segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Jesus, o poder do aconselhamento

Gosto muito de uma frase de uma certa música que diz: "O que Cristo oferece, ele é". A música se refere a Jesus e como sua entrada na nossa vida altera tudo. Mas não é o que ele faz ou traz, mas que ele é que opera a mudança que matam a sede a curam as vistas.

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Gosto da frase porque creio que ela resume bem muito do que queremos oferecer às pessoas como coisas, mas que estão personificadas em Jesus Cristo. O lamentável desse situação é que inúmeras vezes desejamos os efeitos da presença de Cristo, mas não queremos o relacionamento com ele que efetua tais efeitos. Mas como conselheiros bíblicos não podemos esquecer que a riqueza, beleza e grandiosidade do trabalho que empreendemos ministrando a Palavra de Deus aos particulares da vida particularmente (pois publicamente chamamos de "pregação"), não reside em técnicas, dicas ou novos hábitos. Toda a excelência está Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (Col 2:2-3).

Então, vamos passar por algumas coisas que o aconselhamento oferece, não como coisas, mas como os efeitos da presença de Cristo na nossa experiência. Muito mais poderia ser dito, pois aqui não vou vasculhar os Salmos, que por exemplo, nos traria tanta informação que tornaria o texto inviavelmente extenso para o nosso propósito. Ainda assim, te convido a ver como o que Cristo oferece, ele é:

As pessoas procuram por aconselhamento porque muitas vezes elas precisam de esperança. Sejam as lutas que podem ter se prolongado, ou derrotas que nos querem fazer crer que nosso caso não tem solução, ou o que mais opera para lhe roubar a esperança, tem horas que tudo o que precisamos é aquele fio de esperança que nos encoraja a prosseguir. Pois bem, Paulo escrevendo ao Timóteo se apresenta em nome de "Cristo Jesus, nossa esperança" (1 Tim 1:1). Se queremos oferecer às pessoas esperança, então não podemos dissocia-la daquele que a dá. Quando apresentamos Cristo Jesus às pessoas, oferecemos a elas esperança.

Mas quem precisa daquele descanso, daquela paz vinda de Deus, que sabemos excede todo entendimento (Fp 4.7). Como ofertar paz, quando muito do que dela depende não está sob nosso controle, e às vezes nem sob o da pessoa que dela tanto precisa? É confortador saber que podemos apresentar Jesus Cristo, não somente como aquele que "vai trazer" a paz, como algo diferente de si mesmo, ou como um efeito secundário de sua presença. Apresentamos Jesus, "porque ele é a nossa paz", diz o apóstolo Paulo em Efésios 2:14. Mas do que ofertar paz, oferecemos o conhecimento e o relacionamento com aquele é a nossa paz, e pode ser a dele também.

Aos perdido, não damos mapas ou direções simplesmente, mas as apresentamos àquele que é "o caminho, e a verdade, e a vida" (Jo 14:6). E veja que, por consequência, nele encontramos a verdade para o enganado, e vida para quem antes estava morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Lembremos que esta vida, eterna e bendita, é o resultado da ressurreição, que não apenas nos é apresentada como um fato a ser operado em nós no futuro, mas como algo de que nos apropriamos tão logo desfrutamos de um relacionamento íntimo com Cristo, que é "a ressurreição e a vida"; e assim cremos quando o Senhor Jesus diz de si: "Quem crê em mim, ainda que morra, viverá! (John 11:25).

Há também aqueles que precisam de pão para o vazio existencial inquietante que experimentam. Não podemos oferecer só que Jesus ensinou, como muitos ainda insistem na tentativa. Os valores, ensinos e conselhos de Jesus não estão dissociados de sua pessoa. Quando ofertou pão à multidão faminta, percebeu que eles se interessavam mais no pão em si do que em sua pessoa. O esclarecimento veio: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente" (John 6:35,51). Se quisermos dar desse pão, temos que apresenta-lo pessoalmente, na pessoa de Cristo.

E por fim, do muito que se poderia dizer a respeito do Salvador e Senhor Jesus Cristo, gostaria de lembrar-nos de que por mais que ele tenha nos permitido compartilhar da nobreza que o nome carrega, somos pastores de almas que operam sob a tutela e missão do verdadeiro e supremo pastor. Afinal, ele mesmo diz de si: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. (Jo 10:11). De fato, o pastor é quem deu sua vida pelas ovelhas, e o apóstolo Paulo sabiamente relembra seus leitores Coríntios disso: "Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?" (1 Co 1:13). Então, que sejamos mais uma vez lembrados que o poder do papel que desempenhamos como pastores e/ou conselheiros bíblicos não está em nós, mas naquele de quem falamos e que apresentamos às pessoas que nos procuram.

A honra e a glória pertencem àquele que oferece a si mesmo, àquele que oferece o que é: Cristo Jesus, nossa paz, esperança, pão, caminho, verdade e vida.

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