terça-feira, 21 de março de 2017

Em Crise com Deus? Uma resposta bíblica.

 

 

0,,43818220,00Ao longo dos anos tenho visto cristãos enfrentando momentos muito preocupantes na vida. Por diversas razões experimentam uma espécie de esvaziamento espiritual. São crentes de verdade e mesmo assim, não conseguem encontrar alegria em Deus, regozijo em suas promessas e não encontram alegria e descanso ao orarem a Deus.

Como nossa geração está sendo treinada e incentivada a receber tudo o que deseja imediatamente, é claro que surgem sérios problemas, afinal, sabemos que no mundo real, nem tudo ocorre conforme planejamos e nem sempre podemos ter aquilo que queremos.

Além disso, o viver da aparência tomou conta do estilo de vida. As redes sociais proporcionam esta intensa visibilidade e, ninguém quer “fazer feio” publicamente.

Entretanto, apesar da aparência de felicidade exposta nas redes sociais, muitos irmãos e irmãs em Cristo enfrentam o dilema da falta de paz e a grande inquietação da alma.

Será que a Palavra de Deus pode nos ajudar a responder tais dilemas? Será que a Palavra de Deus pode ajudar aqueles que estão sofrendo neste sentido? A resposta é sim! O salmo 77 registra a experiência de Asafe, um levita, filho de Baraquias, descendente de Gerson, filho de Levi (1Cr 6:1; 6:39-43). Asafe foi um músico importante da época de Davi, e foi nomeado pelos principais levitas como responsável pela música, juntamente com Etã e Hemã, quando a arca foi transportada da casa de Obede-Edom para a cidade de Jerusalém (1Cr 15:16-19).

Algo perturbou profundamente Asafe. E ele agiu corretamente, ou seja, buscou tratar de seus dilemas do coração diante de Deus. Ele busca a Deus em oração (vers.1), ele reconhece sua angústia (vers. 2), declara que sua alma recusa consolar-se (vers.2), ele se lembra de Deus e não encontra paz, pelo contrário, ele geme e perde as forças (vers.3), está tão perturbado com tudo o que estava acontecendo que não conseguia dormir (vers.4), busca aliviar o tormento do coração lembrando do passado (vers. 5), e tudo isso o leva a fazer indagações injustas a Deus.

Não sabemos pelo que Asafe estava passando. E não pretendo aqui neste breve artigo sugerir alguma possibilidade. O que podemos constatar de fato é que Asafe estava profundamente perturbado. Podemos constatar que foi algo progressivo. Constatamos que ele buscou a Deus em oração e apresentou toda sua angústia ao Altíssimo.

Asafe parece estar perplexo e frustrado. Sua angústia e sofrimento o levam a duvidar do caráter de Deus. Esta é sempre a última tentativa de uma alma amargurada. Acusar o Criador como responsável por todos os males sobre si.

Vejamos a sequência de perguntas estranhas apresentadas por Asafe:

1 - Rejeita o Senhor para sempre?

2 - Acaso, não torna a ser propício?

3 - Cessou perpetuamente a sua graça?

4 - Caducou a sua promessa para todas as gerações?

5 - Esqueceu-se Deus de ser benigno?

6 - Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?

Percebam que houve um processo gradativo na experiência descrita por Asafe. Ele estava sofrendo muito por algo que não sabemos precisamente. Ele buscou a Deus, orou, sondou sua própria alma, angustiou-se e enfim, voltou toda sua atenção contra Deus. Tais perguntas apresentadas de forma sincera, são ofensivas a Deus pois ele não é assim.

Quantos cristãos atualmente não fizeram a mesma pergunta? Quantas vezes ouvimos alguém dizer “acho que Deus se esqueceu de mim?”. Quantas vezes Deus foi acusado de não ser bom?

Quando a tribulação ou o pecado não confessado perturbam a alma e a mente a tal ponto, a perspectiva de Deus é atingida profunda e injustamente e acusações são apresentadas como desconfiança moral contra Deus. Não podemos esquecer que Deus é bom e a sua misericórdia nos alcança insistentemente.

(19) Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do veneno. (20) Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim. (21) Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. (22) As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; (23) renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. (24) A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. (25) Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca.

Lamentações 3. 19-25

No verso 10 vemos uma abrupta mudança de perspectiva. Asafe reconhece que era sua percepção errada sobre tudo que estava fazendo com que ele olhasse com desconfiança para Deus. Ele disse: isso é a minha aflição... mudou-se a destra do Altíssimo. Parece que este pensamento o fez respirar novamente.

Há agora todo um processo desencadeado pela correta visão de Deus e pela confiança completa naquele que é o Altíssimo.

Asafe reconhece o poder do Senhor, reconhece seus poderosos feitos, pensa nas obras das mãos do Senhor, reconhece as misericórdias sobre o povo.

Não sabemos o que afligiu tão profundamente Asafe ao ponto de ficar tão perturbado. O que podemos afirmar com certeza é que, mesmo diante de tal gravidade da alma, o nosso Deus é poderoso para iluminar as profundezas do coração.

Por isso continuamos a afirmar que, em se tratando dos dilemas da alma, a Palavra do Senhor é a única suficientemente competente para tratar e corrigir os rumos da alma aflita. Não há outro instrumento que se compare a Palavra de Deus.

Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.

Hebreus 4.12

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