terça-feira, 11 de abril de 2017

Uma Palavra aos Pais.

 

 

family with children on hands, sunset skyTalvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim fazia Jó continuamente. Jó 1. 5

Um dos propósitos do blog é a apresentação de textos sobre os problemas cotidianos da vida cristã pelo prisma do aconselhamento bíblico. Esta informação é importante pois, quase a totalidade dos problemas da alma foram tomados ou empurrados para os braços da psicologia, que passou a influenciar a forma e o conteúdo da maioria dos conselheiros nas igrejas atualmente.

As lentes usadas para cada aspecto da vida cristã são as Escrituras Sagradas.

Dito isso, gostaria de pensar com nossos leitores sobre a descrição da prática de Jó em relação aos filhos, conforme apresentada já no título deste breve artigo.

Uma rápida leitura dos primeiros versos do Livro de Jó, revela com cores vibrantes a dinâmica de uma casa cheia de filhos e como esses filhos se relacionavam. Os filhos de Jó estavam sempre juntos (Jó 1.4) e se alegravam.

Não cresci numa casa com muitos filhos. Meus pais tiveram dois filhos. Eu e minha irmã. Crescemos e hoje vivemos em cidades diferentes. Quando nos encontramos, procuramos passar boa parte do tempo juntos. Quer seja no lanche da tarde, num almoço delicioso, ou mesmo em uma pizzaria à noite. Estar próximo e poder conversar com minha irmã é sempre muito bom. Sendo assim, fico imaginando como seria ter uma família com sete meninos e três meninas. Dez irmãos juntos desfrutando da presença um do outro. Penso que seria muito bom.

Sei que quanto maior a família maior a possibilidade de problemas, afinal, serão sempre pecadores reunidos. Entretanto, meu ponto não é este (neste artigo, talvez em outro) e sim, o acompanhamento do pai. Jó estava atento aos filhos. Como todo pai se preocupa com o futuro dos seus filhos, penso que Jó também se preocupava. Entretanto, Jó se ocupou em algo mais. Ele também se preocupou efetivamente com a vida espiritual deles (Jó 1. 5).

Agora poderemos olhar especificamente para aquilo que propus. Uma Palavra aos pais:

A primeira palavra aos pais é: Os pais devem agir com integridade e retidão, conforme o temor ao Senhor.

Agir com integridade e retidão como exemplos aos filhos. Recentemente alguém me indagou, dizendo que “os adolescentes dão muito trabalho na igreja”. Respondi que não, pois quando os adolescentes erram nós os corrigimos. Afirmei que, quem dá trabalho na igreja são os adultos. Adultos que já são pais. Esses são os maiores causadores de problemas. Pais que tumultuam a igreja local são exemplos ruins de integridade e retidão, ou pelo menos a falta destes. Os filhos podem ser profundamente influenciados pela postura ímpia ou inconstante de pais imaturos. Lembrem-se das sábias palavras de Tiago:

(7) Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; (8) a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. (9) Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. (Tiago 4. 7-9).

Integridade e retidão deve ser o padrão estabelecido para a norma de conduta em uma casa cristã.

O temor ao Senhor, sempre foi o princípio de sabedoria. (Sl. 111.10). Sem tal temor, tão ausente da instrução eclesiástica, não será possível lutar pela integridade e retidão.

A segunda palavra aos pais é: os pais também devem se desviar do mal. Aqui podemos constatar a prática da integridade e retidão juntamente com o temor ao Senhor. Pais que não se desviam do mal acabam por introduzir em sua própria dinâmica familiar a proximidade com aquilo que não agrada a Deus. Seja uma conversa inconveniente, seja o uso de palavras de baixo calão, seja o assistir programas apelativos e para piorar toda a situação, permitem seus filhos entrar em contato com toda a sujeira da cultura ímpia. E entenda, tudo aquilo que, em algum grau, nos afasta de Cristo ou, nubla a realidade de uma vida agradável a Deus, segundo sua Palavra, deveria ser evitado. Quando os filhos olham para os pais, devem ver neles prudência, piedade e devoção a Deus.

