá se portar diante de todas as situações de sua vida, incluindo o lançamento daquele filme tão aguardado e a espera pelas tão sonhadas férias.

Milton Jr.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Você conhece o Monismo?!?

Sei que pode parecer estranha a pergunta, mas você já pode ter sido vítima dele. Na verdade, a questão é simples... até demais.

O monismo é uma doutrina com efeitos bem práticos. Para a maioria dos cientistas, filósofos e médicos (e até teólogos), o homem é composto de apenas uma substância - a física. Há quem chame isso de materialismo, ou fisicalismo, mas no final, dá no mesmo: o velho monismo sendo trazido de volta sob roupagens novas, com ares elegantes de uma sabedoria que nada sabe.

Embora existam várias teorias dentro do monismo, no final, todas elas acabam por reduzir o homem a um único elemento, geralmente físico.

A esta altura você já deve estar se perguntando por que é importante saber disso e quais seriam as implicações caso você não soubesse da existência dele.

Na verdade, embora não chamado pelo nome apropriado, o monismo rasteja presente em muitos consultórios, laboratórios, salas de estar e saguões de igrejas. Veja, por exemplo, que a maioria dos cientistas neurocognitivos acreditam que a mente possa ser explicada somente pela abordagem física: nós somos nosso cérebro. O que torna esse fato interessante é ver cristãos, que deveriam saber que são bem mais que simplesmente "pó da terra".
 
É justamente este monismo/materialismo que dá base para muitos dos atuais tratamentos para os problemas humanos, receitando para os mesmos substâncias cujo poder de atuação é confinado ao corpo, ou seja, a química de ajuste fino do cérebro humano.

Este modelo de abordagem, muitas vezes aceito acriticamente, tem caminhado com a crescente avalanche de publicações que insistem em dizer que ficamos doentes na alma ou na mente. Embora o discurso pareça divergir e diferenciar uma coisa da outra, no final, não está. Entra em cena o monismo que põe fim às discussões e impõe que a solução para os males da mente e/ou da alma esteja na medicação... física. Em resumo, para ambos, males físicos e mentais (ou psicológicos), o remédio acaba sendo o mesmo.

Visto por este prisma, o que parece ser a celebração do descobrimento científico, ou a apropriação de avanços tecnológicos e descobertas recentes, na verdade é um reducionismo inapropriado, cujas implicações são desconhecidas da maioria das pessoas. Pense nisso: Como deveríamos tratar "doenças na alma"? Há hoje em dia uma tremenda pressão para que aceitemos que todas as doenças, o que certamente inclui as desordens mentais, tenham tão somente uma causa física. Se isto for assim, e nada mais há do que o físico, então o tratamento e a cura devem ser encontrados somente no universo físico. Deveriam os cristãos concordar com esta conclusão?

E a problemática vai além, visto que a alma acaba por ser definida como nada mais do que suas funções cognitivas e emocionais, todas emanando de seu órgão físico correspondente, a partir de tal perspectiva, o espiritual é virtualmente posto de escanteio, e fica fora de consideração.

É neste ponto que uma abordagem bíblica causa tanto impacto. Do campo da ciência é bem possível que não venha uma explicação ou prova de que sejamos mais do que o que os olhos possa ver. Mas a Bíblia insiste, na condição de Palavra de Deus, que somos mais que nossos corpos.

Jesus, que tratava de outro assuntos, acabou por nos dar um vislumbre suficiente claro de que a morte pode  atingir "mortalmente" mais que nosso corpo: Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo (Mt 10:24-28).

Ainda temos o registro do sábio que nos adverte à constante lembrança do Criador, antes que sejamos visitamos pela morte, que nos divide de tal forma a fazer com que corpo, que é pó, "volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.7) [Alguém mais notou a ausência de um terceiro elemento?]

Não podemos abrigar, "esquizofrenicamente" ambas as noções, monista e bíblica, pois uma anula a outra. Se aceito que o homem é uma máquina humana física, o que é deixado para as ordens e diretrizes "espirituais" da Escritura, bem como suas ilustrações e úteis estratégias? Por conta da ênfase da psicologia e medicina, o elemento espiritual é considerado de pouca importância ou irrelevante.


