terça-feira, 28 de junho de 2016

Filhos adolescentes e a suficiência da Escritura

Em seu livro "Idade da Oportunidade", Paul Tripp conta uma experiência durante uma conferência que o alertou a respeito da maneira como normalmente as pessoas encaram o período da adolescência dos filhos. Embora esta possa não ser a sua experiência, de certo que retrata a maioria dos casos. Pelo menos é esta a sensação que tenho particularmente ao observar o mundo à minha volta.

Depois de relatar um breve encontro com um casal pais de adolescentes, desanimados porque o fim da conferência descortinava a perspectiva de retornar à lida do trato com os filhos, ele escreve: "Há algo inerentemente errado na epidemia cultural do medo e no cinismo em relação a nossos adolescentes. Algo não vai bem quando o objetivo máximo dos pais é sobreviver a esta fase. Precisamos reconsiderar: esta é a visão bíblica de tal período da vida? Esta visão leva a estratégias bíblicas de educação e à esperança bíblica?" (p. 14).

Como pastor também, testemunhei igual sentimento dentro da igreja, mas principalmente fora dela. Nem sempre nos damos conta de que existe este pressuposto de que a adolescência é uma fase a ser "sobrevivida" e nunca desfrutada. Se há alguém que aproveita a fase, estes não são os pais...

Entretanto, como novamente apontado por Tripp, esta concepção não passa de cinismo mundano, e não deve ser adotada por nós cristãos.Na condição de conselheiros bíblicos, não podemos compactuar ou incentivar a adoção ou permanência de tais valores que somente nublam a manifestação da glória de Deus na vida comum do lar.


Se a cultura da sobrevivência nos anos adolescentes (vistos como "anos rebeldes") for tolerada, estaremos dizendo sem palavras, que "as verdades das Escrituras, o poder do Evangelho, a comunicação bíblica e os relacionamentos que agradam a Deus não são páreos para os anos da adolescência", e esta é a "teologia que se esconde atrás desta visão" (p. 15). Não somente a nossa visão da adolescência, mas todo o conjunto de crenças sobre nossos filhos demonstra, na prática, o que realmente cremos sobre a suficiência e o grau  de influência que a Bíblia ocupa em nossa vida.

Se a cultura à nossa volta advoga uma sabedoria cínica e rebelde, é nosso dever pensar e fazer diferente, fazendo valer nossa cidadania celeste. Se quisermos que aqueles à nossa volta encontrem alternativas ao que lhes é oferecido no mundo, precisamos nós mesmos sermos diferentes, e esta diferença precisa ir além do discurso, encontrando o curso da vida.

Este é apenas um exemplo, mas precisamos estar atentos a toda manifestação de cosmovisão que nossa lida diária traz e repensar, se necessário, a maneira como tais coisas revelam a nossa pouca consideração pela Palavra de Deus.

Por isso, se "realmente desejamos ter uma visão dos adolescentes que nos faria acreditar que as verdades que dão vida e esperança a todos que creem não podem atingir o adolescente", então "não podemos conservar uma fé robusta no poder do evangelho se continuarmos aprovando o cinismo de nossa cultura sobre a adolescência" (p. 15-16).

Mas se, pelo contrário, conseguirmos apresentar uma prática decorrente de nossa crença como algo coerente com a visão bíblica desta fase da vida, certamente passaremos outra mensagem. Uma que diga a verdade sobre a vida e a Escritura, ou seja, de que reconhecemos que toda fase da vida, o que inclui a adolescência, possui seus desafios e dificuldades particulares, mas para todas elas existem respostas satisfatórias nas páginas da Escritura Sagrada. A Bíblia é suficiente para a adolescência, e se ela o for para este momento da vida, certamente o será para os demais também. E assim, dispostos a buscar nela a tão necessária orientação, encontraremos material suficiente para enfrentar todos estes momentos com alegria, graça e esperança.

                                                                                                                                         Jônatas Abdias

terça-feira, 21 de junho de 2016

Vamos pensar biblicamente? Os males do passado e a esperança da redenção.

