terça-feira, 26 de julho de 2016

O Pastoreio do Bom Pastor – Salmo 23

 

pastos verdejantesO Salmo 23 é um dos Salmos mais queridos e recitados dentre todos os Salmos. Crianças são ensinadas a recitá-lo assim que aprendem as primeiras palavras. É usado para confortar a alma ressentida pela dor, pelo sofrimento, pela morte. Além disso, tem um tom pastoral profundamente reconfortante.

Apesar de tudo isso mencionado acerca do Salmo 23, é curioso que este Salmo mundialmente conhecido, é notoriamente conhecido somente pelo primeiro versículo. É sempre bom lembrar que este Salmo possui seis versículos e não apenas um, compondo um dos mais agradáveis, reconfortantes e desafiadores Salmos para nossa geração.

O Salmo 23 é agradável pelo tom pastoral, e pela imagem de paz e segurança apresentados. É reconfortante porque podemos encontrar neste Salmo segurança diante das inseguranças que enfrentamos diariamente. E é desafiador por apresentar uma contracultura diante da nossa atual situação, afinal, é crescente o número de cristãos que estão se sentindo órfãos, desamparados e sem rumo.

Meu convite é para olharmos todo o Salmo 23 e não apenas para o primeiro versículo.

Vejamos o que podemos aprender com este precioso Salmo.

Nele encontramos a grandiosa declaração que regerá todo o Salmo e também toda a vida em todas as circunstâncias, a saber:

1 O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Pense e reflita sobre esta extraordinária declaração. Há um pastor e ele é o SENHOR, portanto, o que é que nos falta?

Aqui e ali ouvimos cristãos reclamarem que o pastor falhou e por isso abandonaram a igreja, esfriaram na fé, perderam a motivação. Ouvimos muitos relatos de cristãos sobre como a igreja não foi acolhedora em momentos difíceis. Ou mesmo reclamações entre cristãos. Pensemos por um instante em concordar com todas as acusações. O pastor local falhou, a igreja falhou e os demais amigos cristãos também falharam. Olhemos para o Salmo 23 com toda a carga de decepção imposta pelos erros dos homens e veremos que há uma mensagem que pode tomar o nosso coração e a nossa mente.

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Podemos insistir em olhar para os erros dos homens e persistir em depositar neles, homens frágeis e pecadores, toda nossa esperança, ou, podemos suplicar pelo Supremo pastor que pastoreie-nos.

É curioso ver que as pessoas querem o pastoreio de outros pecadores frágeis, a atenção de homens e mulheres que falharão em algum momento, em detrimento a esta extraordinária declaração... o próprio Deus é o nosso pastor e ele tem cuidado efetivamente dos seus. Ele não falha, não tarde, nunca erra, nunca se ausenta, está sempre presente em todo o tempo. Este é o nosso bom Deus.

Conscientes desta grandiosa declaração de que o Senhor é o nosso pastor e nada faltará, o salmista apresenta o que este santo pastor faz:

1 – “Ele me faz repousar em pastos verdejantes.” Aqui encontramos alimento. O SENHOR que é o bom pastor sempre alimenta suas ovelhas. Suas ovelhas jamais passarão fome. Assim ele fará com todos os seus.

2 – “Leva-me para junto das águas de descanso;” Aqui encontramos segurança. Segurança física e segurança espiritual. Assim como as ovelhas necessitavam de um lugar seguro, onde pudessem beber água fresca sem riscos, assim também Deus faz com seus filhos. É ele quem nos guarda.

3 – “refrigera-me a alma.” Aqui encontramos paz. Este é um anseio universal, entretanto, verdadeira paz, verdadeiro refrigério de alma, somente amparados e protegidos pelo bom pastor.

4 – “Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.” Aqui encontramos retidão. Em tempos de intensa corrupção em que o certo, verdadeiro e justo são considerados algo raro, como nos portaremos? Será que conseguiremos passar pelo mundo e não permitir que o mundo tome conta do nosso coração? Será possível manter-se íntegro? Eis a resposta: Sim. O bom pastor nos guiará pelas veredas da justiça.

Os versículos seguintes, 4 e 5, o salmista apresenta um cenário intenso e dramático, supondo serem estes os piores cenários. E, se estes são os piores cenários possíveis, será que ainda assim, o bom pastor poderia continuar a pastorear eficazmente?