Então, meu caro leitor, o convite é para que haja um exame mais profundo acerca dos pressupostos bíblico-teológicos por trás do que normalmente não enxergamos como assunto teológico, de modo a pensar mais cuidadosamente sobre aquilo que normalmente as pessoas não costumam questionar. No que tange a antropologia bíblica, precisamos buscar levar tanto à sério, quanto na prática, as implicações de se sustentar a crença bíblica de que o ser humano é mais do que uma máquina ou um animal, e assim, informados, nos apropriar do que a ciência tem a nos ensinar, de modo a que não sejamos monistas na prática, ainda que sustentando uma teologia diferente.

Jônatas Abdias

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Bíblia faz bem à saúde

 

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Aqui e ali temos ouvido sobre novas doenças, novos vírus. Isso tem despertado muita preocupação e não poderia ser diferente. E em razão da preocupação com um estilo de vida mais saudável, sempre temos ouvido que produto “x” ou medicamento “y” faz bem à saúde. Ao estilo brasileiro, muitos trocam receitas e cardápios que prometem ajudar o corpo, incluindo alguns exercícios físicos complementares.

O cuidado com o estético ganhou proporções inimagináveis. A chamada “indústria da beleza” fatura milhões. Viver de aparência parece ser a nova moda consolidada. O facebook de alguma forma contribuiu para popularizar isso, afinal, ninguém deseja “sair feio na foto”.

É impressionante como a igreja foi influenciada tão rapidamente por isso. É impressionante como as famílias cederam à estética.

Alguém já disse que “aparência é tudo”.

Vez por outra ainda ouço que não precisamos de estudo bíblico sério e sistemático. Precisamos da ação do Espírito Santo na vida do cristão. Os que defendem ou simplesmente verbalizam isso, estão dizendo que estudar a Bíblia e ação do Espírito Santo é contraditório. E durante muito tempo a igreja foi atacada exatamente por seus próprios membros que defenderam, ou ainda defendem, a proposta descrita.

Com isso, os absurdos que temos visto atualmente em muitas igrejas, vão se consolidando esteticamente como verdade e padrão a ser adotado. A resistência e luta da igreja contra os males da atual geração evangélica ainda é melindrosa e cheia de atenuantes. E é claro que uma falsa teologia, um falso evangelho, não haverá de produzir fé genuína. Por isso, é bom lembrar que Bíblia faz bem à saúde.

Mais especificamente, encontramos cristãos despreparados para enfrentar a dor, o sofrimento e a morte. Também encontramos cristãos despreparados para enfrentar a fama, o sucesso e o triunfo.

Conheci vários membros de outras denominações que, ao ouvirem sobre a Soberania de Deus e suas implicações, ficaram boquiabertos e inconformados. Lembro-me de uma das frases dita por um irmão que acompanhei durante algum tempo. Ele me disse: “como isso me foi negado durante todos estes anos” !?

Vivemos numa época em que a vacilação e flexibilidade são louvados enquanto certeza e confiança são vistas como defeitos de caráter.

Os cristãos foram contaminados e instruídos a olhar para os fatos pelas lentes das ciências sociais e não através da bíblia. Pensar biblicamente está fora de moda. Usar o santo remédio que é Palavra de Deus, a Bíblia como recurso para nossa vida tem se tornado um verdadeiro desafio. Um rápido exemplo disso é a caixinha de promessas. Os textos foram selecionados somente para dizer ao aventureiro que tudo dará certo na vida.

Recordo-me de um aconselhamento em que o aconselhado estava com uma crise de fé. E, em meio à crise de fé, escolheu ler um filósofo existencialista (Nietzsche). E assim, afundou-se ainda mais na dúvida e na incerteza quanto a Deus, seus valores, seu reino ou sobre Cristo e o cristianismo. Nietzsche, definitivamente, não foi um bom conselheiro para a vida do meu amigo.

No estudo acadêmico, é claro que devemos, se tivermos oportunidade, de estudarmos os mais diversos aspectos do ser humano. Entretanto, devemos cuidar para que não fiquemos fascinados com outras coisas ou outras pessoas, além do que convém quanto a admiração, afinal, Deus não compartilha sua glória com ninguém.

A Bíblia faz bem à saúde. Ela não apenas nos fortalece, mas também nos ajuda no conhecimento de nós mesmos.

