terça-feira, 11 de outubro de 2016

Antes de engolir, reflita

Nas últimas semanas, você que é leitor mais assíduo deste blog, tem sido desafiado a repensar algumas premissas que são dadas como certas na sociedade (Hey, você que chegou agora... fica o convite para conhecer os posts anteriores, okay?!). Como cristãos, estas reflexões são afazeres normais da vida com Cristo, pois precisamos rever nossos caminhos quase como que diariamente.
 
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Por isso, os convido novamente à reflexão desse assunto, pois pode ser que ou você ou alguém que você conheça, se veja numa situação em que tenha que considerar o uso de remédios para solucionar alguma aflição ou "doença mental". Em sendo o caso, peço que considere:


1) A falência do modelo médico que defende o desequilíbrio químico

Alguns psiquiatras, mais conscientes de suas limitações e dos abusos comuns, questionam a validade das chamadas "doenças mentais". Por um lado encontramos crítica mais gerais, endereçadas ao modelo como um todo, como no caso do dr. T. C. Colbert, que em 2001 publicou um livro com um chocante título: Rape of the Soul: How the Chemical Imbalance Model of Modern Psychiatry has Failed its Patients [Estupro da alma: Como o modelo do desequilíbrio químico da psiquiatria moderna falhou com seus pacientes]. Há também aqueles que o fazem de modo muito específico. Este é o caso do dr. John Modrow, no seu livro How to become a schizophrenic: The case against biological psychiatry [Como se tornar um esquizofrênico: o processo contra a psiquiatria biológica] de 2003, onde aborda tanto a questão da falta de informação crônica que atinge pacientes e familiares, quanto as muitas teorias a cerca do problema específico (esquizofrenia), tais como "defeito cerebral", "desequilíbrio bioquímico" e "defeito genético".

Elliot Valenstein, médico e bioquímico, autor de Blaming the Brain, disse que "Não há nenhum teste disponível para acessar o status químico do cérebro de uma pessoa viva". A proposta da dra. Hendrickson por outro lado, que ela acredita ser consistente com o que a Bíblia ensina, é que haja uma sinergia entre os sentimentos e pensamentos do coração e o equilíbrio químico do cérebro. Ou seja, é uma via de mão dupla, onde um pode afetar/influenciar o outro(Hendrickson, 2013:173).

De maneira bem geral, poderíamos resumir a questão a uma das críticas levantadas: a de que, no máximo, esses problemas poderiam ser catalogados como "desordens". Uma desordem pode ser definida e classificada de várias maneiras, mas geralmente nada são além de manifestações daquilo que "não deveria ser assim", ou seja, comportamentos, pensamentos, ações ou reações que não estão em conformidade com a ordem.

A pergunta, entretanto, que devemos nos fazer é quem determina a ordem, para que algo seja estabelecido como uma desordem? Onde e com que está o paradigma de ordem?


2) As esperanças de descobertas que hoje funcionam como base de fé

Muitos psicólogos e psiquiatras trabalham sob uma premissa de fé que precisa ser cuidadosamente analisada. Creem que a ciência, seja ela representada pela fisiologia, biologia ou qualquer área da medicina, descobrirá, em um futuro que esperam esteja próximo, as causas físicas e bio-químicas para as atuais "doenças", fornecendo assim a prova final que justificará a já presente administração de medicamento.

Esta postura não é nova, no entanto. Em Blaming the Brain: The Truth About Drugs and Mental Health [Culpando o Cérebro: A verdade sobre as Drogas e a Saúde Mental], de 1998, Elliot S. Valenstein, professor emérito de psicologia e neurociência da Universidade de Michigan, escreveu que desde as décadas de 50 e 60 os psiquiatras já administravam drogas que não compreendiam bem seu funcionamento. A indústria farmacêutica, diz Valenstein, investiu na pesquisa tanto de novas drogas como na descoberta de seu funcionamento (pg. 59). Ele chega a dedicar um capítulo inteiro para esse assunto em seu livro (Valenstein, 1998:165-202). Ou seja, eles firmemente acreditam em fatos que ainda não se veem...


3) Que entre ignorantes e sábios, ninguém sabe muito mesmo

Nas conversas entre leigos e entendidos, sempre sobra uma acusação de que quem defende o aconselhamento bíblico seja ignorante, ou obtuso. Como se o quadro já não fosse suficientemente confuso, as agência e associações ligadas aos profissionais da área entendida admitem que não sabem a causa ou a cura para qualquer desordem mental, e em muitos casos, também desconhecem os efeitos do tratamento em seus pacientes.

Hendrickson acredita que o ensino bíblico seja o de que as suas emoções vêm de seu coração, não de seu corpo (Hendrickson, 2013:174), embora o contrário possa acontecer também. Para sustentar a tese de que a Bíblia ensina que o que acontece com seu corpo influencia o seu coração, Hendrickson oferece o exemplo de Elias, cuja fé perdeu o vigor depois do confronto com os profetas de Baal e da fuga prolongada para escapar das mãos de Jezabel. Embora ela reconheça que ele estivesse, após os eventos, física e emocionalmente exausto e faminto, nada disso, em sua avaliação, o fez desistir mas tão somente abriu margem para que a tentação para fazê-lo ficasse mais difícil de resistir. (Hendrickson, 2013:172).  Hendrickson entende que Deus foi sensível às necessidades físicas de Elias, não deixando-o sem alimento e descanso. Mas insiste:"Ele queria desistir porque julgou que sua situação era desesperadora e seu ministério, uma causa perdida". Adiante ela nota que descanso e comida não solucionaram a situação do profeta Elias, e conclui: "Foi necessário um encontro com a verdade de Deus para colocar o coração de Elias no devido lugar" (Hendrickson, 2013:174).


