terça-feira, 17 de maio de 2016

Você conhece o Monismo?!?

Sei que pode parecer estranha a pergunta, mas você já pode ter sido vítima dele. Na verdade, a questão é simples... até demais.

O monismo é uma doutrina com efeitos bem práticos. Para a maioria dos cientistas, filósofos e médicos (e até teólogos), o homem é composto de apenas uma substância - a física. Há quem chame isso de materialismo, ou fisicalismo, mas no final, dá no mesmo: o velho monismo sendo trazido de volta sob roupagens novas, com ares elegantes de uma sabedoria que nada sabe.

Embora existam várias teorias dentro do monismo, no final, todas elas acabam por reduzir o homem a um único elemento, geralmente físico.

A esta altura você já deve estar se perguntando por que é importante saber disso e quais seriam as implicações caso você não soubesse da existência dele.

Na verdade, embora não chamado pelo nome apropriado, o monismo rasteja presente em muitos consultórios, laboratórios, salas de estar e saguões de igrejas. Veja, por exemplo, que a maioria dos cientistas neurocognitivos acreditam que a mente possa ser explicada somente pela abordagem física: nós somos nosso cérebro. O que torna esse fato interessante é ver cristãos, que deveriam saber que são bem mais que simplesmente "pó da terra".
 
É justamente este monismo/materialismo que dá base para muitos dos atuais tratamentos para os problemas humanos, receitando para os mesmos substâncias cujo poder de atuação é confinado ao corpo, ou seja, a química de ajuste fino do cérebro humano.

Este modelo de abordagem, muitas vezes aceito acriticamente, tem caminhado com a crescente avalanche de publicações que insistem em dizer que ficamos doentes na alma ou na mente. Embora o discurso pareça divergir e diferenciar uma coisa da outra, no final, não está. Entra em cena o monismo que põe fim às discussões e impõe que a solução para os males da mente e/ou da alma esteja na medicação... física. Em resumo, para ambos, males físicos e mentais (ou psicológicos), o remédio acaba sendo o mesmo.

Visto por este prisma, o que parece ser a celebração do descobrimento científico, ou a apropriação de avanços tecnológicos e descobertas recentes, na verdade é um reducionismo inapropriado, cujas implicações são desconhecidas da maioria das pessoas. Pense nisso: Como deveríamos tratar "doenças na alma"? Há hoje em dia uma tremenda pressão para que aceitemos que todas as doenças, o que certamente inclui as desordens mentais, tenham tão somente uma causa física. Se isto for assim, e nada mais há do que o físico, então o tratamento e a cura devem ser encontrados somente no universo físico. Deveriam os cristãos concordar com esta conclusão?

E a problemática vai além, visto que a alma acaba por ser definida como nada mais do que suas funções cognitivas e emocionais, todas emanando de seu órgão físico correspondente, a partir de tal perspectiva, o espiritual é virtualmente posto de escanteio, e fica fora de consideração.

É neste ponto que uma abordagem bíblica causa tanto impacto. Do campo da ciência é bem possível que não venha uma explicação ou prova de que sejamos mais do que o que os olhos possa ver. Mas a Bíblia insiste, na condição de Palavra de Deus, que somos mais que nossos corpos.

Jesus, que tratava de outro assuntos, acabou por nos dar um vislumbre suficiente claro de que a morte pode  atingir "mortalmente" mais que nosso corpo: Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo (Mt 10:24-28).

Ainda temos o registro do sábio que nos adverte à constante lembrança do Criador, antes que sejamos visitamos pela morte, que nos divide de tal forma a fazer com que corpo, que é pó, "volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.7) [Alguém mais notou a ausência de um terceiro elemento?]

Não podemos abrigar, "esquizofrenicamente" ambas as noções, monista e bíblica, pois uma anula a outra. Se aceito que o homem é uma máquina humana física, o que é deixado para as ordens e diretrizes "espirituais" da Escritura, bem como suas ilustrações e úteis estratégias? Por conta da ênfase da psicologia e medicina, o elemento espiritual é considerado de pouca importância ou irrelevante.


Então, meu caro leitor, o convite é para que haja um exame mais profundo acerca dos pressupostos bíblico-teológicos por trás do que normalmente não enxergamos como assunto teológico, de modo a pensar mais cuidadosamente sobre aquilo que normalmente as pessoas não costumam questionar. No que tange a antropologia bíblica, precisamos buscar levar tanto à sério, quanto na prática, as implicações de se sustentar a crença bíblica de que o ser humano é mais do que uma máquina ou um animal, e assim, informados, nos apropriar do que a ciência tem a nos ensinar, de modo a que não sejamos monistas na prática, ainda que sustentando uma teologia diferente.

Jônatas Abdias

Reações:

0 comentários:

Pesquisar este blog

Pesquisar por assunto

Aconselhamento Bíblico (29) Adultério (1) Aflição (3) Agradar a Deus (4) Alegria (5) Amor (2) Amor ao próximo (1) Anarquia (1) Ano Novo (2) Ansiedade (1) Antropologia (1) Argumentação (7) Arrependimento (6) Auto-engano (1) Auto-estima (2) Auto-exame (2) Auto-justiça (4) Autoconhecimento (2) Autoridade (1) Casais (2) Casamento misto (1) Compaixão (3) Comportamento (13) Comunhão (2) Comunicação (5) Confiança (8) Conflitos (4) Confrontação (3) Conhecimento de Deus (6) Consolo (4) Contentamento (3) Convencimento (8) Coração (6) Coração de pedra (1) Cosmovisão (9) Criação de filhos (6) Cuidado da alma (6) Cuidados do conselheiro (3) Culpa (3) Dependência de Deus (2) Depravação total (1) Depressão (1) deprevação total (1) Desejos do coração (8) Deus conosco (1) Direitos (1) Dor (2) Edificação do irmão (1) Egoísmo (4) Emoções (7) Encorajamento (11) Engano (5) Escolhas (2) Esperança (3) Estudo (1) família (2) Farisaísmo (2) Fariseu (3) (3) Felicidade (1) Filosofia (1) Fundamentos (14) Glória de Deus (6) Guerra (3) Humildade (1) Idolatria (10) Ídolos do coração (3) Imagem de Deus (1) Instrução (4) Intentos do coração (1) intimidade com Deus (1) Inversão de valores (3) Ira (2) Jean Carlos (12) Jean Carlos Serra Freitas (13) Jônatas Abdias (30) Justiça de Deus (1) Justiça própria (3) Justificação (1) Legalismo (2) Liberdade cristã (2) luta por poder (1) Más lembranças (3) meios de graça (1) Mentira (2) mil (1) milt (1) Milton Jr. (59) Monismo (1) Motivação (12) Motivações (4) Obediência (1) Objetivos (1) Oração (2) Orgulho (2) Paciência (3) Palavra de Deus (10) Passado (3) Paz (5) pecado (4) Perdão (7) Piedade (4) Plano de Deus (3) Planos (1) Prática da Palavra (17) Prática do aconselhamento (7) Presença de Deus (2) Pressupostos Teológicos (18) Psicologia (4) Psiquiatria (1) Racionalização (1) Redenção (7) Relacionamentos (7) remédios psiquiátricos (1) Remorso (2) sabedoria (6) Salvação (1) Santificação (3) Soberania de Deus (6) Sofrimento (7) Suficiência das Escrituras (24) Tarefas (2) Temor de homens (2) Temor do Senhor (1) teoria (1) Tesouros (1) tristeza (5) Unidade (1) Verdade (4) Vida cristã (26) Vontade de Deus (4)