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Durante dois anos, em cada visita que realizava por ocasião do aniversário dos membros da igreja, utilizei o mesmo texto e expliquei basicamente da mesma forma o maravilhoso texto do livro de Provérbios 3.6:

Reconhece-o em todos os seus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Ao final destes dois anos, uma irmã percebeu a repetição de um aniversário para outro. Então eu disse que estava usando o mesmo texto há dois anos. Foi uma surpresa para os ouvintes.

Definitivamente precisamos ser mais ágeis na apreensão do ensino bíblico. Precisamos atentar mais rapidamente para a instrução da Palavra de Deus. Precisamos ter toda nossa atenção ao que nos é ensinado. Não podemos permanecer distraídos enquanto as eternas verdades estão sendo apresentadas.

Dito isso, e com o desejo de explorar este maravilhoso texto do livro de Provérbios, preciso fazer a seguinte pergunta: os males do passado estão roubando sua alegria?

Um dos estilos popularizados em nossos dias é a chamada mensagem motivacional, ou, mensagem de autoajuda. Os cristãos que buscam este tipo de mensagem, estão buscando prazer e alívio imediato. Tais mensagens produzem a sensação de alívio. O problema é que os dilemas de um passado ruim e as angústias causadas pelas más lembranças não são devidamente solucionadas. As pessoas que abraçaram a mensagem triunfalista continuam fugindo/ignorando o passado e, pior ainda, como não são confrontadas com o pecado, não são moldadas e transformadas à imagem e semelhança de Jesus. Não há santificação, não há entendimento bíblico sobre a história pessoal, não há gozo e segurança na condução da história pelo Deus Altíssimo, não há esperança.

Voltemos nossa atenção ao texto de Provérbios 3.6: Reconhece-o em todos os seus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Há aqui duas considerações, uma ordem e uma promessa. A ordem é para reconhecermos Deus em todos os nossos caminhos e a promessa é que ele vai endireitar as veredas. O que isso significa?

Lembremos que as recompensas da sabedoria e do temor ao Senhor são temas centrais no livro de Provérbios. A observância e prática dos princípios da Palavra de Deus são fundamentais para capacitar os cristãos a evitar as perigosas armadilhas da vida.

Tenho visto ao longo destes últimos anos a confusão de perspectivas quanto a ação de Deus. Foi vendida a ideia (e comprada rapidamente) de que devemos esquecer nosso passado e desfrutar do presente para nos preparar para o futuro. Alguns dão a entender que Deus só começou a agir quando do momento da conversão em diante.

Sei que há muitos irmãos fieis com dificuldades reais em função de problemas reais do passado. Sei que há histórias desastrosas e horríveis e que tais fatos tumultuam a vida. Será que a Bíblia ajuda a enfrentar as grandes tragédias do passado que perturbam nossa paz ainda hoje? É claro que a resposta é sim.

Primeiramente devemos lembrar que o Deus Todo-Poderoso reina infinitamente. Ele não joga dados com nossas vidas. Ainda que não consigamos explicar cada detalhe de cada aspecto da nossa história, devemos encorajar nosso coração a descansar em Deus.

Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo.

Salmo 131.2

Não somos reféns do nosso passado ruim. O Senhor nos libertou de tal ordem que podemos olhar para o passado e reconhecer a condução da nossa história.

Reconhece-o em todos os seus caminhos – somos capacitados e descansar à sombra do onipotente Deus.

Salmo 91.1.

Ele endireitará nossas veredas – ele pacificará nosso coração lançando luz celestial atingindo a mente perdida pelas densas trevas do passado. Haverá o reconhecimento de que o Senhor sempre reinou. Ele mesmo santificará nossos sentimentos. Isso não inclui um olhar ingênuo do passado ou, uma amenização das tragédias. Com coragem olharemos para o passado na percepção de que Deus não desampara os seus.

Nossas lembranças ruins, nosso passado desastroso, nossa visão da nossa própria história pode ser redimida por Deus. O texto de Provérbios 3. 6 nos mostra uma ordem e uma promessa: Reconhece-o em todos os seus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Minha oração é que os servos do Senhor submetam-se ao seu cuidado e ao pastoreio de Jesus, e assim, experimentarão paz celestial, mesmo em meio ao vale sombrio da morte.

