quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Perdão, uma forte marca do cristianismo.


perdao1Uma das grandes marcas do cristianismo foi a prática do perdão. Foi, sem dúvida alguma, uma das práticas estranhas dos cristãos ao mundo pagão. O conceito estritamente bíblico, testemunhado pelos cristãos, era de difícil compreensão pelos ímpios contemporâneos da igreja primitiva.

Naqueles primeiros séculos de perseguição intensa contra a igreja, o que se constata não é uma geração amarga, desanimada, destruída pelo ódio. O que encontramos é uma igreja buscando refúgio em Deus e encontrando em Cristo todo o consolo necessário para aqueles momentos mais difíceis, em que de fato a fé pressionada pela dor do luto ameaçava declinar e esmorecer.

É evidente que este breve artigo não tem a intenção de detalhar historicamente esta marca distinta do cristianismo. Apresentei somente uma singela introdução sobre o perdão para ponderar pastoralmente como o perdão é bíblico, e por ser bíblico é importante e quais são os nossos desafios atuais. Vejamos:

Há uma estranha postura na cultura cristã evangélica atual que cria frases como:

· Não consigo me perdoar;

· Você precisa se perdoar;

· Deus perdoa e você, se perdoa?;

· Se o outro não se arrepender eu não tenho que perdoar;

· Você deve perdoar para ser perdoado;

· Não acredito no perdão;

· Perdoe para que você possa se sentir melhor;

· Não preciso perdoar ninguém, só Deus pode perdoar.

Se você se identificou? Faz uso de algumas destas expressões? A dor causada contra você foi tão grande que até hoje você revive tal tormento? Bem, há uma boa notícia. Na realidade, há uma boa nova. Vamos juntos contemplar a perfeita Palavra de Deus que pode trazer alívio e refrigério para aquele que está abatido.

Minha primeira consideração: a Palavra de Deus é a única que pode corrigir os rumos do nosso coração. Então precisamos lembrar sempre e crer continuamente neste fato. A Palavra de Deus é a nossa única e suficiente regra de fé e prática. A Palavra de Deus tem poder para fazer o que ela mesma diz que faz.

A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices. Salmo 19.7

Segunda consideração: Perdão pressupõe pecado.

Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. 1João 1.8,9

Pecado é errar o alvo, é afrontar deliberadamente a Lei do Senhor. Pense a respeito da gravidade e profundidade deste erro. Quando pecamos, ignoramos a presença de Deus e de Jesus Cristo, rejeitamos o caminho da santidade, desprezamos a graça e tão somente procuramos satisfazer algum desejo pessoal inadiável.

Terceira consideração: palavras motivacionais ou frases de efeitos apreendidas em sermões pode aliviar temporariamente o conflito da alma. Porém, trazer cura para a alma, somente a Palavra de Deus.

Por que tal alerta? Há diversas mensagens que visam promover bem-estar aos ouvintes, porém, sem confronto com o pecado. Então, ao invés de procurar ter uma vida melhor, deveríamos buscar uma vida mais santa. Aí sim, teríamos uma vida melhor, pois estaríamos mais próximo de Deus.

Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.  Hebreus 12.14

Há uma base bíblica para o perdão.

Com isso quero dizer que o perdão não depende de um sentimento de boa vontade.

Perdoar implica em obediência a Palavra de Deus.

Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; Colossenses 3. 13

Perdoamos porque, antes de qualquer outro pensamento ou inclinação do coração, o Senhor nos perdoou.

Evidentemente que há benefícios para a prática do perdão. Sensação de liberdade, aquela impressão de “leveza”. Muitos pregadores enfatizam os benefícios do perdão como se fosse uma pílula. Erram ao ensinar que simplesmente você deve perdoar para sentir-se livre.

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 1 Coríntios 10.31

Perdoamos porque há uma orientação bíblica. Perdoamos porque queremos obedecer a Cristo. Perdoamos para a glória de Deus.

Quarta consideração: Aqui nesta consideração, gostaria de citar e recomendar o livro de Robert D. Jones, intitulado Perdão, publicado pela Editora Nutra. Vejamos o que ele disse:

“É possível ainda que essa pessoa nunca tenha conhecido verdadeiramente o perdão de Deus por meio do arrependimento e da fé salvadora em Cristo (MC 1.15; At. 20.21). Ela pode conhecer os fatos do evangelho, mas talvez nunca tenha tido um encontro pessoal com Cristo. Ou talvez tenha ideias distorcidas a respeito de arrependimento e fé.”

É possível encontrar muitas pessoas dentro da igreja que não tenham encontrado em Cristo, a razão completa da sua esperança. Homens e mulheres que se ambientaram em uma cultura cristã evangélica, de certo terão grandes problemas ao olharem para as exigências da Palavra de Deus que envolvam aspectos tão íntimos. Quanto a estes, minha oração é que se arrependam dos seus pecados e se submetam ao senhorio de Jesus Cristo.

Quinta e última consideração: As pessoas não deveriam “forçar a barra” na autojustiça. Em algum dado momento parece que começaram a legislar como se fossem juízes, para os outros e para si mesmas. Pessoas que não conseguem perdoar ou se perdoar por algum motivo pessoal, ou, por terem recebido uma instrução errada e ruim, necessitam de ser reconduzidas para a Palavra de Deus.

O perdão é realmente libertador! É um dos atos que praticamos que demonstra que não somos mais escravos do pecado. Cristo nos libertou para que pudéssemos ser parecidos com ele. Esta é uma grande e maravilhosa obra que ele mesmo começou e um dia há de termina-la. Esta é uma magnífica e santa esperança.

Perdão bíblico não é movido por sentimento, mas por obediência a Cristo e a sua Palavra.

O maior prazer daqueles que nasceram de novo, daqueles que experimentaram a regeneração e o perdão de pecados em Cristo, não é o alívio temporário em seus próprios méritos. O maior prazer do cristão é desfrutar da presença de Jesus Cristo, seu senhor. Honrá-lo e obedecê-lo enquanto o adoramos é o verdadeiro anseio do nosso coração.

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