Atualmente, a saúde tem sido uma das áreas em que há investimento pesado de tempo, pesquisas e dinheiro. Afinal, não basta viver mais alguns anos, todos queremos viver e envelhecer com saúde. E para conseguir isso, investimos na alimentação balanceada, no cuidado com os excessos, dietas, ingestão de complementos para ajudar o metabolismo, enfim, a lista é extensa. O fato é que o mundo está muito preocupado com a saúde física. Guardada as devidas proporções, é claro que devemos cuidar da nossa saúde da melhor maneira possível. Entretanto, quando o assunto é cuidar da verdade bíblica, aí encontramos um problema fundamental.

As vezes tenho a impressão que a falsa teologia da prosperidade ganhou mais terreno no coração das pessoas do que podemos medir. Já escutei que esta falsa teologia já passou. Será mesmo? Ainda hoje a medida de uma boa vida é medida pela conta bancária. Vemos isso mais intensamente quando olhamos para igrejas. As maiores e mais ricas igrejas são qualificadas como as mais abençoadas. Enquanto as igrejas mais frágeis e menores são estimuladas a olharem para as igrejas mais ricas.

Além disso, vemos cristãos procurando os livros evangélicos de autoajuda intensamente. Para estes, os melhores sermões são aqueles que elevam nossa autoestima. Nossas programações eclesiásticas estão se transformando em programas legais para entretenimento. Pais estão procurando igrejas em que seus filhos possam ter atividades das mais variadas. Terceirizaram o ensino bíblico. Homens e mulheres querem uma atividade que lhes traga prazer e os faça esquecer dos seus problemas. Piadistas ganham espaço e status de pregadores maravilhosos. A Psicologia tem se tornado cada vez mais a ferramenta usada para aconselhamento. Casais estão se divorciando em razão da busca da felicidade. Cristãos estão a fraudar o bom testemunho para alcançar o desejo pecaminoso do coração. Cantores estão ameaçando seus críticos enquanto tais cantores destilam doses gigantescas de veneno de ensinos antibíblicos. É claro que isso não faz bem à saúde espiritual da igreja, da família ou mesmo do indivíduo.

A Bíblia faz bem à saúde porque revela meu pecado e minha natureza pecaminosa.

A Bíblia faz bem à saúde porque revela quem é Deus, santo e soberano e que não divide sua glória.

A Bíblia faz bem à saúde porque é a Palavra de Deus, viva e eficaz, e esta palavra é inerrante, autoritativa e suficiente.

A Bíblia faz bem à saúde porque demonstra claramente a realidade do céu e do inferno.

A Bíblia faz bem à saúde porque informa que haverá um julgamento justo e definitivo sobre todas as pessoas e suas ações.

A Bíblia faz bem à saúde porque revela que o filho de Deus, Jesus Cristo, esteve entre nós, morreu, ressuscitou, foi assunto aos céus e um dia retornará em glória.

A Bíblia faz bem à saúde porque revela que Jesus Cristo cumpriu a lei e ele, somente ele, pode agradar Deus.

A Bíblia faz bem à saúde porque revela que em Cristo, somos feitos nova criatura, e agora em Cristo, agradamos a Deus.

A Bíblia faz bem à saúde porque demonstra que Deus quer ser adorado não pela criatividade humana, mas conforme ele mesmo estabeleceu e que todos os atos de culto devem apontar tão somente para o Deus Altíssimo.

A Bíblia faz bem à saúde porque posso encontrar nela todo recurso celestial para lutar contra o pecado neste mundo caído.

A Bíblia faz bem à saúde porque não há outra fonte legítima para conhecermos Deus e qual a sua vontade para nossa vida.

A Bíblia faz bem à saúde porque aponta para o quebrantamento de coração, a humildade que devemos cultivar, a santidade que devemos ter, a confiança naquele que cuida de nós, a serenidade penetrante em tempos de tribulação, e o louvor a ser direcionado tão somente para Deus e Cristo Jesus.

A Bíblia faz bem à saúde porque declara a bendita ação do Santo Espírito de Deus em nós e através de nós.

Em tempos estranhos como os nossos, em que fontes fora da Bíblia são cada vez mais utilizadas, é urgente que o povo do Senhor se levante e erga-se para proclamar um retorno à Palavra de Deus. Como lemos no Salmo 119 10 e 11:

Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos.

Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.

terça-feira, 3 de maio de 2016

As mentiras dos outros... e as minhas

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Um dia desses fui novamente levado a pensar sobre a mentira. Abri o Facebook e li a notícia de que um amigo ia ter mais um filho e, claro, tratei de parabenizá-lo. Mais tarde tomei conhecimento de que tudo não passava de uma “brincadeira” feita por amigos dele que entraram em sua conta e colocaram a notícia.