Aguardemos a viva esperança do retorno do nosso Salvador:

Algumas orientações práticas:

1 – Creia de todo o coração que há respostas para nossos dilemas morais na Palavra de Deus;

2 – Confesse o pecado da incredulidade, afinal, quantas vezes desconfiamos do cuidado pastoral do nosso bom Deus;

3 – Creia que há um propósito para todas as coisas. Isso não significa que você entenderá todas as coisas, mas que Deus continua soberanamente no controle da história;

4 – Clame a Deus por um coração quebrantado e humilde.

5 – tenha coragem de rejeitar qualquer ensino ou tentativa de ajuda que não aponte para a Palavra de Deus e sua soberania.

6 – Procure conselheiros comprometidos com Deus e a centralidade da Palavra. Compartilhar os dilemas do coração com outro cristão verdadeiro é um bom meio de Deus nos ajudar.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Você não precisa supor

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Há alguns anos fui pregar em uma igreja pastoreada por um amigo e passei o domingo com ele e sua família. Após a escola dominical, sua esposa foi para casa preparar o almoço e nós passamos em um mercadinho para comprar um molho que havia faltado. Foi quando ele me falou que a esposa estava preparando um escondidinho de carne seca.

Nesse momento já comecei a ficar preocupado. Como não gosto de mandioca, mas sabia que quem estava me recebendo queria me agradar, bolei um plano para comer “sem sentir”. A cada garfada eu tomaria junto um gole da Coca-Cola que estava bem gelada e engoliria praticamente sem mastigar. O plano era perfeito, mas...

Chegamos em casa e ela ainda estava preparando o almoço. Conversa vai, conversa vem, de repente, a pergunta fatal: “Você gosta de escondidinho, né?”. Nesse momento, o plano foi por água abaixo. Como ela perguntou se eu gostava eu teria de falar a verdade (em amor, é claro!). Comecei com um “olha...” e ela já entendeu tudo, ficando bastante embaraçada: “Ai... não acredito... eu tinha que ter perguntado, desculpe”, “vou fazer outra coisa...”.

No fim, combinamos assim: Eu comeria somente carne e eles o escondidinho completo. Certamente a esposa do meu amigo queria muito me agradar, estava fazendo de coração, mas qual foi o erro dela? Supor que eu gostava.

Se eu quero agradar alguém, sem chance de errar, eu não posso supor. Eu devo perguntar do que a pessoa gosta e do que ela não gosta porque, com toda boa vontade do meu coração, se eu não souber do que a pessoa gosta eu posso errar. Suposições são perigosas, principalmente as culinárias, porque pode ser que estejamos enganados.

Muitos crentes querem, ou dizem querer, agradar a Deus. O problema é que, a despeito do que afirmam, não gastam tempo examinando a Palavra, que é onde Deus revelou o que o agrada e o que o desagrada, daí tentam supor o que devem fazer.

Se você quer agradar a Deus, você não precisa supor. Como bem afirmou o salmista a respeito do justo, “no coração, tem ele a lei do seu Deus; os seus passos não vacilarão” (Sl 37.31).

Deus deu a sua Palavra, que é a lâmpada para os pés e a luz para o caminho (Sl 119.105), a fim de que aqueles que foram libertos por Cristo possam viver de modo digno do evangelho (Fl 1.27). É impossível ser salvo por meio do cumprimento da Lei, que só foi cumprida plenamente por Cristo, entretanto, ela continua sendo o padrão para que os filhos de Deus caminhem em santidade, vivendo um padrão de justiça que excede o dos escribas e fariseus (Mt 5.17-20).

Paulo afirma que fomos “criados em Cristo Jesus,” – exatamente – “para boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas” (Ef 2.10). As Escrituras também exortam a seguir a piedade (1Tm 6.11), exercitar-se na piedade (1Tm 4.7), demonstrar que os crentes devem ter a consciência pura diante de Deus e dos homens (At 24.16), desenvolver a salvação (Fp 2.12), em suma, seguir “a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14), afinal de contas, os crentes devem ser santos, pois o Senhor o é (1Pe 1.16).

