terça-feira, 31 de maio de 2016

Vamos pensar biblicamente?

423827705-bibliaPode parecer simplista o convite apresentado no título, entretanto, considero o pensar biblicamente uma urgência. É impressionante como a igreja foi e está sendo influenciada pelo pensamento secular, pela filosofia secular, pelo estilo de vida secular. A igreja não foi criada para refletir os padrões deste mundo em seu próprio estilo de vida. Na Bíblia encontramos esta declaração maravilhosa sobre a igreja:

Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade. (1 Tm. 3.15).

A igreja de Deus é coluna e baluarte da verdade. Isso é verdade pois a igreja é de Deus e deve refletir a glória de Deus, deve refletir seus atributos comunicáveis.

Recordo-me de um episódio que servirá de ilustração. Debati com uma jovem por aproximadamente duas horas sobre a heresia G12. Durante este tempo, argumentei mostrando e aplicando os textos bíblicos, apontando as incoerências deste movimento. Por fim, disse que, no material do idealizador do movimento havia uma orientação quanto a “liberar perdão a Deus”. Esta e outras coisas constavam no material original. Propus encaminhar o material para ela com a condição de que ela abandonasse o movimento, caso verificasse que o material continha o que eu estava dizendo. Eis o seu contra-argumento: “Apesar de não ter lido, não abandonarei o movimento, pois sei que isso não está escrito lá no material”. É claro que isso me surpreendeu. Como é possível que alguém proceda e pense desse jeito? Não leu, não verificou, mas acredita de todo o coração que o que pensa está correto e nada mudará isso! É assustador verificar que esse é o padrão atual dos cristãos. Isso não é pensar biblicamente.

Podemos começar um debate, apresentar os argumentos bíblicos, históricos, teológicos e, mesmo assim, sermos surpreendidos com uma frase demolidora dos nossos dias. A pessoa pode simplesmente dizer: “eu não concordo com você.” A pessoa não precisa apresentar qualquer argumento para demolir as argumentações bíblicas, basta dizer, “eu não concordo com você.”

Como os argumentos não estão sendo pautados pela instrução bíblica, qualquer argumento serve aos propósitos.

Uma vez que muitos cristãos abdicaram de pensar biblicamente, pensarão utilizando algum outro padrão.

Ao invés de utilizarem a Bíblia, passaram a usar outros padrões de instrução. A pedagogia marxista seduziu os professores que passaram a utilizar técnicas pedagógicas na igreja. A educação de filhos deixou de ser algo da esfera bíblica e passou para a esfera da psicopedagogia secular. Os líderes das igrejas foram instruídos em seus trabalhos sobre neolinguística e entenderam que deveriam aplicar isso na igreja local. Estratégias de marketing empresarial começaram a ditar as regras para a promoção da igreja e dos trabalhos da igreja. O culto deixou a esfera exclusiva de adoração a Deus para a esfera do entretenimento dos crentes e dos visitantes não crentes. O aconselhamento bíblico-pastoral deixou a esfera bíblica e aliou-se à esfera das psicologias/psicanálises seculares.

O resultado de décadas de desenvolvimento de tudo isso não foi a santificação do povo do Senhor e da sua igreja, mas, o enfraquecimento da igreja, comprometendo o testemunho cristão e a dinâmica da vida cristã diante de um mundo cada vez mais ardiloso quanto ao pecado.

Para cada crise enfrentada pela igreja há sempre alguém a pensar em alguma atividade, alguma nova técnica, algo novo a ser implantado. Pensar biblicamente tem passado longe da perspectiva de muita gente e de muitas igrejas. Por isso, penso ser urgente e trabalhoso pensar biblicamente para todas as áreas da nossa vida.

John Macarthur escreveu um livro instigante com o título Pense Biblicamente, convocando e desafiando o povo de Deus a pensar biblicamente, afinal, a visão de mundo ímpia não pode tragar a visão cristã de mundo.