Em princípio fiquei bravo de ter sido enganado e comecei a pensar nos desdobramentos. Quantas pessoas não poderiam ter passado a notícia para frente, até para familiares que não têm acesso ao Facebook, e criar uma falsa expectativa? Isso me deixou ainda mais furioso, mas me levou a pensar também nas minhas mentiras.

Em “brincadeiras” com minha filha, às vezes falo algo que não é verdadeiro só para ver a reação da pequena. Às vezes, diante de uma palavra malcriada da parte dela, ao invés de ensiná-la a honrar os pais, como Deus ordena, finjo que estou triste e chorando para ver se ela vai demonstrar algum arrependimento ou, no caso, remorso, visto que no fim das contas ela não está aprendendo a lamentar pelo que fez, mas pela consequência do que fez.

Quando o foco do meu pensamento passou a ser as minhas mentiras, o caso não me pareceu assim tão grave e fui tentado a racionalizar: “Não podemos levar tudo a ferro e fogo! O que tem de mais numa brincadeira?”, “todos gostamos de nos divertir”, mas pela graça de Deus logo me veio à mente o versículo de Provérbios 26.18-19: “Como o louco que atira brasas e flechas mortais, assim é o homem que engana o seu próximo e diz: ‘Eu estava só brincando!’” (NVI).

Creio que o Senhor fez registrar esse texto na Escritura exatamente por causa dessa nossa tendência de tentar minimizar aquilo que a Bíblia chama de pecado. Se sou eu a quebrar a Lei do Senhor é melhor aliviar um pouco e dizer que é apenas diversão ou que estamos a testar alguém.

Como cristãos sabemos, ou deveríamos saber, de cor o nono mandamento que diz: “Não dirás falso testemunho contra o seu próximo” (Êx 20.16), e aí está o maior dos problemas da mentira. Ela não é má e desaconselhada somente porque pode criar falsas expectativas, como no caso da notícia sobre o “novo filho” do meu amigo, ou porque pode ser usada para ensinar errado, como no meu caso com minha filha, mas porque é uma afronta àquele que é a Verdade (Jo 14.6) e que ordena a seus filhos que falem a verdade. Calvino é preciso em sua interpretação desse mandamento, quanto afirma:

“Por este mandamento Deus, que é a verdade, e que detesta a mentira, obriga-nos a dizer e manter a verdade sem fingimento. O sumário disso é que não prejudiquemos a reputação de ninguém com calúnias ou boatos, nem lhe causemos dano com relação a seus bens com falsas acusações. Enfim, que não prejudiquemos ninguém com calúnias ou com zombaria” (Institutas I.III.69).

Quando falamos a verdade honramos ao Deus da verdade, mas quando mentimos ou damos crédito à mentira agimos como promotores do diabo, que é o pai da mentira (Jo 8.44). Não há meio-termo, não existe possibilidade de falar mentira e, ao mesmo tempo, cumprir o nosso chamado para glorificar a Deus em tudo o que fizermos (1Co 10.31).

Ao mentir desonramos diretamente a Deus quando quebramos a sua Lei, indiretamente ao levar pessoas a louvar a Deus por algo que ele não fez, como no caso dos cumprimentos recebidos por meu amigo, e expomos outros ao pecado, como no meu caso ao instruir errado a minha filha e acabar levando-a ao remorso em vez do arrependimento, e isso só para ficar nos dois casos que estou tratando aqui.

A tentação de mentir está mais presente em nosso dia a dia do que imaginamos: para nos esquivar de responsabilidades sem parecer preguiçosos, não parecer mal-educado diante de alguém que lhe ofereceu uma comida da qual você não gostou muito, não ser repreendido por algum erro cometido no trabalho, não começar uma briga com a esposa que não entenderá se a verdade for dita ou ainda para nos divertir à custa de outros.

Diante disso devemos examinar o nosso coração diante de Deus, lembrando-nos sempre de que fomos chamados para deixar a mentira e falar sempre a verdade com o próximo (Ef 4.25) e, é claro, falando a verdade em amor a fim de crescer em Cristo Jesus (Ef 4.15).

Não brinque com a mentira, pois, como afirmou Salomão, isso é coisa de louco (Pv 26.18-19).

Milton Jr.

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