A grande questão é que você nunca vai conseguir viver piedosamente sem o conhecimento da Escritura. Aqueles que buscam agradar a Deus sem, ao mesmo tempo, ater-se ao padrão de santidade que ele determina em sua Palavra estão enganando a si mesmos. E o pior, muitos desses acreditam, de fato, que estão conseguindo levar a cabo o seu intento, pois medem a sua santidade comparando-se a outros que são “menos santos” que eles.

Deus não deixou sua igreja “no escuro”, tentando adivinhar sua vontade. Não! Ele deu um padrão bem objetivo que deve ser conhecido e, na força do Espírito, colocado em prática. Lembre-se que não é somente conhecer, mas também praticar, pois aqueles que ouvem a Palavra e não praticam foram comparados por Jesus a um homem que construiu uma casa sem fundamentos que não pôde se manter diante das intempéries da vida (Mt 7.26-27).

Nesse ponto, alguém pode argumentar que Deus está interessado é na intenção do coração. A isso respondo lembrando a história de Saul. Deus iria castigar os amalequitas e ordenou que Saul destruísse totalmente tudo o que eles tinham, além de matar a todos, incluindo os animais. Saul foi, mas deixou vivo o rei, além de poupar o melhor das ovelhas e bois. Quando Samuel foi até ele e ouviu o barulho das ovelhas e bois, perguntou o que tinha ocorrido. A resposta de Saul foi que ele havia obedecido ao Senhor, mas que o povo poupou o melhor dos animais para sacrificar ao Senhor.

Mesmo sabendo o que Deus havia ordenado, parece que Saul supôs que Deus se agradaria da oferta, afinal de contas, era o melhor das ovelhas e do gado. Mas o que ele ouviu de Samuel deve servir de lição para cada um de nós: “Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22).

Hoje sabemos que o melhor sacrifício já foi providenciado pelo Senhor, imolando seu próprio Filho para que pudéssemos ser reconciliados com ele e, nesta condição, podermos dar ouvidos às suas Palavras. Você não terá uma vida piedosa sem o conhecimento e prática da Lei do Senhor, portanto, em vez de supor, conheça!

Milton Jr.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Conselheiro: Você entende o que... Fala?

 

 

Tradução: Às vezes eu uso palavras compridas que eu não entendo completamente, num esforço de me fazer soar mais fotossíntese.

 

 

 

Eu gostava da palavra epistemologia, ainda que muito do que ela significasse me fugisse ao entendimento. Como muitos a repetiam, e ela parecia carregar importância significativa, pareceu-me importante procurar conhecer mais sobre o seu significado, na busca por entender o que os lábios diziam, alinhando assim palavra e pensamento.

Não é bonito falar do que se não entende. Para falar basta saber repetir, mas na condição de seres humanos, nossa humanidade é plenamente expressa quando aprendemos a pensar o que falamos, senão, logo aparecerá alguém dizendo que "viemos" do papagaio. Esse sim fala do que não entende.

Eu poderia lhe dizer que é importante que você saiba do que está falando numa sessão de aconselhamento, tanto quanto se espera que aquele que está no púlpito saiba do que está a dispensar para a igreja, como bom despenseiro dos mistérios de Deus (Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus 1 Corinthians 4:1); mas acredito que este tipo de expectativa é tão óbvia que repeti-la à minha maneira não passaria de um exercício tautológico. Sim, porque tautologia é dizer sempre a mesma coisa em termos diferentes. Tenho por certo que esperamos que as pessoas que falam das coisas, saibam das coisas que falam.

Isso posto, sigo dizendo que embora não possamos confinar toda a eficácia do aconselhamento bíblico a conhecimentos adquiridos cognitivamente, não podemos fugir, entretanto, ao fato de que um pouco de conhecimento é exigido aqui.

Um bom resumo já pode ser adiantado: Se você não gosta de estudar, ser um conselheiro bíblico será frustrante. Estudar é parte do estilo de vida de um conselheiro, e é tarefa fundamental de seu ministério como ministro da Palavra, quer formal (pastor de ofício) quer informal (pastor de exercício).

