terça-feira, 8 de novembro de 2016

Motivação

 

motivação-498x273Manter-se motivado tem sido um grande desafio atual. O mundo corporativo investe pesado nesta área, promovendo encontros, seminários, palestras, visando motivar seus empregados para o bem da empresa.

Na igreja também encontramos este desafio. É cada vez mais comum ouvirmos reclamações do tipo: “a igreja está muito fria”, “o louvor na igreja não empolga”, “não encontro forças para sair de casa e ir para a igreja” ou, “hoje o culto foi frio” portanto, “não sei se voltarei mais a igreja deste jeito”.

Estas afirmações, evidentemente, refletem algo a ser observado bem de perto, afinal, tais afirmações ou pensamentos refletem a teologia da pessoa, a forma como ela crê e como ela interpreta o mundo e seus desdobramentos.

Não ignoramos o fato de que tribulações, pecado e as próprias dificuldades naturais da vida, tendem a gastar ou dissipar nosso vigor. Entretanto, não podemos ficar reféns de uma impressão sentimental, subjetiva e secularista sobre como interpretaremos os fatos.

Nossa geração foi destreinada na lida com dificuldades e sofrimentos. Lembro-me de um medicamento muito usado na minha infância, o famigerado “Merthiolate”, ainda com a fórmula que “ardia”. Quando machucávamos, chorávamos duplamente. Chorávamos por causa do machucado e por causa da proximidade da aplicação do remédio. Hoje, com a nova fórmula, não há mais dor provocada pela aplicação.

Nossa geração está sendo treinada a não tolerar a dor, como se a dor não fizesse parte da vida. Nossa geração não sabe ouvir um não, não sabe ser reprovada, não suporta a ideia da não visibilidade. Vemos como isso funciona, por exemplo, nas mídias sociais. Após postar algum texto, foto, ou algum comentário, todos ficam aguardando para ver quantos “likes” a referida postagem terá. Se ninguém clica no “like”, há um abatimento e tristeza.

Quando o assunto é a igreja, o culto a Deus, a vida cristã, devemos ter a motivação correta, mesmo não obtendo os “likes” necessários, ou mesmo em meio a algum sofrimento.

17Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, 18 todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. (Habacuque 3.17 e 18)

Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. (Salmo 73.25)

Ao pensar em motivação (ou na falta dela), consideremos algumas perguntas.

1 – Nossa motivação ocorre somente quando as coisas acontecem de acordo com a nossa vontade?

2 – Nossa motivação depende da compreensão e aceitação de outras pessoas?

3 – Nossa motivação depende do aprovação e aplausos dos outros?

4 – Nossa motivação gira em torno do nosso próprio bem-estar?

5 – Nossa motivação depende de encontrarmos forças dentro de nós?

6 – Nossa motivação depende do que podemos ver?

7 – Nossa motivação é para a glória pessoal?

8 – Nossa motivação é para a glória de Deus?

Sei que muitos cristãos atuais já leram que Jesus foi o maior motivador de todos os tempos. Vejamos como Jesus motivou seus seguidores:

Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. (Mateus 8.20).

À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. 67 Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? (João 6. 66 e 67).

Isso não soa como palavras motivacionais, conforme o atual padrão. O Senhor Jesus está desestimulando seus seguidores, especialmente os apóstolos, a ter o comprometimento de barganha, para um comprometimento eterno com a cruz, com o reino de Deus e com o próprio Senhor Jesus, mesmo que isso custe perder tudo.

O Salmo 77 revela claramente como a angústia e a dureza de coração podem impedir, temporariamente, vermos a grandeza de Deus. Vejam a sequência de perguntas que Asafe apresenta:

Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício? 8 Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? 9 Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias? (Salmo 77. 7-9)

Em sendo assim mesmo, ou seja, se tudo o que Asafe estava pensando sobre Deus era assim mesmo, evidente que ele estava mesmo angustiado. Entretanto, ele esclarece no versículo 10: Então, disse eu: isto é a minha aflição; mudou-se a destra do Altíssimo.

O coração e a mente de Asafe foram iluminados e finalmente ele conseguiu reencontrar alegria e real motivação para continuar louvando a Deus (Salmo 77.13 – Que Deus é tão grande como o nosso Deus?).

A Palavra do Senhor é o instrumento usado por Deus para nos ajudar a lembrar que o nosso bom Deus é o Deus Altíssimo. As tentativas em transformar as pregações em mensagens de autoajuda, temporariamente apresenta um efeito anestésico e parece ser o melhor. Entretanto, no dia mau, no dia da sequidão, no dia da tribulação, diante da tentação, onde encontrará forças para resistir ao pecado, ao desespero e ao desânimo? Onde encontrará forças? Em si mesmo? Olhará para o próprio interior? Buscará o exemplo falho de homens pecadores e limitados? Ou erguerá os olhos para além das nuvens para contemplar o Senhor assentado em um alto e sublime trono? (Isaias 6.1).

Evidentemente não se deve desprezar aquele momento angustiante da falta de motivação. Porém, não podemos correr o risco de sermos complacentes e ignorar o pecado e a dureza de coração. Deveríamos ser eternamente gratos a Deus pela salvação em Cristo. Cristo é a razão para não desanimarmos. Cristo é a razão para termos sempre a correta motivação para absolutamente tudo nesta vida.

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.                          (1 Coríntios 10.31).

Tudo o que fazemos devemos fazer para a glória de Deus e de Cristo Jesus. Sendo assim, encontraremos real motivação, mesmo diante de grandes desafios, mesmo em fraqueza e grande temor, se realmente nos comprometermos em fazer tudo para a glória de Deus.

Qual a sua real motivação? Sua felicidade é o que o motiva? Seu prazer é o fator motivacional? Se assim for, sua motivação será sempre como uma poeira ao vento, frágil e volátil.

Nossa motivação está baseada na vitória de Jesus na cruz do calvário. E, porque Cristo já fez, agiremos sempre em resposta ao bem que ele já nos proporcionou.

Seremos felizes em Cristo e tão somente nele.

Oro para que sua motivação seja santificada para a glória de Deus!

Reações:

2 comentários:

Filipe Martins disse...

Motivação santa é realmente um desafio para a nossa geração dependente de visibilidade e intolerante aos "nãos". Muito bom confrontarmos nossas intenções no que diz respeito também às motivações.

Jean Freitas disse...

Caro Filipe Martins... grato pelo seu comentário. O desafio é sempre constante. Manter nossa motivação sempre contemplando sua glória é realmente um desafio. Grande abraço.
Jean

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