A terceira palavra aos pais é: santifiquem seus filhos. Este ato tem sido deixado de lado em função da falta de tempo. Particularmente penso que Deus nos cobrará pela inversão de prioridades. É preciso investir tempo para a santificação dos filhos e não apenas informalmente, mas, formalmente. Chamar nossos filhos com o firme e terno propósito de instruí-los na Lei do Senhor, apresentar-lhes as maravilhosas doutrinas da graça, contar a eles sobre o santo sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário. Sei que dá muito trabalho e a nossa desculpa tem sido a falta de tempo. Porém, se você mantiver em seu coração a devoção de temor ao Senhor, será levado a se preocupar cada dia mais sobre a responsabilidade dos pais como instrumentos de santificação dos seus filhos. Não permitam que seus filhos cresçam sem disciplina, desobedientes, indiferentes quanto ao culto, irreverentes diante das coisas de Deus.

A quarta palavra aos pais é: reconheça que seus filhos são pecadores. Há pais que ainda não entenderam que seus filhos são pecadores. Sei que há muita controversa sobre isso. Não me deterei a defender aquilo que é biblicamente evidenciado gritantemente todos os dias sobre como nossos filhos são pecadores. Os pais não podem fechar os olhos quanto a isso e devem ajudar os filhos na condução do processo de terem o coração quebrantado. Muitos pais ficam constrangidos pelas peripécias dos filhos simplesmente por causa da vergonha pública. Entretanto, há algo mais sério acontecendo. Quando nossos filhos pecam, em primeiro lugar pecam contra Deus. Portanto, não adverti-los ou corrigi-los biblicamente falando, significa que não estamos preocupados com o relacionamento dos filhos para com Deus.

A quinta palavra aos pais é: Sejam intercessores constantes dos seus filhos. Os pais não podem terceirizar tal tarefa. Podemos e devemos ter grupos de oração e intercessão sobre a família, podemos ter amigos mais próximos para compartilhar das lutas na condução da educação dos filhos aos pés da cruz. Grupos e amigos são bênçãos de Deus em nossa vida. Entretanto, não podemos esquecer que orar pelos filhos é tarefa primeira dos pais. Conheci pais que nunca oraram junto com os filhos. Outros que oravam de vez em quando pelos filhos. Perguntei quantas vezes oravam por si mesmos. Todos disseram que, quando oravam, oravam por si mesmos. Pedi que pudessem orar e interceder diariamente pelos seus filhos. Alguns me olharam assustados: “todos os dias... é muito!”. Orar a Deus já é algo extraordinário. Passar tempo com Deus em oração é o desejo de todo cristão verdadeiro. Apresentar nossos filhos ao Senhor ajudará os pais na condução educacional. Quanto mais tempo passarem diante de Deus, maior será o desejo de que os filhos desfrutem deste mesmo privilégio.

Para concluir:

Há muitos pregadores apresentando as mais modernas técnicas para educar os filhos, mesmo que tais técnicas exijam ver o mundo sem a presença de Deus. Muitos estão entregando a educação moral e religiosa aos professores da escola secular ou da escola dominical.

Não terceirize a educação dos seus filhos. Não despreze o tempo que poderia ter com seus filhos. Lembre-se. Os filhos são herança do Senhor e devem ser muito bem cuidados. São filhos da aliança e os pais não tem o direito de educa-los de qualquer jeito.

Por fim, gostaria apenas de esclarecer que o título deste breve artigo, ou seja, Uma Palavra aos Pais, é uma palavra para minha casa (eu e minha esposa) em primeiro lugar, antes de ser uma palavra aos outros pais. Estamos juntos neste desafio de criar nossos filhos na disciplina e no temor ao Senhor. Que Deus nos conceda sabedoria celestial para isso. Graça e paz a todos.

Reações:

1 comentários:

Jabesmar disse...

Artigo bom e pertinentes para pais que desejam criar seus filhos no temor do Senhor.

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