Existem muitos perigos que se cercam de quem se aventura na pista do aconselhemento como expressão da carreira da fé (Heb 12). Alguns desses perígos tem sérias consequencias. Pessoas que buscam por aconselhamento confiam que seus conselheiros lhe possam ajudar. Esta confiança fica enormemente abalada quando enchemos o peito e repetimos algo que ouvimos, aplicamos em contexto errado, e o aconselhado sofre as implicações práticas desagradáveis, decorrentes do conselho dado, na ignorância do que ele realmente signifique. Claro que há o efeito inverso, como quando a gente acerta sem saber como foi feito. Mas ai daquele que pedir pra gente repetir o feito! Acertar sem querer é sobrevida, mas errar sem querer é subvida, e não podemos arriscar com a nossa e menos ainda com a vida de outrem, que se confie ao nosso conselho.

Se a resposta ao dilema é oferecer os sábios conselhos e orientações da Palavra de Deus, então o dilema não é respondido de modo algum. Podemos oferecer a santa Palavra de Deus sem que ela significa nada para nós. Por isso o apóstolo Pedro insta: "antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1 Peter 3:15).

O risco? Incorrer no mesmo erro daqueles que tentaram falar de quem não conheciam, ignorantes quanto ao fato de que lidavam com coisa séria: "E alguns judeus, exorcistas ambulantes, tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre possessos de espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. Os que faziam isto eram sete filhos de um judeu chamado Ceva, sumo sacerdote. Mas o espírito maligno lhes respondeu: Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? E o possesso do espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa" (Atos 19:13-16).

Aconselhar é coisa séria. Mexe na vida das pessoas. Mexe com sua vida também. Então, o convite é para que você, que está engajado na lida do aconselhamento bíblico, não esmoreça, desista ou desanime diante da jornada aparentemente inacabável de estudo e pesquisa. Afinal, há que se estudar a pessoa, a fim de conhecê-la sem presunções. Há também que se estudar o que a Bíblia fala sobre problema que trouxe a pessoa até você. Se você foi procurado como conselheiro bíblico, não foi sua sabedoria que a atraiu, mas a sabedoria que flui por você, oriunda da Palavra de Deus. Portanto, espera-se ouvir de você o que a Escritura tem a dizer sobre o problema, e isto implica em muito estudo.

Uma vez que tais conhecimentos estejam na mente, agora eles precisam fazer um caminho complicado. Em muitos casos não bastará que os conhecimentos adquiridos saiam da sua mente em forma de palavras faladas rumo à mente do seu aconselhado. Será preciso que "o homem interior do coração" transformado pelo entendimento recebido se comunique com o próximo com vistas a alcançar o coração do outro. Falar ao coração tem o poder de tranquilizar o coração fugidio, encorajar o coração abatido, acariciar sem mãos o coração dorido e temeroso, trazendo alento e alívio (Gn 50.21). Então, é importante estudar a maneira como esse conhecimento vai me impactar, e como esse impacto será transmitido. Conteúdo e modo corretos. E quando a gente acha que acabou, tem ainda aquela ajuda sempre necessária ao aconselhado que precisa de boas e concretas dicas práticas para começar a caminhar nos novos passos apresentados, implementando a verdade na prática da vida.

Sim, estudar é parte significativa da missão do conselheiro bíblico, e pela sua importância deve ser feito Coram Deo piedosamente. Muitas vezes isso implicará num considerável volume de leituras, ou ainda no despender de tempo para se entender um conceito, bem como na separação de tempo para orar ou meditar num texto bíblico.

Esteja certo do que você quer dizer, para ter certeza de que foi entendido no que disse. Essa consciência nos manterá humildes quando sem querer a gente acertar. Nos confrontará quando o erro bater à porta com suas implicações, nos ensinando a evitá-lo no futuro. Mas acima de tudo, que essa consciência te leve para mais perto do Redentor e o torne um melhor instrumento em Suas mãos.

Jônatas Abdias

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