4) Riscos não considerados, mas que podem ser fatais

Uma outra questão a se considerar é o risco de suicídio que algumas dessas drogas induzem, quer pelo seu abuso, quer por sua má prescrição. É possível que alguém ainda sinta que, desde que evitadas as más administrações da droga, seu uso seria seguro.

Procure se informar, pois quando a decisão de caminhar pela via do medicamento é tomada, é importante levar em consideração que a maioria dos remédios psiquiátricos possivelmente farão duas coisas: ajudar a diminuir a dor, e trazer fortes efeitos colaterais (Hendrickson, 2013:173).

O livreto "Mental Health Care: What is the Alternative to Psychotropic Drugs?", alerta que qualquer um que esteja tomando drogas psicotrópicas jamais deverá dispensá-las imediatamente, pois devido aos efeitos perigosos que a abstenção repentina causa, o acompanhamento com um competente médico deve ser feito. No aviso em questão, o livreto indica que tal profissional seja preferencialmente um não psiquiatra.

Entre aqueles profissionais de saúde que se deparam com as evidências, com os efeitos nocivos e com a falta de sustentação científico-médica para muito do que é alegado no Manual de Diagnóstico, a busca por tratamentos alternativos aos medicamentos é crescente. Hendrickson, por exemplo, entende que as drogas psiquiátricas não são necessárias, sob condições normais, e talvez tenham alguma valia em casos extremos, desde que considerados os efeitos colaterais. Em sua opinião, a Bíblia continua sendo, apesar de haver algum possível benefício na administração medicamentosa, a fonte primária de auxílio. (Hendrickson, 2013:176). A pergunta que paira é: Quais benefícios os medicamentos realmente trazem?


Então?

   1. Saiba, não o nome comercial do remédio que estão te receitando ou que seu aconselhado está tomando, mas o "princípio ativo", ou seja, o nome do fármaco. Você se surpreenderá com a quantidade de nomes fictícios para o mesmo tipo de remédio. Pergunte em qualquer balcão de farmácia quantos diferentes "remédios" existem para o ibuprofeno, um analgésico não-narcótico,  não-adictivo. Mas repare: este é apenas o começo da descoberta. Agora procure saber o que ele faz, onde exatamente ele age no organismo e quais são os seus efeitos colaterais. Pessoalmente já vi dentista receitar anti-depressivos, e fiquei a me perguntar quanto pacientes atendidos por ele já precisaram deste tipo de medicamento e qual a influência do estado emocional de alguém que precisa de um tratamento dentário.

2. Saiba o motivo pelo qual você deveria tomar esta medicação. Remédio tem uma direta ligação com o diagnóstico, que por sua vez deveria ter uma direta relação com o "problema", a doença sob trabamento. Esta é uma questão simples: se você foi diagnosticado com alguma desordem de pânico (o que não é muito difícil), e lhe foi prescrito um medicamento, a pergunta natural que se segue é: onde o pânico reside? Em que parte do corpo ele está ou "começa"? E a segunda questão que se segue a esta é: Como o remédio em questão agirá sobre o problema? Agirá sobre o local do meu corpo onde o pânico se aloja? Qualquer profissional capaz de lhe receitar um antidepressivo prontamente lhe dirá que o motivo básico para que você tome o remédio prescrito se deve ao fato de você experimentar um desequilíbrio químico no cérebro, ou uma doença mental ou problemas emocionais. Mas repare: Qual foi o exame capaz de provar que exista qualquer doença no cérebro ou mal funcionamento orgânico que justifique o diagnóstico? Geralmente a base sobre a qual se fundamental para fazer tais afirmações é o Manual Diagnóstico e Estatístico das Desordens Mentais, cuja sigla é DSM, hoje em sua 5 edição.

3. Saiba que o abuso de drogas, lícitas ou não, dificulta e muito o processo de aconselhamento. Elas nublam o pensamento, dão falsas sensações, de mal e bem-estar, e na maioria das vezes, escondem o perigo verdadeiro, camuflando-o atrás de uma aparente solução. Citei acima propositalmente o Ibuprofeno, pois ele ilustra bem a questão. Nem todos sabem que ele não é só um analgésico, mas possui também propriedades anti-inflamatórias. Qualquer médico poderá confirmar (e pais de crianças pequenas também) que ministrado sem prescrição, ele pode camuflar o problema, sem tratá-lo apropriadamente. Em resumo, "...tomar uma medicação sem considerar os assuntos espirituais pode deixar uma questão muito importante sem ser tratada." (Hendrickson, 2013:171) .
 
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Então, não engula diagnósticos, comprimidos nem explicações com um simples gole d'água. Seja criterioso peça a Deus por sabedoria, pois neste mundo somos enviados como ovelhas para o meio de lobos, e é mister que sejamos prudentes como as serpentes, ainda que símplices como as pombas (Mateus 10.16).

Jônatas Abdias

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