Todos os dilemas atuais foram selecionados para a esfera secular do mundo ímpio. Assim, depressão, angústia, dilemas morais, falta de sono, ansiedade, rebeldia dos filhos, medo de morrer, medo de viver, culpa, idolatria, ira, raiva, ciúmes, enfim, os frutos da carne (Gálatas 5. 16-21), foram retirados da competência da igreja de apresentar as devidas respostas a tudo isso. É uma forma do mundo ímpio dizer em alto e bom som que não quer que a igreja, com sua orientação bíblica-cristã, se intrometa nestas esferas da vida. E é curioso que quanto mais relevante a igreja se torna, atendendo aos anseios do mundo, menos relevante ela se torna referente a ser uma luz moral ao mundo caído.

A igreja deve zelar por continuar a ser baluarte da verdade, pois pertence a Deus e deve refletir sua glória e seu caráter.

Pensar biblicamente exigirá certa dose de coragem e ousadia. Aos que decidirem pensar biblicamente, deverão saber que estarão indo contra uma cultura ruim estabelecida fora da igreja e dentro da igreja.

Você poderá ser acusado de obscurantista ou mesmo ignorante. Será tentado a usar os mesmos pensadores que o mundo adora, simplesmente para demonstrar que você conhece os intelectuais utilizados e aclamados. Mas garanto que nenhum deles se compara ao mestre por excelência, nosso amado e bom pastor, Jesus Cristo. Nossas armas nãos são temporais, ainda que saibamos usá-las como um verdadeiro mestre esgrimista. Veja o exemplo do apóstolo Paulo em Atenas. Demonstrou junto aos atenienses que conhecia os autores e poetas gregos. Citou um deles em sua pregação. Porém, sua base de argumentação não se fundamentou na lógica grega, mas na ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.

Estudar e conhecer os pensadores seculares não é pecaminoso. Como dizia meu professor de hermenêutica do seminário, “tudo é nosso”. Podemos e devemos conhecer tais pensadores. Ver e perscrutar seus pensamentos e motivações. Assim, poderemos ver como pensam e como são influenciados os ímpios e muitos cristãos. Mas lembrem-se. Nenhum livro retrata a alma do ser humano melhor do que a Bíblia.

Podemos ler ver a alma sombria dos homens nos livros de Dostoiévski (1821-1881) ou a maldade da alma em Friedrich Nietzsche (1844-1900), entretanto, ao lado do apóstolo o Paulo corajosamente afirmamos que tudo isso não passa de rudimentos do mundo.

A igreja tem a oferecer Jesus Cristo. Tenho a impressão que hoje muitas igrejas e cristãos estão atrás da prata e do ouro que os apóstolos afirmaram não possuir. Possuiam Jesus Cristo e isso foi suficiente.

Pensar biblicamente sobre namoro, noivado e casamento é um desafio constante. Pensar no relacionamento conjugal à luz da Palavra de Deus é um grande desafio diário. Pensar biblicamente sobre a relação entre pais e filhos ou, pensar biblicamente na relação de submissão e obediência dos filhos para com os seus Pais agrada a Deus e isso é encorajador.

Sei que num primeiro momento parece difícil pensar biblicamente. Diria que é mais difícil do que a maioria das pessoas poderia imaginar, afinal, seremos tentados a abandonar as orientações bíblicas todo o tempo. Entretanto, lembre-se das palavras do apóstolo Paulo:

Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. (Filipenses 1.6).

Espero em Deus que nos próximos artigos possamos discutir e apresentar mais detalhadamente sobre este fascinante tema. Pensar biblicamente tem sido um desafio.

Pensar biblicamente tem proporcionado refrigério ao meu coração pela certeza maravilhosa de que o soberano Deus nos ajudará nas horas mais escuras da tempestade. Sua poderosa mão nos guiará em direção a ele mesmo. Todos os seus eleitos serão efetivamente santificados. Esta é uma bela promessa.

Então, caros leitores, quero desafia-los a pensar biblicamente. Aceita o desafio? O prêmio é a promoção exclusiva da glória de Deus, seu reino e seu evangelho.

Reações:

1 comentários:

Anônimo disse...

Que assim seja!!
Nele, por Ele, e para Ele.

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