Confiai no SENHOR perpetuamente, porque o SENHOR Deus é uma rocha eterna; Isaías 26.4

Sim, podemos confiar em Deus. Não há falhas em seu caráter. Nele podemos confiar e descansar.

A parte final do Salmo 23 encerra os argumentos de forma animadora e reconfortante.

Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre.

Há cristãos que vivem como se Deus não fosse o bom pastor. Não entenderam que há uma promessa maravilhosa para seus filhos. A promessa é a santa presença do bom pastor.

Atualmente, a impressão que tenho sobre a experiência de vida de alguns cristãos é que simplesmente a promessa da presença de Deus conosco não é suficiente. Ouvi diversas vezes homens e mulheres apresentar desculpas sobre sua situação espiritual. Culparam pastores, conselhos, igrejas, irmãos em Cristo, Satanás. Ainda que todas as reclamações fosse precisamente verdade, e, por consequência disso houvesse instaurado um desânimo, ainda assim, o sentimento de abandono se chocaria com a verdade eterna e pastoral de que o SENHOR é o bom pastor, e que nada falta porque ele é tudo o que necessitamos.

Quando seu coração quiser disputar espaço com Deus para entulhar outras coisas ou outras pessoas no lugar de Deus, peça ajuda ao bom pastor. Humilhe-se diante do Deus eterno e arrependa-se de querer tomar o lugar que pertence somente a Deus.

Caros irmãos, uma palavra final antes de encerrar este breve artigo.

Em primeiro lugar, não seria possível apresentar aqui toda a riqueza deste Salmo. Talvez em outros artigos haja alguma continuação. O que pretendi mostrar de forma mais sucinta é que não procuramos como deveríamos pelo bom pastor e que, o bom pastor, nosso Deus, pastoreia de forma eficaz. Precisamos aprender a deleitar, a ter prazer nas certezas do cuidado divino.

Em segundo lugar, não quis diminuir nenhum sofrimento ou angustia enfrentada. Sei pessoalmente e Deus tem sido bondoso comigo nos momentos mais difíceis da minha vida, que muitos sofrimentos são causados por outros. Entretanto, quer seja por pecados pessoais, quer seja por pecados de outros, continuo firmemente convicto de que, mesmo em meio aos sofrimentos por causa dos outros ou por causa das instituições ou as decepções pessoais são infinitamente menores diante do cuidado apresentado por Deus. Devemos ir em sua direção e declinar dos nossos males e angustias. Deixar aos pés da cruz, cumprindo o que disse Jesus:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

Mateus 11. 28 a 30

O Salmo 23 apresenta Deus como o bom pastor atuante na vida dos seus filhos. Jamais ficaremos desamparados. Nada nos faltará pois Deus é o nossa maior e melhor companhia.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A volta de Cristo, um estímulo à piedade

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O Credo dos apóstolos, sem sombra de dúvidas o credo mais conhecido pela Igreja do Senhor, afirma em uma de suas cláusulas, a respeito do Senhor Jesus: “Está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

A doutrina da segunda vinda de Cristo é de suma importância para a vida da igreja. Nesse dia glorioso o Senhor completará de uma vez por todas a sua obra de redenção dos salvos e de condenação dos réprobos. O apóstolo Paulo afirma que “importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, par que casa um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co 5.10).

É bastante claro, considerando todo o ensino a respeito da salvação pela graça, mediante a fé, que o apóstolo não quer ensinar que é necessário fazer algo para ser salvo, absolutamente. Tudo o que deveria ser feito a fim de que o homem tivesse paz com Deus foi realizado única e perfeitamente por Cristo Jesus. Diante disso, a expectativa acerca da vinda de Cristo deve levar os crentes a perseverar em boas obras, honrando aquele que os salvou, pois, essas obras serão julgadas.

Infelizmente, apesar de declararem que creem na vinda de Cristo, na prática, muitos crentes vivem como se isso não fosse ocorrer de fato e acabam vivendo para si mesmos, flertando com as coisas desse mundo.

