terça-feira, 7 de junho de 2016

Conselheiro: Você entende o que... Fala?

 

 

Tradução: Às vezes eu uso palavras compridas que eu não entendo completamente, num esforço de me fazer soar mais fotossíntese.

 

 

 

Eu gostava da palavra epistemologia, ainda que muito do que ela significasse me fugisse ao entendimento. Como muitos a repetiam, e ela parecia carregar importância significativa, pareceu-me importante procurar conhecer mais sobre o seu significado, na busca por entender o que os lábios diziam, alinhando assim palavra e pensamento.

Não é bonito falar do que se não entende. Para falar basta saber repetir, mas na condição de seres humanos, nossa humanidade é plenamente expressa quando aprendemos a pensar o que falamos, senão, logo aparecerá alguém dizendo que "viemos" do papagaio. Esse sim fala do que não entende.

Eu poderia lhe dizer que é importante que você saiba do que está falando numa sessão de aconselhamento, tanto quanto se espera que aquele que está no púlpito saiba do que está a dispensar para a igreja, como bom despenseiro dos mistérios de Deus (Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus 1 Corinthians 4:1); mas acredito que este tipo de expectativa é tão óbvia que repeti-la à minha maneira não passaria de um exercício tautológico. Sim, porque tautologia é dizer sempre a mesma coisa em termos diferentes. Tenho por certo que esperamos que as pessoas que falam das coisas, saibam das coisas que falam.

Isso posto, sigo dizendo que embora não possamos confinar toda a eficácia do aconselhamento bíblico a conhecimentos adquiridos cognitivamente, não podemos fugir, entretanto, ao fato de que um pouco de conhecimento é exigido aqui.

Um bom resumo já pode ser adiantado: Se você não gosta de estudar, ser um conselheiro bíblico será frustrante. Estudar é parte do estilo de vida de um conselheiro, e é tarefa fundamental de seu ministério como ministro da Palavra, quer formal (pastor de ofício) quer informal (pastor de exercício).

Existem muitos perigos que se cercam de quem se aventura na pista do aconselhemento como expressão da carreira da fé (Heb 12). Alguns desses perígos tem sérias consequencias. Pessoas que buscam por aconselhamento confiam que seus conselheiros lhe possam ajudar. Esta confiança fica enormemente abalada quando enchemos o peito e repetimos algo que ouvimos, aplicamos em contexto errado, e o aconselhado sofre as implicações práticas desagradáveis, decorrentes do conselho dado, na ignorância do que ele realmente signifique. Claro que há o efeito inverso, como quando a gente acerta sem saber como foi feito. Mas ai daquele que pedir pra gente repetir o feito! Acertar sem querer é sobrevida, mas errar sem querer é subvida, e não podemos arriscar com a nossa e menos ainda com a vida de outrem, que se confie ao nosso conselho.

Se a resposta ao dilema é oferecer os sábios conselhos e orientações da Palavra de Deus, então o dilema não é respondido de modo algum. Podemos oferecer a santa Palavra de Deus sem que ela significa nada para nós. Por isso o apóstolo Pedro insta: "antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1 Peter 3:15).

O risco? Incorrer no mesmo erro daqueles que tentaram falar de quem não conheciam, ignorantes quanto ao fato de que lidavam com coisa séria: "E alguns judeus, exorcistas ambulantes, tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre possessos de espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. Os que faziam isto eram sete filhos de um judeu chamado Ceva, sumo sacerdote. Mas o espírito maligno lhes respondeu: Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? E o possesso do espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa" (Atos 19:13-16).

Aconselhar é coisa séria. Mexe na vida das pessoas. Mexe com sua vida também. Então, o convite é para que você, que está engajado na lida do aconselhamento bíblico, não esmoreça, desista ou desanime diante da jornada aparentemente inacabável de estudo e pesquisa. Afinal, há que se estudar a pessoa, a fim de conhecê-la sem presunções. Há também que se estudar o que a Bíblia fala sobre problema que trouxe a pessoa até você. Se você foi procurado como conselheiro bíblico, não foi sua sabedoria que a atraiu, mas a sabedoria que flui por você, oriunda da Palavra de Deus. Portanto, espera-se ouvir de você o que a Escritura tem a dizer sobre o problema, e isto implica em muito estudo.

Uma vez que tais conhecimentos estejam na mente, agora eles precisam fazer um caminho complicado. Em muitos casos não bastará que os conhecimentos adquiridos saiam da sua mente em forma de palavras faladas rumo à mente do seu aconselhado. Será preciso que "o homem interior do coração" transformado pelo entendimento recebido se comunique com o próximo com vistas a alcançar o coração do outro. Falar ao coração tem o poder de tranquilizar o coração fugidio, encorajar o coração abatido, acariciar sem mãos o coração dorido e temeroso, trazendo alento e alívio (Gn 50.21). Então, é importante estudar a maneira como esse conhecimento vai me impactar, e como esse impacto será transmitido. Conteúdo e modo corretos. E quando a gente acha que acabou, tem ainda aquela ajuda sempre necessária ao aconselhado que precisa de boas e concretas dicas práticas para começar a caminhar nos novos passos apresentados, implementando a verdade na prática da vida.

Sim, estudar é parte significativa da missão do conselheiro bíblico, e pela sua importância deve ser feito Coram Deo piedosamente. Muitas vezes isso implicará num considerável volume de leituras, ou ainda no despender de tempo para se entender um conceito, bem como na separação de tempo para orar ou meditar num texto bíblico.

Esteja certo do que você quer dizer, para ter certeza de que foi entendido no que disse. Essa consciência nos manterá humildes quando sem querer a gente acertar. Nos confrontará quando o erro bater à porta com suas implicações, nos ensinando a evitá-lo no futuro. Mas acima de tudo, que essa consciência te leve para mais perto do Redentor e o torne um melhor instrumento em Suas mãos.

Jônatas Abdias

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