Isso, entretanto, não é novo. Quando Pedro escreveu sua primeira carta estava combatendo, entre outras coisas, o falso ensino de que Jesus não mais voltaria. Este ensino seduziu a muitos e levou os crentes a viver libertinamente (2Pe 2.2). Pedro alerta, então, para a realidade da vinda de Cristo que seria repentina e, certo a respeito dessa vinda, exorta os crentes a viverem em “santo procedimento”, empenhando-se por serem achados pelo Senhor “em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (2Pe 3.8-14).

Os romanos também foram ensinados a esse respeito pelo apóstolo Paulo. No capítulo 13 ele trata do amor que é devido pelo cristão como sendo uma dívida sem fim, expressa na Lei do Senhor e que visa o bem do próximo. Apesar de ter demonstrado ser o amor um mandamento, Paulo também associa a prática desse amor à certeza da volta de Cristo. Isso pode ser notado nas expressões “digo isto a vós outros que conheceis o tempo” e “vem chegando o dia”, nos versículos 11 e 12.

Ele explica que os romanos deveriam esperar a vinda de Cristo estando despertos do sono e esse viver desperto consistia em deixar as obras das trevas, revestindo-se das armas da luz, implicando no conhecimento da Palavra, que é a “espada do Espírito” (Ef 6.17)­­­­.

Entretanto, para viver dessa forma, não basta meramente conhecer a Palavra. A Escritura aponta para a forma de viver em conformidade com a vontade de Deus e você pode mesmo mortificar a carne, mas para que isso seja possível, é necessário revestir-se de Cristo (Rm 13.14), ou, em outras palavras, é necessário ser conformado à imagem de Cristo, pois para isto fomos eleitos (Rm 8.29).

As Escrituras não dão simplesmente um montante de regras a fim de que os crentes mudem o modo de se portar. As coisas não funcionam desta forma, pois viver assim seria mero legalismo: deixe de fazer isso e faça aquilo. A única forma de mudar efetivamente a vida, vivendo de modo piedoso, é estando em Cristo. Ele afirmou aos seus discípulos, “sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15.5).

Portanto, se alguém é pavio curto ele não busca ser manso, ele busca a Cristo e terá domínio próprio. Se alguém é imoderado não deve buscar moderação, mas a Cristo, pois se estiver em Cristo será moderado. É isto que temos na epístola aos gálatas onde podemos notar que as obras pecaminosas são da carne, mas o fruto piedoso é do Espírito, por isso, buscamos a Cristo a fim de frutificar para ele, no poder do Espírito.

Nessa caminhada, à medida em que vamos sendo transformados à imagem de Cristo, enquanto aguardamos a sua gloriosa vinda, certamente haverá tentações e, mais ainda, há o perigo de premeditarmos o pecado. Por isso Paulo instrui os romanos para que, ao mesmo tempo em que se revestissem de Cristo, nada dispusessem para a carne, no tocante às suas concupiscências, ou, como está traduzido na NVI, “não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne” (Rm 13.14).

Deixe-me ilustrar isso. Há poucos meses fui diagnosticado com diabetes e, por conta disso, tenho medido constantemente a glicemia, a fim de verificar como meu organismo tem respondido à medicação. Duas horas após a refeição, o normal é que a glicemia esteja, no máximo, 140 mg/dL. Na comemoração do meu aniversário fugi da dieta e comi bolo, salgadinhos, doces e refrigerante. Duas horas depois fiz a medição e, com alegria, vi que a glicemia estava em 122. No outro dia brinquei com uma ovelha de nossa igreja, que é médico: “Se eu soubesse que ia dar só 122, tinha comido mais uns cinco brigadeiros”.

Esse tipo de pensamento seria exatamente o “premeditar como satisfazer os desejos da carne”, ficar confabulando, planejando, como matar um desejo. O cristão não pode ficar procurando maneiras de pecar e, para isso, deve revestir-se de Cristo! Nele, e somente nele, os crentes podem cumprir as ordenanças da Palavra e, se pecarem (note bem o “se”) podem contar com um excelente advogado, Jesus Cristo, o Justo (1Jo 2.1).

A expectativa da vinda de Cristo é um excelente motivador para que os cristãos perseverem em sua busca por santidade. Com sua vinda em mente, não buscaremos satisfazer os desejos pecaminosos da carne, mas, em piedade, aguardaremos o glorioso dia de sua volta, dia em que, de uma vez por todas, a nossa satisfação será plena!

Milton Jr.

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